Rally Arcade Classics é um jogo desenvolvido pelo estúdio espanhol NETK2GAMES que tenta capturar a nostalgia dos clássicos de rali dos anos 90 e início dos anos 2000. Quando se ouve o nome, a expectativa é de um jogo simples e rápido, com corridas curtas e ação imediata, algo ideal para sessões rápidas em consolas portáteis ou em PCs como o ROG Ally. A promessa parece clara: uma experiência arcade, fácil de pegar e jogar, perfeita para quem quer apenas sentir a adrenalina do rali sem se preocupar com detalhes complexos. No entanto, à medida que se vai jogando, percebe-se que o título segue por um caminho um pouco diferente, mais próximo de simuladores como Gran Turismo do que de jogos como Sega Rally.
A ideia de ter uma carreira extensa com muitas provas curtas faz sentido, principalmente para quem quer jogar em pequenas sessões. Os tempos de carregamento quase instantâneos ajudam a manter o ritmo e tornam o jogo muito acessível em termos de estrutura. Mas a forma como a progressão está montada pode surpreender quem esperava algo puramente arcade. Desde o início, Rally Arcade Classics exige mais dedicação do que parece à primeira vista.
Jogabilidade
Ao iniciar a carreira, o jogador não pode simplesmente escolher um carro e entrar na pista. É necessário primeiro tirar uma licença para competir numa categoria específica, algo muito semelhante ao sistema visto em Gran Turismo. No início, só estão disponíveis carros compactos e lentos, como versões fictícias do Peugeot 206 ou do Mini Cooper clássico. Apesar de não haver veículos licenciados oficialmente, é fácil perceber quais são os modelos reais que inspiraram os carros presentes no jogo.
Antes de participar nas primeiras corridas, é obrigatório passar por uma série de testes básicos que funcionam como tutoriais. Só depois de concluí-los é que se pode começar a competir na categoria inicial. O problema surge quando se percebe que, para subir de categoria, é necessário repetir este processo várias vezes, o que torna a progressão algo cansativa. Cada novo nível exige não só mais testes como também uma quantidade enorme de provas para ganhar dinheiro suficiente para comprar carros melhores ou obter novas licenças.
Embora os controlos sejam bastante responsivos e fáceis de aprender, a estrutura acaba por exigir um investimento de tempo maior do que se poderia esperar de um jogo que se apresenta como arcade. Isto não significa que o jogo não seja divertido, apenas que é preciso paciência para desbloquear tudo, algo que pode afastar jogadores que queriam uma experiência mais direta e casual.

Mundo e história
Como muitos jogos de corrida, Rally Arcade Classics não aposta numa narrativa complexa ou num mundo rico em enredo. O foco está na progressão através de eventos e na melhoria do desempenho dos carros. Existem várias pistas localizadas em diferentes ambientes, desde florestas e montanhas até cenários mais urbanos, mas a variedade acaba por ser mais visual do que funcional.
Com o tempo, é fácil notar que as pistas, embora bonitas à primeira vista, começam a repetir-se. Muitos eventos acabam por ser variações ligeiramente diferentes da mesma corrida, seja em formato de contra-relógio, corridas com adversários controlados pela IA ou pequenos desafios técnicos. Esta repetição contribui para a sensação de que a campanha se arrasta mais do que deveria, especialmente quando se tem de completar dezenas de provas para desbloquear novos conteúdos.
Apesar disso, a estrutura faz sentido para sessões curtas, em que se joga apenas algumas corridas por vez. Neste aspeto, o jogo acaba por encaixar bem numa consola portátil, onde se valoriza a rapidez de acesso e o ritmo acelerado de partidas.
Grafismo
Visualmente, Rally Arcade Classics apresenta uma qualidade razoável, especialmente quando jogado num ecrã pequeno. Os cenários têm um bom nível de detalhe, e os carros, mesmo sem licenças oficiais, são facilmente reconhecíveis e bem modelados. No entanto, a interface do utilizador deixa bastante a desejar, com menus que parecem pouco polidos e um design que transmite uma sensação algo barata.
Um dos principais problemas está no desempenho. O jogo não tem gráficos particularmente exigentes, mas mesmo assim sofre com quedas de framerate, o que é desapontante. Embora os controlos consigam manter-se responsivos mesmo quando a fluidez cai, a experiência poderia ser muito mais agradável se houvesse uma otimização mais cuidada. Considerando que o jogo já está disponível há algum tempo, esperava-se uma atualização que corrigisse estas falhas técnicas.

Som
A parte sonora de Rally Arcade Classics é funcional, mas não se destaca. As músicas de fundo são decentes, oferecendo algum ritmo às corridas, mas não chegam a ser memoráveis. O mesmo pode ser dito dos efeitos sonoros, principalmente os dos motores, que soam genéricos e sem grande impacto.
Não há grande variedade de faixas musicais, o que, combinado com a repetição das pistas, pode levar a uma sensação de monotonia após algumas horas de jogo. Este aspeto não chega a comprometer a jogabilidade, mas deixa claro que o departamento sonoro não recebeu a mesma atenção que outras partes do jogo.
Conclusão
Rally Arcade Classics é um jogo que tenta equilibrar a simplicidade de um título arcade com a profundidade de um simulador, mas acaba por pender mais para o segundo lado. Apesar do nome, a experiência não é tão imediata quanto se poderia esperar. A estrutura baseada em licenças, a repetição de provas e a necessidade de investir muitas horas para desbloquear novos carros e categorias fazem com que o jogo se sinta mais exigente do que um arcade tradicional.
Ainda assim, há diversão a ser encontrada, sobretudo para quem gosta de jogar em sessões curtas e não se importa com uma progressão lenta. A jogabilidade é sólida, os controlos são bem afinados e a sensação de condução é satisfatória. No entanto, problemas como o desempenho instável, a falta de variedade de eventos e a apresentação algo básica impedem o jogo de atingir todo o seu potencial.
No final, Rally Arcade Classics não é um mau jogo. É uma proposta interessante para quem procura uma experiência de corrida portátil, mas exige mais dedicação do que o esperado. Para jogadores que queriam apenas algumas corridas rápidas sem complicações, pode acabar por ser frustrante. Para os que não se importam com a repetição e gostam de uma progressão longa, há aqui material suficiente para muitas horas de jogo.