Análise: Apsulov: End of Gods

Apsulov: End of Gods coloca o jogador no papel de uma protagonista feminina acabada de acordar numa espécie de mesa de operação. Logo percebemos que este não é um jogo para os de coração fraco e desde a atmosfera aterradora até aos momentos assustadores, nada em Apsulov: End of Gods é apelativo, mas é mesmo esse o objetivo. Este não é um jogo de terror tradicional, percorrendo com relativo sucesso uma fina linha entre survival horror e walking simulator, oferecendo menos ação do que um e mais do que o outro, mas não se enquadrando verdadeiramente em nenhum dos géneros.

Mas seja Apsulov: End of Gods o que for, é uma experiência aterradora. O mundo estranho do jogo, quase alienígena, no qual a nossa personagem acorda mostra-se intrigante e não podemos evitar partir para a exploração, mesmo que algo pareça estar no virar de cada esquina. Há um confronto interessante entre os corredores de aparência futurista em que nos encontramos e os artefatos arcaicos e místicos, armazenados neles. A mistura do antigo e do novo é um pouco estranha mas funciona. O ambiente também não é desprovido de vida, com muitas criaturas assustadoras e cada vez mais perigosas à medida que avançamos.

Além disso este é um daqueles jogos que nos lança aos lobos mas não nos dá nem um pau para nos defendermos. Aqui somos completamente indefesos contra quaisquer criaturas que decidam ser hostis. Felizmente temos um estranho braço robótico com o qual podemos disparar rajadas de energia desde que tenhamos carga suficiente. Uma explosão rápida dirigida é suficiente para ativar certos dispositivos, enquanto uma explosão perfeitamente sincronizada nas fechaduras de algumas portas pode permitir que contornar as medidas de segurança. Usar este braço como arma por outro lado simplesmente gasta todas as cargas que temos.

O jogo apresenta também alguns puzzles leves e vários portais que nos levam a terras misteriosas. São estes portais que trazem verdadeiramente variedade ao jogo e os ambientes são diversificados e fascinantes. A história do jogo impulsiona a ação, e é talvez a estrela do jogo. Esta é uma daquelas histórias que é fascinante o suficiente para não entrar em qualquer tipo de pormenor para não estragar a experiência de cada um, apenas que no geral podem contar com mais de cinco horas de jogo, algo que pode parecer pouco mas neste género é bastante razoável, especialmente porque o jogo oferece algum incentivo a ser jogado várias vezes com os seus finais alternativos, vários níveis de dificuldade e muito conteúdo para encontrar e desbloquear.

Apsulov: End of Gods não faz nada de realmente diferente ou inovador, mas aquilo que faz faz realmente bem. É preciso que tenham algum gosto por jogos do género e não se assustem facilmente, mas se gostam realmente de ambientes hostis, então esta pode bem ser a vossa próxima compra.

Tiago Roque

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