Análise: Carrion

Carrion é um Metroidvania tradicional em tudo menos na personagem que controlamos. Não há muito a separar Carrion de Metroid por exemplo, no entanto Carrion pega na ideia de que controlar um monstro de um filme de terror deve ser bem divertido e cria um jogo à sua volta. E verdade seja dita, realmente é divertido.

O pequeno organismo que controlamos acabou de sair da sua cela e ao chegar à ventilação o jogador percebe que se encontra num complexo de investigação massivo e tem dois objetivos. O primeiro é infectar toda esse complexo, como se fossemos a coisa do filme “The Thing”, que em Portugal recebeu o título “Veio do Outro Mundo” por uma razão qualquer. O outro objetivo é obviamente fugir.

Por todas as razões positivas e negativas, Carrion não mexe muito na fórmula de um metroidvania. Temos um layout the zonas interligadas que se vai expandido à medida que vamos desbloqueando mais habilidades. O backtracking que é imagem de marca do género não marca tanta presença como habitualmente e pessoalmente não me posso queixar, é o elemento que menos gosto do género.

Em termos de jogabilidade Carrion é bom, não fantástico. Existem alguns elementos que me fizeram alguma confusão como certas habilidades que são apenas utilizadas em certas zonas e esquecidas por exemplo. No entanto a razão porque isto acontece acaba por justificar a decisão. A nossa criatura vai evoluindo ao longo do jogo e algumas evoluções têm habilidades próprias e alguns puzzles utilizam essas habilidades. O combate por outro lado é demasiado simples, mas também isso acaba por ser compreensível, já que se fossemos uma criatura fraca o suficiente para que todos os inimigos fossem um problema, a premissa de “ser a criatura” deixaria de ser divertido.

A criatura em si é uma massa grotesca e de carne e olhos sem forma definida. Tudo nela é uma raiva e passamos o tempo a destruir coisas e a consumir pessoas indefesas e em fuga. Esta caça é a verdadeira estrela do jogo, com um nível de violência ridiculamente excessivo. A atmosfera é opressiva, com cores escuras, iluminação baixa e barulhos estrondosos a permear as instalações. Até a maneira como a personagem se move contribui para estes visuais opressivos já que ao se mover mancha tudo com sangue.

Apesar das suas falhas, Carrion é uma boa proposta no género. A forma como subverte as expectativas do género é muito boa e apesar de oferecer um combate simples e fácil, consegue recuperar pontos com a sua atmosfera e a criatura que controlamos em si.

Tiago Roque

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