Ao longo dos anos, Destiny construiu uma identidade muito própria enquanto looter shooter de ficção científica, sempre a meio caminho entre o épico espacial e uma certa falta de rumo narrativo. Destiny 2: Renegades surge num momento particularmente delicado para o jogo da Bungie, depois de mais de um ano em que o universo parece andar às voltas sobre si próprio, sem grandes avanços ou momentos verdadeiramente memoráveis. É neste contexto que a Bungie decide fazer algo que, à partida, parecia impensável: abraçar de forma quase descarada a comparação que tantos jogadores fazem há anos e criar uma expansão claramente inspirada em Star Wars, assumindo o tom, os clichés e a estética desse universo.
Renegades não é, de forma alguma, a expansão que vai revolucionar Destiny 2 ou resolver os seus problemas estruturais mais antigos. A progressão continua a ser desigual, o conteúdo é mais curto do que gostaríamos e a sensação de repetição continua bem presente. Ainda assim, há algo de refrescante nesta abordagem sem vergonha ao exagero, ao drama e ao lado mais “camp” da ficção científica espacial. É uma expansão que sabe exatamente o que quer ser, mesmo que isso signifique ser um pouco derivativa, um pouco absurda e, por vezes, até constrangedora.
Para quem anda afastado de Destiny 2 à espera de um regresso em grande, Renegades dificilmente será esse ponto de viragem. Mas para quem ainda gosta do loop de jogo, da recolha obsessiva de loot e do gunplay sólido da Bungie, ou simplesmente tem um fraquinho por sabres laser, vilões mascarados e planetas que parecem saídos de uma galáxia muito, muito distante, esta expansão consegue justificar algumas dezenas de horas bem passadas.
Jogabilidade
Em termos de jogabilidade, Destiny 2: Renegades não reinventa a roda, mas introduz algumas variações interessantes sobre fórmulas já conhecidas. O grande destaque é a nova actividade Lawless Frontier, que funciona como uma espécie de extraction shooter bastante simplificado. Em equipas de três jogadores, somos largados num dos três mapas disponíveis com uma série de objectivos relativamente simples: eliminar inimigos, transportar objectos, defender zonas específicas e, claro, recolher o máximo de loot possível antes de tentar extrair em segurança.
O twist está no facto de termos um número limitado de reanimações e um tempo finito para concluir a missão, o que cria alguma tensão, sobretudo nas primeiras horas. A isto junta-se a possibilidade de invasões por outros jogadores, que entram a solo na nossa sessão com o objectivo de matar membros da equipa e roubar loot. Na prática, este elemento PvP sente-se algo deslocado e pouco impactante, já que as penalizações são mínimas e o risco real é bastante baixo, tanto para quem invade como para quem é invadido.
Com o tempo, Lawless Frontier acaba por cair no problema clássico de Destiny: a repetição excessiva. Depois de conheceres bem os mapas, os eventos e os padrões dos inimigos, tudo se transforma num exercício mecânico de optimização. Ainda assim, a Bungie conseguiu tornar este grind mais apelativo através das recompensas, que são generosas, e da introdução das Renegade Abilities, habilidades especiais que podem ser activadas durante esta actividade.
Estas habilidades permitem, por exemplo, invocar zonas de cura, ataques aéreos devastadores ou até um enorme mecha inspirado nos AT-ST de Star Wars, conhecido como Behemoth. Este último é particularmente satisfatório de usar e consegue virar completamente o rumo de um confronto mais difícil. O problema é que estas habilidades estão limitadas à Lawless Frontier, o que torna frustrante regressar a outros modos e sentir que parte da diversão ficou para trás. No arsenal, Renegades introduz ainda dois elementos importantes: as Praxic Blades e as Heat Weapons. As primeiras são, na prática, sabres laser disfarçados, com novas animações, possibilidades de deflexão de tiros e ataques à distância. Não são radicalmente diferentes das espadas que já existiam, mas têm personalidade suficiente para se tornarem rapidamente um dos brinquedos favoritos desta expansão. As Heat Weapons, por outro lado, apostam num sistema sem recarregamentos tradicionais, substituídos por uma mecânica de sobreaquecimento. Na prática, é uma variação interessante que muda ligeiramente o ritmo do combate e encaixa bem no tom da expansão.

Mundo e história
A narrativa de Destiny 2: Renegades é, sem grandes rodeios, tão derivativa quanto previsível. Desde a primeira missão que fica claro que a Bungie decidiu recriar momentos icónicos de Star Wars quase sem filtros: compactadores de lixo, prisioneiros em criogenia, saltos para o hiperespaço e vilões mascarados com espadas de energia. Tudo está lá, muitas vezes de forma tão óbvia que oscila entre a homenagem divertida e o embaraço absoluto.
