Análise: EA Sports NHL 26

Quando se fala em jogos de desporto anuais, a primeira pergunta que surge é sempre a mesma: vale a pena comprar a nova edição? A expectativa é baixa, e muitos jogadores assumem que a diferença de ano para ano é apenas um pacote ligeiramente mais polido com o mesmo conteúdo. No caso de EA Sports NHL 26, a resposta não é simples. O jogo é indiscutivelmente melhor do que o seu antecessor, que já tinha sido um grande salto para a série, mas as mudanças são subtis e nem sempre fáceis de notar a não ser que se tenha passado muitas horas nas entradas anteriores. É uma edição que melhora o que já estava bem feito, mas não oferece a revolução que alguns esperariam.

Jogabilidade
O grande destaque apresentado pela EA este ano é o novo sistema ICE-Q 2.0, que promete movimentos de jogadores mais realistas do que nunca. Na prática, as diferenças existem, mas são pequenas. Jogadores como Brad Marchand sentem-se mais combativos e propensos ao contacto físico, enquanto Nathan McKinnon consegue executar passes mais rápidos e apertados, algo fiel ao seu estilo real. São melhorias de detalhe, que aumentam a autenticidade, mas não mudam de forma radical a experiência.

Onde a jogabilidade dá realmente um salto é na baliza. O sistema ICE-Q 2.0 inclui um conjunto vasto de novas animações e comportamentos de guarda-redes, corrigindo problemas antigos da série. Em NHL 25 era demasiado difícil marcar em remates de pulso, os ressaltos eram escassos e os slapshots pareciam depender de sorte em vez de habilidade. Além disso, existiam fintas demasiado eficazes, não por mérito do jogador, mas por falhas de animação do guarda-redes. Em NHL 26 tudo isto foi reformulado. Agora os guardiões deixam a sua baliza em mais situações, usam o stick para afastar ou desviar o disco e reagem de forma mais variada e imprevisível. Isto obriga os jogadores a reaprender o ataque: os controlos são os mesmos, mas a forma como os guarda-redes respondem altera por completo o timing e a abordagem ofensiva.

Mundo e história
As mudanças mais profundas fora do gelo encontram-se no modo Be a Pro. Este foi reformulado e agora começa no Campeonato do Mundo Sub-20, passando depois por uma equipa das ligas menores canadianas antes do Draft da NHL. É uma abordagem mais imersiva, que dá mais corpo à carreira de um jogador criado. Também existem mais opções de evolução do atleta, focadas no desempenho em campo e não em microtransações, o que é um ponto positivo.

No entanto, nem tudo é perfeito. O jogo coloca os atletas criados demasiado fortes logo de início, com atributos elevados e várias X-Factor abilities ainda antes de jogar um único jogo oficial. Além disso, as relações criadas com colegas de equipa nas ligas menores são transferidas para a NHL sem grande lógica, quebrando a sensação de realismo. Ainda assim, a maior aposta em interações fora do gelo, com colegas, imprensa e direção, torna este modo mais completo e envolvente do que em edições anteriores.

A representação da PWHL, a liga profissional feminina, é outro aspeto importante. Introduzida em NHL 25 como atualização de meio de temporada, regressa aqui mais bem integrada. Há pequenos ajustes ao estilo de jogo para refletir melhor a realidade da liga, com partidas mais abertas e menos trabalho nas tabelas. Não é tão desenvolvida como a presença da WNBA em NBA 2K, mas já vai além de um simples extra.

Grafismo
Em termos visuais, NHL 26 mantém-se muito semelhante à edição anterior. As arenas continuam fiéis, as animações mais refinadas trazem maior autenticidade ao jogo, mas não há grandes alterações de apresentação. Pequenos pormenores, como a indicação da velocidade do remate ou da percentagem de eficácia de um jogador em determinada zona da baliza, adicionam algum sabor, mas fica a sensação de que a EA poderia investir mais na atmosfera dos pavilhões. A ausência de músicas licenciadas icónicas para cada equipa, algo que já foi feito no passado, continua a ser uma oportunidade perdida. No hóquei, o ambiente sonoro das arenas faz parte da identidade, e ver Madden apostar nisso enquanto NHL fica para trás é frustrante.

Som
O som mantém-se competente, mas pouco inspirado. A banda sonora é a habitual, com músicas energéticas para manter a vibração, mas nada que se destaque. O comentário da PWHL foi ajustado e representa melhor os jogos da liga feminina, o que é um ponto positivo. Ainda assim, falta aquele impacto sonoro que colocaria os jogadores mais dentro do espetáculo, especialmente em comparação com edições anteriores que apostavam mais na personalização sonora. O realismo das arenas não atinge o nível que poderia atingir com músicas licenciadas e ambientes específicos para cada equipa, algo que faria toda a diferença.

Conclusão
EA Sports NHL 26 é um jogo de hóquei excecional, que assenta na base sólida de NHL 25 e a refina. Para quem não jogou a edição anterior, esta nova entrada parecerá um grande avanço, graças sobretudo ao trabalho feito no sistema de guarda-redes e à maior profundidade do modo Be a Pro. Para veteranos anuais, no entanto, as novidades podem parecer mais próximas de um patch do que de uma nova edição completa.

O novo sistema ICE-Q 2.0 traz mais autenticidade, mas é nos guarda-redes que se sente a verdadeira mudança. O ataque precisa de ser reaprendido, e isso dá frescura ao jogo, tornando cada partida menos previsível. Be a Pro é mais envolvente, mesmo que ainda apresente inconsistências, e a presença mais desenvolvida da PWHL é um passo importante para a diversidade da série.

NHL 26 não é a revolução que muitos ainda esperam, mas é uma evolução sólida que mostra que a franquia caminha na direção certa. Não atinge os momentos de glória de edições históricas como NHL 04 ou NHL 14, mas aproxima-se desse patamar. Para fãs dedicados do hóquei no gelo, é um pacote robusto e divertido. Para quem já jogou NHL 25 de forma intensiva, talvez seja uma edição a ponderar com calma antes de investir.

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