Análise: Flowing Lights

Flowing Lights é um jogo que tenta recapturar a magia de uma era onde as arcades eram rainhas do gaming e o género que era mais popular era o shooter arcade. Muitos jogos tentaram capturar a magia dessa era, mas Flowing Lights centra-se essencialmente em puzzles, um escolha estranha mas eficaz. Diferenciando-se dos jogos do passado, em Flowing Lights localizações e projéteis inimigos formam padrões para o jogador entrar e sair, no entanto, essas seções trocam o ritmo stressante de um bullet hell pelo foco na colocação cerebral de obstáculos e ataques baseados em precisão.

A jogabilidade é relativamente tradicional, mas além do ataque básico temos também um ataque carregado que pode ser direcionado com precisão para acertar em vários inimigos de uma vez. A gravidade foi implementada habilmente para ajudar com os puzzles. As balas podem percorrer o terreno, contornando os montes e fendas que constituem o ambiente e devido a isso, o posicionamento torna-se fundamental. Pressionando um botão, normalmente o R1, podemos subir rampas para terrenos mais altos.

Os inimigos são variados e dependendo de comos os eliminamos recebemos alguns bónus. Estes objetivos para obtenção de bónus variam entre eliminar um certo número de inimigos com um ataque carregado, ou eliminar um determinado número em um certo tempo. A criação de combos aumenta a pontuação geral e é adicionado ao ranking global. Embora Flowing Lights seja acessível, há uma camada profunda e estratégica, especialmente se procurarem pontuações realmente elevadas. Este é um daqueles jogos onde podemos procurar ou não a sua dificuldade e apesar de podermos facilmente ultrapassar os níveis, isso resultará em pontuações relativamente baixas, mas procurar bónus, combinações e power-ups irá tornar o jogo mais desafiante, mas também a pontuação irá refletir isso.

Os níveis do jogo são variados e cada nova área tem novos elementos que evoluem em aspectos existentes do jogo, o que facilmente faz com que as duas centenas de níveis do jogo sejam bastante divertidos de jogar. A curva de dificuldade é constante e como o jogo normalmente constroi sempre por cima daquilo que nos apresentou antes, acaba por ser uma curva de dificuldade bastante suave. Ter que posicionar obstáculos metodicamente para bloquear projéteis e manobrar ao longo de um nível cheio de projéteis é por si já emocionante mas a adição de desafios e tabelas de classificação tornam todo o ciclo ainda mais divertido e viciante. A tentativa e o erro são encorajados para atingir a classificação mais alta por seção, no entanto, não há nenhuma consequência real em perder e podemos repetir até sermos os melhores do ranking.

Onde Flowing Lights acaba por falhar é no aspeto visual. Apesar de serem inspirados na era arcade, o design do jogo acaba por ter falta de personalidade. Também a banda sonora é bastante genérica, o que torna toda a componente de apresentação um pouco decepcionante. E isto vem de um fã de synthwave, o que torna esta crítica ainda mais difícil de fazer. Até há bem pouco tempo o aspeto de Flowing Lights seria visto até como inovador, mas depois de tantos lançamentos com inspiração semelhante, pedia-se um pouco mais.

Flowing Lights é um jogo único devido à sua jogabilidade que mistura puzzles com bullet-hell. É um jogo realmente interessante que irá agradar aos fãs de um vasto espectro de géneros.

Tiago Roque

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