Análise: Aeon Drive

O speedrunning é um staple da indústria. Seja qual for o jogo vai existir uma comunidade dedicada a tentar chegar ao fim ou a fazer uma coisa qualquer dentro do jogo da forma mais rápida possível. Com o tempo começaram a sair jogos dedicados apenas a oferecer uma experiência parecida como mecânica principal. Aeon Drive é um destes jogos e um dos melhores exemplos de como fazer um bom jogo desse género.

Aeon Drive tem como palco um cenário cyberpunk de ‘Neo Barcelona’ e como protagonista temos Jackelyne, uma espécie de polícia espacial que está numa corrida desesperada pela cidade para encontrar os núcleos de energía que lhe irão permitir arranjar a sua nave. Armada apenas com uma espada e uma adaga de teletransporte, o jogador tem de ajudar Jackelyne atravessar os níveis do jogos, cada um deles recheado de rotas diferentes, com vantagens e desvantagens e que apenas iremos conhecer experimentando.

Criar um bom jogo do género implica primeiro não expulsar os jogadores menos bons. Alguns jogos do género apresentam tempos e coisas do género que tornam os jogos super frustrantes para jogadores novatos, mas aqui podemos simplesmente correr pelos níveis mas o jogo incentiva-nos a nos movermos o mais rápido possível. Para isso jogo implementou um cronómetro de 30 segundos em cada nível. Se o cronómetro chegar a zero, o jogo termina e precisamos de recomeçar. Felizmente os níveis do jogo são bastante curtos e para compensar a contagem regressiva, podemos apanhar cronómetro espalhados pelos níveis e se conseguirmos apanhar 5 podemos ativar o poder e adicionar imediatamente 5 segundos de volta ao cronómetro. Parece pouco, mas é a diferença entre recomeçar e terminar o nível em muitas ocasiões.

Não é que estivesse à espera de muito em termos de história, mas Aeon Drive não é realmente muito forte neste aspecto. A narrativa em Aeon Drive é apenas uma justificação para a ação na melhor das hipóteses, mas a jogabilidade é fantástica, especialmente depois de algum tempo de treino. Existe uma curva de aprendizagem e precisamos realmente de algum treino para dominar alguns dos movimentos, especialmente os mais avançados, mas assim que conseguimos dominar todos, tudo passa a ser automático e sabemos exatamente como e quando utilizar cada uma das habilidades.

Mas muitos jogadores podem ler tudo isto e dizer, “ok Aeon Drive parece competente, mas já vi tudo isso antes” e esses jogadores têm razão. Aqui que mais torna Aeon Drive único é a Adaga que referi acima. A adaga de teletransporte permite, bem teletransportar a nossa personagem. Podemos fazer isso lançando-a para qualquer parede dentro do alcance e depois ao pressionar a mesma tecla novamente podemos voltar à adaga. Usar a adaga permite contornar obstáculos, mas também podemos tirar partido da habilidade para ganhar velocidade, um factor essencial em qualquer jogo com este tipo de mentalidade.

Aeon Drive é um daqueles jogos que nos faz puxar os cabelos, especialmente porque morremos ao ser atingidos uma única vez. Isto significa que além de rápidos, cada vez que completamos um nível basicamente tívemos que fazer um nível perfeito. Visualmente, o jogo é fantástico também, com bonitos gráficos de arte pixel e um bom nível de detalhe. Não existe muita variedade no entanto e acabamos com muitos níveis que parecem muito semelhantes visualmente, mas como o jogo tem tão bom aspeto é algo que posso ignorar. Se o jogo tem bom aspeto, outro elemento muito bom é o audio, com uma banda sonora fantástica e que acenta na perfeição.

Aeon Drive pode não ser o melhor jogo de plataformas moderno, mas é muito bom e quando olhamos para aquilo que Aeon Drive tenta efetivamente ser, a verdade é que está bem lá em cima junto com a sua concorrência. Se gostam de acelerar a toda a velocidade pelos níveis do Super Mario Bros original, Aeon Drive pode ser aquilo que estão à procura.

Tiago Roque

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