Análise: Ninja Gaiden: Master Collection

Quando comecei a trabalhar na análise deste relançamento da série Ninja Gaiden tinha como plano criar uma análise para cada jogo. Não joguei muito da série originalmente e não existem análises a nenhum dos jogos aqui no ComboCaster, pelo que achei que seria uma boa oportunidade. No entanto este Ninja Gaiden: Master Collection não é uma compilação como aquela a que temos sido habituados. Não existem grandes novidades ou melhorias e criar uma análise aprofundada a cada um dos jogos não seria possível de forma alguma em tempo útil, pelo que decidi criar apenas uma análise geral e jogar cerca de 6 horas cada um dos jogos.

Ninja Gaiden: Master Collection contém Ninja Gaiden Sigma, Ninja Gaiden Sigma 2 e Ninja Gaiden 3: Razor’s Edge. Notem que nenhum deles é uma versão remaster, tratando-se apenas de ports de jogos que não existiam no PC ainda. Isto acaba por ser um problema porque os jogos têm um aspeto bastante datado nesta altura e alguns melhoramentos fariam milagres, principalmente para o primeiro jogo. A comunidade também reagiu realmente mal ao saber que seriam as versões “Sigma” da PS3 a serem lançadas nesta compilação em vez das originais, reconhecidas como superiores pela comunidade.

Os criadores revelaram entretanto que não seria possível já que o código fonte não é possível de resgatar, algo não muito comum, mas não inédito em jogos mais antigos. Seja verdade ou não o resultado não se altera e o dado que não é uma versão remaster que recebemos, seria pelo menos desejável receber a melhor versão disponível. Todos os jogos presentes na coleção não tiveram nenhum retoque visual, mas também não existem alterações na jogabilidade ou mecânicas de jogo. Dos três jogos aqui presentes, o design de níveis em Sigma é talvez o melhor, com áreas abertas o suficiente para serem exploradas, mas não abertas ao ponto de criar áreas abertas que parecem arenas de combate.

O combate é impactante, mas também estranhamente inconsistente visto que nunca parece que o jogador possa utilizar uma estratégia com sucesso de forma consistente. A câmera é um problema em todos os jogos aqui presentes, desde o primeiro ao último temos um sistema de ângulo fixo desatualizado que torna o combate e as plataformas incrivelmente frustrantes. Todos os jogos são realmente desafiantes, algo que tinha consciência antes, mas jogando acho que parte da dificuldade vem dos problemas de câmara. Mas não é apenas a câmara de tem problemas. Muitos elementos da jogabilidade do género que se tornaram essênciais para tornar a experiência não apenas mais acessível mas também melhor não estão presentes e isso nota-se principalmente nas zonas em que a jogabilidade principal são as plataformas.

A forma como Ryu não troca de parede em algumas secções de corrida pelas paredes por exemplo são apenas frustrantes. Podem dizer-me que é um jogo que não segura a mão ao jogador e é suposto ser difícil, mas a minha resposta é que existem formas de criar um jogo difícil sem parecer frustrante. Existem alguns problemas aqui que apenas podem ser descritos como bugs, mas que não faço ideia se são problemas novos destas versões ou sempre existiram. Não duvido da qualidade dos jogos originais e acredito que muitos destes problemas eram comportamentos normais na época do lançamento original, mas Ninja Gaiden Sigma foi lançado em 2004 e está bem perto de fazer 20 anos. Isto tudo serve para dizer que o trabalho feito nesta re-edição é preguiçoso. A vasta maioria dos problemas do jogo seria corrigido actualizando levemente os três jogos, mas desta forma todos estes problemas saltam à vista.

Devido aos problemas técnicos e sobretudo à falta de qualquer tipo de retoque, Ninja Gaiden: Master Collection é apenas para os fãs que procuram jogar novamente os jogos que compõe a colecção. Pessoalmente teria todo o gosto em jogar completamente toda a série de forma mais elaborada, talvez até em preparação para um quarto jogo da série, mas com aquilo que nos foi dado não posso deixar de pensar que poderia estar a jogar algo melhor. O mundo dos jogos não é como o mundo do cinema por exemplo, onde um bom filme continua bom anos depois. No mundo dos jogos são raros aqueles títulos em que parece que o tempo não passou por eles e o normal é que um jogo descrito como inovador mas competente em 2021 seja largamente melhor do que um jogo soberbo de 2004 e aqui temos a prova disso mesmo.

Tiago Roque

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