Análise: Neptunia ReVerse

A série Hyperdimension Neptunia tem continuado a crescer com novos jogos ao longo dos anos, sejam na série principal como em spinoffs ou até em versões melhoradas de lançamentos mais antigos. O jogo original acabou por ter um remake para a PlayStation Vita em 2013, sendo Neptunia ReVerse o remake do remake, agora para PlayStation 5. Confusos? Também eu.

Neptunia ReVerse é o primeiro esforço para a PS5 dos criadores de Hyperdimension, a Idea Factory e a Compile Heart. O resultado é uma versão aprimorada do remake da Vita, Hyperdimension Neptunia Re; Birth 1, que corre agora a 60 frames por segundo e em resolução 4K. Contudo não fiquem à espera de um jogo altamente detalhado ao nível do melhor que já vimos na PlayStation 5, ou até do melhor que já vimos na PlayStation 4, mas tem cores agradáveis e brilhantes e uma direção artística boa. O SSD rápido da PlayStation 5 significa que não há ecrãs de carregamento, mas fora isso, os outros novos recursos da PlayStation 5 não são realmente utilizados. O novo sistema de vibração especial do DualSense são usados para vibrações padrão e os gatilhos adaptáveis são usados para um novo minijogo de pesca, mas pessoalmente não notei absolutamente mais nada de novo e exclusivo.

Se jogaram o original ou o remake da PlayStation Vita sabem exatamente o que esperar de Neptunia ReVerse. A série Hyperdimension tem como pano de fundo as guerras entre consolas do nosso mundo, com personagens a representar a Nintendo ou a PlayStation por exemplo. Neptune é a deusa da nação Planeptune, a personificação da CPU de uma consola Sega. Outras deusas também representam consoles, como Vert, que defende a nação de Leanbox que representa a Xbox, Noire, que protege Lastation que representa a PlayStation e por fim Blanc que representa a Wii. Um dos problemas de Neptunia ReVerse ser um remake de um remake é que as referências utilizadas estão um tudo ou nada datadas. Todo o jogo é muito irónico, mas começam a existir referências que alguns jogadores mais novos não irão perceber bem.

Em termos de jogabilidade Neptunia ReVerse é exatamente igual ao jogo original. A maior parte da história é contada através de painéis de banda desenhada apenas levemente animados, que são totalmente legendados em inglês. Algumas cenas também apresentam trabalho de voz em inglês, mas a maioria apenas existe em formato de texto. As batalhas em si são por turnos usando um movimento SP, defendendo ou realizando movimentos EXE especiais que estão disponíveis apenas quando um medidor de EXE é preenchido. É uma configuração bastante standard dentro do género e se por um lado temos JRPGs a inovar muito neste aspeto, Neptunia ReVerse é completamente tradicional.

Fora do combate podemos explorar o mundo do jogo livremente num mapa do mundo superior, que contém pontos de interesse, incluindo uma loja, masmorras e o minijogo de pesca. No menu temos os Planos, que permitem aos jogadores carregar planos que encontram em lutas ou recebem de personagens ou missões e que custam um certo número de vários ingredientes para serem elaborados, e cada um deles tem um custo de memória de 1 a dezenas de MBs. Cada plano pode alterar o comportamento do jogo de alguma forma, como por exemplo começar uma masmorra com itens de cura ou alterando as taxas de queda dos inimigos.

Neptunia ReVerse é definitivamente melhor do que a versão para a PlayStation Vita, mas isso seria de esperar, tendo o jogo mais dificuldades quando comparado com outros jogos do género. Com a PlayStation 5 a correr praticamente todos os jogos da PlayStation 4, a realidade é que existem jogos bem melhores do género. Se já jogaram a versão da Vita podem por exemplo experimentar o novo Arrange Mode que desbloqueia todas as personagens logo de início, mas além de não fazer sentido na história do jogo, que não muda, acaba por ser pouco para justificar uma nova compra.

Tiago Roque

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