Dynasty Warriors: Origins marcou um ponto de viragem para a série da Omega Force, ao apostar numa abordagem mais narrativa e num sistema de progressão com fortes elementos de RPG. Longe de ser apenas mais um episódio numerado, Origins apresentou-se como a base de uma nova fase da franquia, mais focada na construção de personagens e no envolvimento emocional do jogador com os acontecimentos da era dos Três Reinos. Quase um ano após o lançamento, a Koei Tecmo regressa a este universo com o DLC Visions of Four Heroes, uma expansão narrativa que explora cenários alternativos centrados em quatro figuras históricas: Zhang Jiao, Dong Zhuo, Yuan Shao e Lu Bu.
A proposta é clara desde o início: apresentar histórias do tipo “e se”, imaginando o que teria acontecido caso estas personagens não tivessem sucumbido aos seus piores instintos. Trata-se de uma espécie de fanfiction elaborada, onde vemos versões idealizadas destes líderes, capazes de desbloquear todo o seu potencial como heróis. O resultado é uma expansão que, apesar de isolada da campanha principal, tenta aprofundar a psicologia destas figuras históricas e oferecer ao jogador novas perspetivas sobre acontecimentos já conhecidos.
Jogabilidade
O acesso ao DLC é feito a partir da estalagem no jogo base, com cada arco narrativo completamente separado da campanha principal e dos restantes capítulos da expansão. No entanto, todo o progresso do jogador é mantido: nível, estatísticas, armas, itens e habilidades transitam livremente para estas novas histórias. Ao contrário da campanha base, não existem ramificações narrativas; cada arco é linear, conduzindo o jogador de batalha em batalha sem grandes desvios.
O primeiro capítulo é obrigatoriamente o de Zhang Jiao, focado na rebelião dos Turbantes Amarelos. Só depois de concluído é possível escolher entre as campanhas de Dong Zhuo, Yuan Shao ou Lu Bu. A história começa no mesmo local onde, no jogo base, Ziluan enfrenta Zhang Jiao pela última vez. Desta vez, no entanto, o protagonista surge misteriosamente para o ajudar, alterando completamente o rumo dos acontecimentos.
Apesar de não existirem mapas completamente novos, os cenários regressam com variações interessantes, como diferentes condições climatéricas, horários e disposições inimigas. Todos os níveis escalam dinamicamente com o nível do jogador, o que impede que personagens de alto nível passem por tudo sem resistência. Mesmo com uma personagem de nível elevado e a dificuldade máxima ativada, a sensação de desafio mantém-se constante.
Uma das grandes forças do DLC está no ritmo. A filosofia “all killer, no filler” é levada a sério, com uma sucessão quase ininterrupta de batalhas. Como Ziluan alia-se temporariamente a figuras tradicionalmente vistas como vilões, os confrontos colocam frequentemente o jogador frente a frente com oficiais poderosos das facções Wei, Wu e Shu, garantindo encontros intensos e memoráveis.

Mundo e história
Narrativamente, Visions of Four Heroes aposta em estudos de personagem. Cada arco apresenta uma versão alternativa de líderes conhecidos pelas suas falhas e excessos, mostrando como poderiam ter sido se tivessem feito escolhas diferentes. Zhang Jiao surge como um líder mais equilibrado, Dong Zhuo revela um lado menos tirânico, Yuan Shao é apresentado com maior determinação estratégica e Lu Bu ganha profundidade emocional.
Embora a abordagem seja interessante, não deixa de se sentir que estas histórias são algo artificiais. A natureza isolada de cada campanha impede grandes repercussões no mundo global de Origins, e tudo se passa numa espécie de bolha narrativa. Ainda assim, para quem conhece bem o Romance dos Três Reinos, estes cenários alternativos oferecem momentos curiosos e até emotivos, ao brincar com expectativas já estabelecidas.
A ausência do mapa-mundo tradicional do jogo base é compensada por um novo sistema chamado Strategic Battles. Aqui, o jogador entra num tabuleiro estratégico onde grupos de aliados e inimigos se enfrentam. Cada grupo tem uma barra de vida e um valor numérico que representa a sua força total. O objetivo é reduzir ao máximo a força inimiga antes que o limite de turnos seja atingido, momento em que se inicia a batalha final.
Este sistema funciona de forma simples: Ziluan enfrenta pequenos grupos inimigos em escaramuças e, ao vencê-los, reduz a sua vida a zero. Depois disso, é a vez do inimigo, que ataca grupos aliados próximos. Embora seja um conceito interessante, a execução é algo básica e poderia ser mais aprofundada numa futura sequela.
Grafismo
Visualmente, o DLC mantém o padrão elevado de Origins. Os modelos de personagens continuam detalhados, com armaduras e trajes cheios de pormenores, e as animações de combate são fluidas e impactantes. Apesar da reutilização de mapas, as variações de iluminação e clima ajudam a dar alguma frescura aos cenários já conhecidos.
As batalhas de grande escala continuam a ser impressionantes, com centenas de soldados no ecrã, criando autênticos mares de inimigos. O motor gráfico aguenta bem esta carga, mantendo uma taxa de fotogramas estável na maioria das situações. Os confrontos finais de alguns arcos são particularmente épicos, com composições visuais dignas de um clímax cinematográfico.
Não há grandes novidades técnicas face ao jogo base, mas também não era necessário reinventar a roda. O DLC aposta na consistência visual e entrega exatamente aquilo que os fãs esperam de um Dynasty Warriors moderno: caos controlado, efeitos vistosos e uma sensação constante de poder no campo de batalha.

Som
A componente sonora continua a ser um dos pontos fortes da série. A banda sonora mistura temas épicos com instrumentos tradicionais chineses, criando uma atmosfera que encaixa perfeitamente no contexto histórico. Cada batalha é acompanhada por músicas intensas que ajudam a elevar a adrenalina do jogador.
Os efeitos sonoros das armas, dos gritos de guerra e dos impactos são satisfatórios e contribuem para a sensação de escala dos combates. As vozes das personagens, tanto em japonês como noutras opções de idioma, mantêm um bom nível de qualidade, transmitindo emoção e personalidade a cada líder.
Embora não existam faixas completamente novas em grande quantidade, a seleção musical continua forte e adequada a cada momento, seja em confrontos mais íntimos ou em batalhas de exércitos massivos.
Conclusão
Visions of Four Heroes é um DLC que entende perfeitamente o que fez Dynasty Warriors: Origins destacar-se. A aposta em batalhas constantes, em confrontos de larga escala e em momentos épicos está bem presente ao longo de toda a expansão. O ritmo acelerado garante que raramente existe tempo morto, mantendo o jogador sempre envolvido na ação.
As histórias alternativas são interessantes, apesar de algo superficiais, funcionando mais como exercícios de imaginação do que como narrativas profundas. Ainda assim, para fãs do período dos Três Reinos, estas versões idealizadas de figuras históricas conhecidas têm o seu charme e oferecem momentos inesperados.
As novidades jogáveis, como as novas armas e o sistema de Strategic Battles, acrescentam alguma variedade, mesmo que a sua implementação seja algo limitada. No geral, trata-se de uma expansão sólida, que não revoluciona a experiência, mas a complementa de forma eficaz. Para quem gostou de Origins, Visions of Four Heroes é uma desculpa perfeita para regressar ao campo de batalha e reviver o caos glorioso da série.