Ainda assim, há um certo charme nesta abordagem. Ao assumir o exagero e o dramatismo, Renegades acaba por se distinguir do tom mais sério e, por vezes, estagnado que Destiny tem vindo a adoptar. Personagens como Aunor, uma espécie de Jedi sem disfarces, ou Dredgen Bael, o antagonista de aura carregada e visual marcante, ajudam a dar alguma vida a uma história que, de outra forma, seria apenas funcional. O maior problema da narrativa está na sua duração e estrutura. A campanha principal é curta e claramente esticada através de missões secundárias e repetição da Lawless Frontier, que vão libertando pequenos fragmentos de história antes de cada missão “a sério”. Apesar de alguns momentos criativos, como a destruição de uma barcaça muito semelhante à de Jabba, o enredo pouco contribui para o arco narrativo maior de Destiny 2, funcionando quase como uma história paralela autocontida.
O final, ainda assim, é competente e oferece uma conclusão satisfatória para os personagens introduzidos, mesmo que deixe a sensação de que tudo isto poderia ter sido contado de forma mais concisa e impactante.
Grafismo
Visualmente, Destiny 2: Renegades é um misto de reaproveitamento inteligente e oportunidades perdidas. Os três mapas principais da Lawless Frontier são versões retrabalhadas de locais já conhecidos, agora adaptados à estética de Star Wars. Europa transforma-se num planeta gelado que remete imediatamente para Hoth, com bunkers congelados e canhões anti-aéreos. Marte assume o papel de Tatooine, com dunas e desfiladeiros, enquanto Vénus mistura pântanos e florestas que evocam Dagobah e Endor.
Estas reinterpretações são eficazes e agradáveis de explorar, especialmente para fãs do universo que serviu de inspiração. No entanto, o esforço não se estende de igual forma aos inimigos, que continuam a ser maioritariamente as mesmas facções de sempre, com pequenas alterações cosméticas, como armaduras brancas a lembrar stormtroopers. Falta aqui alguma criatividade adicional que ajudasse a reforçar a identidade desta expansão.
Os novos efeitos visuais associados às Praxic Blades, às habilidades especiais e aos veículos são, felizmente, bastante bem conseguidos. O Behemoth, em particular, é impressionante em termos de escala e animação, e ajuda a criar momentos verdadeiramente épicos durante os combates mais intensos.

Som
No departamento sonoro, Renegades é talvez onde a inspiração em Star Wars se faz sentir de forma mais clara e bem-sucedida. A banda sonora adopta uma abordagem claramente cinematográfica, com temas orquestrais grandiosos que remetem para o trabalho clássico de John Williams, sem nunca cair na cópia directa. Esta mudança de tom ajuda a dar mais peso emocional a momentos que, de outra forma, poderiam passar despercebidos.
Os efeitos sonoros das novas armas, especialmente das Heat Weapons, são um prazer para quem aprecia aquele clássico pew-pew dos blasters. As Praxic Blades também têm um impacto sonoro distinto e satisfatório, reforçando a sensação de poder e perigo associada a estas armas. A dobragem é competente, embora sofra com a repetição excessiva de falas durante a Lawless Frontier, algo que se torna rapidamente cansativo após várias horas de grind. Ainda assim, o trabalho de som contribui de forma decisiva para a identidade desta expansão.
Conclusão
Destiny 2: Renegades é uma expansão estranha, imperfeita e, em muitos momentos, descaradamente derivativa. Não resolve os problemas de fundo de Destiny 2, não oferece uma campanha memorável nem um volume de conteúdo particularmente generoso. Ainda assim, funciona melhor do que seria de esperar, precisamente porque abraça o exagero e oferece novas formas, ainda que limitadas, de brincar com o sandbox do jogo.
As novas actividades, habilidades e armas conseguem refrescar temporariamente a experiência, e o dungeon Equilibrium destaca-se como um dos pontos altos, mantendo o excelente nível de design que a Bungie costuma reservar para este tipo de conteúdo endgame. O problema é que tudo sabe a pouco e termina demasiado depressa.
No final, Renegades é uma lufada de ar fresco curta e pouco profunda, mas ainda assim agradável. Não é uma expansão essencial, nem um novo começo para Destiny 2, mas é uma forma divertida de passar tempo num universo que precisava desesperadamente de mudar de tom, nem que fosse apenas por umas quantas horas numa galáxia emprestada.