Log Away é um daqueles jogos que aparecem quase como um antídoto para o ritmo acelerado do dia a dia. Desenvolvido e publicado pela The-Mark Entertainment, apresenta-se como um jogo de construção acolhedor, focado na criação de cabanas de madeira em locais isolados e visualmente deslumbrantes. A proposta é simples e assumida: afastar o jogador do stress, da pressão dos objectivos tradicionais e da necessidade constante de optimização, oferecendo um espaço digital onde é possível construir, decorar e contemplar. Tudo isto, ironicamente, a partir de um PC cheio de luzes RGB, rodeado de tecnologia, enquanto o jogo nos convida a desligar mentalmente da civilização.
Não há aqui ambições de simulação profunda nem de gestão complexa. Log Away quer ser uma experiência relaxante, quase meditativa, em que o processo importa mais do que o resultado final. É um jogo pensado para quem aprecia criar espaços virtuais, tirar capturas de ecrã e imaginar uma vida mais simples no meio da natureza. E, dentro dessa filosofia, consegue cumprir grande parte do que promete.
Jogabilidade
A base da jogabilidade de Log Away assenta na construção da cabana. Tudo começa com a colocação do chão, seguido das paredes e da escolha do telhado. Este processo é bastante intuitivo e rápido de compreender, mesmo para quem não tem grande experiência em jogos de construção. Existe uma grelha definida onde a cabana pode ser erguida, o que impõe alguns limites estruturais, mas dentro desse espaço o jogador tem bastante liberdade para experimentar.
Depois da estrutura montada, entra em cena a decoração. Mesas, cadeiras, lareiras, cortinas, estantes, pequenos objectos decorativos e até animais de estimação podem ser colocados tanto no interior como no exterior da cabana. Cada local e cada hobby escolhido no início influenciam os objectos disponíveis, dando alguma identidade às diferentes construções. É possível criar um refúgio de escritor, uma cabana de montanha mais rústica ou um espaço mais virado para actividades artísticas, por exemplo.
Os controlos funcionam bem e raramente se tornam um obstáculo à criatividade. No entanto, a ausência de uma referência rápida aos comandos pode ser frustrante. Sempre que surge uma dúvida, é necessário entrar no menu de pausa e navegar por uma quantidade excessiva de tutoriais, o que quebra um pouco o ritmo relaxante que o jogo tenta manter.
Existe também um sistema de progressão assente nos chamados Cozy Points. Ao construir e decorar a cabana, o jogador ganha pontos, especialmente quando os objectos escolhidos combinam entre si ou com o tema seleccionado. No entanto, encher o espaço com demasiados itens acaba por reduzir o valor dos pontos, incentivando a variedade e alguma contenção. Este sistema funciona mais como um empurrão subtil do que como uma obrigação. Pode ser praticamente ignorado, mas está lá para dar um pequeno objectivo a quem sentir necessidade de algo mais do que simplesmente construir por prazer.

Mundo e história
Log Away não tem uma narrativa tradicional nem tenta contar uma história estruturada. Em vez disso, aposta numa sensação de contexto e introspecção. Os cenários representam locais afastados da civilização, inspirados em paisagens que muitos sonham visitar ao longo da vida. Montanhas, florestas e espaços naturais servem de pano de fundo às cabanas que vamos criando, reforçando a ideia de isolamento e tranquilidade.
A única ligação mais directa a uma espécie de narrativa surge através dos Keepsakes, objectos especiais que podem ser desbloqueados ao maximizar os Cozy Points. Estes itens estão associados ao hobby escolhido e alguns incluem pequenas descrições ou histórias pessoais. Pode ser uma fotografia assinada de um cantor favorito, um objecto herdado ou algo com valor sentimental. Não contam uma história linear, mas ajudam a criar uma sensação de identidade para a cabana e para a pessoa imaginária que a habita. No entanto, para quem procura uma experiência narrativa mais envolvente, Log Away pode saber a pouco. O jogo vive muito mais da atmosfera e da imaginação do jogador do que de acontecimentos concretos. É um espaço para projectar ideias e sentimentos, não para seguir um enredo definido.
Grafismo
Visualmente, Log Away aposta num estilo limpo e acolhedor, com cores suaves e uma iluminação que valoriza os ambientes naturais. Os cenários são agradáveis de observar e funcionam muito bem como pano de fundo para capturas de ecrã, algo claramente incentivado pelas opções de fotografia disponíveis no jogo.
As cabanas, vistas à distância ou no seu conjunto, têm um bom aspecto e transmitem a sensação de conforto que o jogo pretende. No entanto, quando se passa para o detalhe, surgem alguns problemas. Objectos mais pequenos, como caixas ou certos elementos decorativos, apresentam texturas bastante desfocadas, mesmo com a qualidade definida para níveis médios. Isto torna difícil perceber exactamente o que alguns itens representam, o que pode ser frustrante para quem gosta de uma decoração cuidada e coerente. Em termos de performance, a experiência é algo inconsistente. Em determinadas situações, como ao clicar acidentalmente fora da janela do jogo, a taxa de fotogramas pode cair de forma abrupta. A ausência de bloqueio do cursor em sistemas com mais do que um monitor também se revela incómoda, especialmente em ecrã inteiro. Felizmente, os tempos de carregamento são bastante rápidos, o que ajuda a atenuar alguns destes problemas técnicos.

Som
O trabalho sonoro de Log Away é discreto, mas eficaz. A banda sonora acompanha o tom relaxante do jogo, com temas suaves que nunca se impõem em demasia. Funciona mais como um pano de fundo do que como um elemento central da experiência, o que está perfeitamente alinhado com a filosofia do jogo. Os sons ambientes, como o vento, a natureza envolvente ou o crepitar da lareira, contribuem para a sensação de isolamento e conforto. Não há grande variedade sonora, mas também não é algo que se torne repetitivo ou cansativo. É um design sonoro funcional, pensado para não distrair nem quebrar o estado de tranquilidade.
Conclusão
Log Away é um jogo pequeno, consciente das suas limitações e muito claro nas suas intenções. Não pretende competir com grandes simuladores de construção nem oferecer dezenas de horas de conteúdo estruturado. Em vez disso, apresenta-se como um espaço digital para relaxar, criar e imaginar uma vida mais simples longe da cidade.
Tem problemas técnicos que não podem ser ignorados, desde quedas de desempenho a questões de interface e qualidade de texturas. No entanto, nada disso destrói completamente a experiência, especialmente se o jogo for abordado de forma casual e sem grandes expectativas. É o tipo de jogo ideal para sessões curtas, para tirar algumas capturas de ecrã bonitas e para sonhar com uma escapadinha ao meio da natureza. Log Away não vai substituir uma verdadeira ida para uma cabana no meio do bosque, mas enquanto isso não acontece, é uma alternativa simpática e relaxante. Jogado com moderação, consegue cumprir o seu papel e oferecer alguns momentos de calma num meio que raramente abranda.