Análise: Escape From Naraka

Naraka é essencialmente uma versão indiana do inferno e é um nome que irão começar a ver muito por aí. Depois de explorar praticamente todas as religiões mais conhecidas era apenas uma questão de tempo até a fascinante mitologia indiana começar a aparecer nos videojogos. Muitos jogos já se tinham inspirado nesta mitologia, talvez o maior exemplos seja Uncharted, mas ao contrário da mitologia nórdica, a Hindu não tem um jogo inspirado nela a ser lançado por semana.

Talvez isto se deva ao facto de não ter uma série de filmes de Hollywood ou livros acessíveis à maioria dos leitores, ou simplesmente porque acredito existirem pouco estúdios na India, mas é realmente uma pena porque a mitologia Hindu é fascinante. Tal como o nome do jogo indica temos basicamente que fugir do inferno e fazemos isto de forma semelhante a SEUM: Speedrunners from Hell, onde vamos morrer muitas vezes, nem sempre de forma justa. Isto por si pode afastar muitos jogadores. Os jogos deste género são na verdade um verdadeiro nicho e não conseguimos encontrar aqui muitos elementos que irão agradar à maioria dos jogadores, simplesmente níveis que temos de completar o mais rápido possível.

Escape From Naraka tem apenas duas horas de duração. Tem sete níveis e cada um dura alguns minutos, mas a duração é crescente. O primeiro nível é bastante rápido, mas irão gastar quase metade das duas horas nos dois níveis finais. Não apenas por serem maiores, mas também por serem muito mais complexos e difíceis. Os níveis em Escape from Naraka foram projetados para manter o jogador em movimento. Para um jogo focado na velocidade e que nos avalia por isso gostaria que a minha personagem se movesse um pouco mais depressa. Além de não ser muito rápida, a jogabilidade tem falta de ímpeto.

A jogabilidade é boa, mas não excelente e nunca me senti tão no controlo como gostaria. O movimento e o salto é ligeiramente menos responsivo do que seria recomendável. O jogo oferece ainda uma série de habilidades como o dash que funciona tal como em praticamente todos os jogos que conhecem e uma magia de gelo que permite abrandar o tempo e fazer com que algumas armadilhas funcionem mais devagar. Esta habilidade faz também com que possamos utilizar o dash uma segunda vez sem cooldown, algo que não é explicado no jogo e nem sequer sei se é pretendido ou um bug, mas se é um bug existem zonas que não faço ideia como ultrapassar sem a habilidade.

Aquilo que torna Escape From Naraka efetivamente frustrante são os seus inimigos. Os inimigos tornam tudo demasiado injusto. Apenas os inimigos mais básicos oferecem um desafio que eu consideraria justo, todos os outros aparecem do nada e são simplesmente frustrantes. O jogo sabe exatamente quando estamos mais vulneráveis nas secções de plataformas e simplesmente lança estes inimigos que parecem teleportar-se contra nós. Além disso praticamente todos os inimigos nos consegue eliminar apenas num ataque, ao contrário dos bosses por alguma razão.

Escape From Naraka é um jogo decente do género, mas os inimigos tornam tudo demasiado frustrante para quem apenas quer um bom desafio mas não é fã do género.

Tiago Roque

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