Análise: Curse Rounds

Curse Rounds é um roguelike shooter visto de cima que se destaca pela sua mecânica central: a acumulação de maldições. À primeira vista, esta premissa levanta algumas dúvidas sobre como o jogo consegue manter um equilíbrio entre desafio e diversão. A ideia de que cada maldição aumenta a dificuldade poderia facilmente tornar a experiência frustrante, especialmente se cada ronda se tornasse progressivamente mais injusta. Felizmente, Curse Rounds consegue encontrar um equilíbrio interessante, oferecendo ao jogador escolhas estratégicas e momentos de alívio que evitam que o jogo se torne esmagador.

Apesar da sua simplicidade inicial, o jogo rapidamente demonstra que não está apenas interessado em castigar o jogador. A curva de dificuldade é justa, e mesmo quando as coisas começam a complicar-se, há sempre formas de recuperar e voltar à luta. Isto faz com que cada sessão tenha um ritmo equilibrado, misturando momentos de grande pressão com oportunidades de recuperação, mantendo o jogador motivado a tentar sempre mais uma ronda.

Jogabilidade

A base da jogabilidade de Curse Rounds assenta na sobrevivência em arenas pequenas, onde ondas de inimigos surgem constantemente. O jogador começa com 10 vidas, algo que garante uma margem razoável para erros e dá espaço para aprender as mecânicas. Cada três níveis, um boss aleatório aparece para testar as habilidades do jogador, criando uma sensação de progressão clara.

O elemento que diferencia Curse Rounds de outros shooters do género são as maldições. No final de cada nível, o jogador deve escolher entre duas maldições, sendo essencial optar pela que apresenta menos riscos imediatos. Estas maldições variam bastante, desde inimigos que se tornam mais rápidos e fortes, a armas que podem encravar, pisos escorregadios ou até inimigos que se duplicam ao causar dano. Algumas são geríveis, como ter de esperar cinco segundos no início de cada onda antes de disparar, mas outras podem complicar seriamente o jogo, como permitir que inimigos se multipliquem.

Ao longo das partidas, o jogo oferece recompensas para equilibrar o aumento de dificuldade, como vidas extra, escudos e armas mais poderosas. Esta gestão de risco e recompensa mantém a jogabilidade fresca e garante que, mesmo em situações complicadas, existe sempre uma possibilidade de recuperação.

Mundo e história

A narrativa de Curse Rounds é simples, mas cumpre o seu papel de contextualizar a ação. O jogador controla um herói de pele pálida que, durante uma sessão noturna de jogos, é atraído para o sótão de casa. Assim que entra, a porta fecha-se atrás dele e uma horda de criaturas bizarras começa a atacá-lo.

Os inimigos são um dos elementos mais criativos do jogo. Encontramos ratos que vomitam outros ratos, cogumelos tóxicos que explodem, touros que investem em linha reta, galinhas que largam bombas, crocodilos velozes, conchas de tartaruga que giram pelo cenário e até águas-vivas eletrificadas. Este leque diversificado dá ao jogo uma sensação de estranheza e humor negro que o distingue.

Não há uma narrativa profunda ou diálogos extensos, mas a atmosfera geral do jogo, combinada com os inimigos grotescos, cria uma história visualmente envolvente que motiva o jogador a avançar.

Grafismo

Curse Rounds apresenta um estilo visual minimalista em preto e branco, que consegue ser claro e funcional. Apesar da paleta monocromática, cada inimigo tem uma silhueta distinta, permitindo ao jogador identificá-los de imediato, algo essencial num jogo onde a velocidade de reação é crucial.

Os sprites são bem animados e cheios de personalidade, dando vida às criaturas de forma divertida e grotesca. Além disso, o jogo utiliza ícones grandes, como pontos de exclamação, para avisar quando inimigos estão prestes a aparecer, o que evita frustrações desnecessárias.

No entanto, existe um pequeno problema com a interface. Em algumas situações, inimigos podem aparecer por baixo do HUD, escondendo-se atrás da barra de vida. Isto pode levar o jogador a pensar que a onda terminou, apenas para descobrir, alguns segundos depois, que ainda resta um inimigo escondido. Embora não seja um defeito grave, é um pormenor que poderia ser corrigido.

Som

A banda sonora de Curse Rounds acompanha perfeitamente o estilo visual do jogo. Com batidas lo-fi que criam uma atmosfera tensa mas rítmica, a música nunca se torna cansativa, mesmo em sessões mais longas. Os efeitos sonoros também estão bem conseguidos, com cada inimigo a ter sons distintos que ajudam a identificar o tipo de ameaça presente.

O impacto das armas é satisfatório, especialmente as de disparo rápido, que transmitem uma sensação de poder quando se eliminam vários inimigos de uma só vez. Apesar da simplicidade geral, o design sonoro contribui significativamente para a imersão do jogador e reforça o tom sombrio mas humorístico do jogo.

Conclusão

Curse Rounds é uma agradável surpresa dentro do género roguelike shooter. A sua mecânica de maldições cria uma experiência dinâmica, onde cada escolha do jogador influencia diretamente a dificuldade da partida. O equilíbrio entre desafio e recompensa está bem conseguido, evitando frustrações e incentivando múltiplas tentativas.

Embora tenha alguns problemas menores, como inimigos que se escondem atrás do HUD e momentos em que a perda de várias vidas pode parecer injusta, estes detalhes não prejudicam a qualidade geral do jogo. O preço acessível torna-o ainda mais apelativo, especialmente considerando o cuidado colocado na animação dos inimigos e na banda sonora bem ajustada ao ambiente.

No final, Curse Rounds pode não oferecer modos adicionais ou uma narrativa profunda, mas aquilo que faz, faz muito bem. É um jogo compacto e viciante, perfeito para sessões curtas ou para aqueles momentos em que se procura algo desafiante mas equilibrado. Para quem aprecia roguelikes e shooters intensos, esta é uma escolha que vale a pena explorar.

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