Análise: No Longer Home

Há algo especial em de vez em quando pegar em algo mais relaxante que não nos pede que passemos horas em tiroteios. Por vezes jogar algo realmente focado na história pode ser igualmente gratificante. Podem dizer, “para isso vê um filme”, mas não é de todo a mesma coisa. No Longer Home leva o seu tempo, apresentando com calma as suas personagens e os seus dramas. Também a sua história é uma com que nos conseguimos importar e relacionar. Mesmo com a sua calma, não é um jogo longo e acaba exactamente onde e quando tinha de acabar.

No Longer Home revolve à volta de Ao e Bo, um casal que infelizmente tem de passar algum tempo separado por causa de um visto caducado. Problemas da vida a adulta que não fáceis. A distância cria mais distância e estes períodos introspectivos podem revelar coisas sobre cada um de nós que tornam difícil lidar com uma separação iminente. Como casal não binário, o jogo também explora a visão que o mundo tem das personagens. Os seus sentimentos tornam-se criaturas metafóricas e o jogo faz um bom trabalho em mostrar o isolamento que alguém pode ter quando se fecha em si próprio.

Em termos de jogabilidade não há muito para falar para dizer a verdade. Podemos explorar o apartamento e interagir com alguns objetos e sobretudo falar com as personagens. Há algum vaivém no diálogo em que nós nem sequer escolhemos as falas. Podemos escolher o diálogo para as pessoas que participam na conversa e o jogo tem uma quantidade de exposição enorme. Nem sempre isso é negativo, mas pessoalmente prefiro quando o diálogo é mais orgânico e não nos tenta atualizar em vinte anos de história que as personagens já sabem mas nós não.

Em termos de apresentação, No Longer Home é muito interessante também. Visualmente utiliza um estilo de arte geométrica e a música tem bastantes influências indie. Mas são as cores que realmente dão vida ao jogo, criando uma atmosfera de nostalgia. Os sons também são muito bons. O diálogo tem um ritmo à medida que cada personagem fala, dando personalidade a cada personagem sem a necessidade de atores.

No Longer Home é um jogo que todos deveriam gostar. Tem uma bela história e acima de tudo personagens memoráveis. Durando apenas duas horas também não é um enorme investimento, mas se for uma experiência que gostem, podem repetir. Dada a quantidade de escolhas de diálogo é algo que vos irá ocupar mais uma ou duas playthroughs.

Tiago Roque

Leave A Comment