Riddlewood Manor é um jogo de apontar e clicar desenvolvido e publicado pelo pequeno estúdio independente Peanut Button Studio. A sua chegada ao Steam está marcada para 22 de outubro de 2025, uma data escolhida a dedo para coincidir com o Halloween — e com razão. A sua mistura de terror e comédia, protagonizada por uma boneca possuída, promete proporcionar uma experiência assustadora, mas também divertida. O jogo aposta fortemente numa estética clássica e num design que recorda os grandes títulos do género point-and-click, ao mesmo tempo que introduz elementos de escape room para oferecer algo mais moderno e desafiante.
Desde o primeiro momento, Riddlewood Manor chama a atenção pela sua atmosfera sinistra e misteriosa. A mansão da família Riddlewood é o coração da aventura, e é também o espaço onde o jogador irá passar praticamente todo o tempo, explorando, observando e, acima de tudo, tentando decifrar enigmas que escondem a verdade sobre o que aconteceu aos seus antigos habitantes. A história é contada através de pequenos fragmentos — objetos, notas, gravações — que vamos descobrindo enquanto tentamos sobreviver à presença inquietante de Suzie, a boneca demoníaca que parece controlar tudo dentro da casa.
Jogabilidade
Riddlewood Manor combina o melhor do clássico apontar e clicar com a estrutura de um escape room. Cada divisão da mansão funciona como uma sala independente com puzzles próprios, e apenas ao resolvê-los conseguimos avançar. Esta abordagem cria uma sensação constante de progressão, mas também de confinamento, já que cada sala se torna um pequeno desafio fechado, que exige atenção e raciocínio.
Os puzzles são variados e desafiam o jogador a pensar de forma lógica e criativa. Há quebra-cabeças tradicionais, como o inevitável Torre de Hanói, e outros mais originais que misturam mecânicas de observação e manipulação de objetos. Muitos obrigam a voltar atrás e procurar pistas noutras divisões, o que reforça a ideia de que tudo está interligado. No entanto, esse mesmo sistema pode tornar-se frustrante, pois o jogo não é linear e, por vezes, é necessário repetir partes já resolvidas.
Um dos elementos mais punitivos é a forma como o jogo lida com os erros. Uma simples interação errada pode resultar na morte do jogador, obrigando a repetir toda a sala desde o início. Curiosamente, esta mecânica também serve como um método de reinício — quando nos apercebemos de que não temos as pistas certas, morrer é a forma mais rápida de começar de novo. Esta escolha dá ao jogo um toque de humor negro, mas também pode afastar jogadores menos pacientes.
Apesar das falhas, a estrutura de puzzles mantém-se sólida e recompensadora. O uso de papel e caneta, tão comum nos clássicos do género, volta a ser essencial. Tomar notas, desenhar padrões e registar números torna-se parte da experiência, algo que contribui para o charme nostálgico de Riddlewood Manor.

Mundo e história
A narrativa gira em torno da família Riddlewood e dos segredos que a sua mansão guarda. O jogador assume o papel de um investigador que tenta descobrir o que aconteceu à pequena Emily e compreender a verdadeira natureza da boneca Suzie, aparentemente possuída por uma força maligna. Ao longo da exploração, vamos descobrindo fragmentos da vida da família, revelando uma história de tristeza, obsessão e pactos sombrios.
A mansão é dividida em múltiplas divisões, cada uma com a sua própria temática e atmosfera. Desde o quarto de Emily, coberto de brinquedos e memórias perturbadoras, até ao sótão repleto de objetos antigos e símbolos ocultos, cada cenário acrescenta uma nova camada de mistério. O design das salas faz um excelente trabalho em contar pequenas histórias visuais sem depender excessivamente de diálogos ou cutscenes.
A relação entre horror e comédia também é bem explorada. Há sustos, mas há igualmente um tom leve que impede o jogo de se tornar demasiado pesado. A boneca Suzie, por exemplo, alterna entre momentos genuinamente assustadores e outros em que a sua presença é quase caricatural. Essa dualidade dá identidade ao jogo e impede que ele se leve demasiado a sério.
Grafismo
Visualmente, Riddlewood Manor aposta num estilo detalhado e expressivo. Os ambientes são ricos em textura, com iluminação cuidadosamente trabalhada para criar uma sensação de tensão constante. Cada divisão da mansão é decorada com um nível de detalhe que encoraja a observação minuciosa, o que é fundamental num jogo em que cada objeto pode conter uma pista vital.
A direção artística equilibra bem o grotesco e o humor. As animações são simples, mas eficazes, e as expressões dos objetos e personagens conseguem transmitir tanto medo como ironia. Há um charme particular no contraste entre o ambiente sombrio e os pequenos toques de humor visual espalhados pelas salas — elementos que reforçam a natureza dual do jogo.
As cores escuras e a luz de velas dominam a paleta, criando uma atmosfera opressiva, mas nunca demasiado realista. A intenção é claramente estilizada, o que combina com o tom mais leve do terror que o estúdio quis transmitir. Ainda assim, há momentos em que os efeitos visuais — especialmente nos sustos — conseguem surpreender e causar desconforto genuíno.

Som
O som desempenha um papel essencial em Riddlewood Manor. A banda sonora mistura melodias melancólicas com sons ambientais inquietantes, criando um ambiente imersivo. O ranger do chão de madeira, os sussurros ao longe e os risos distorcidos de Suzie são elementos que mantêm o jogador constantemente em alerta.
Os efeitos sonoros são usados com inteligência, sobretudo nos momentos em que o jogo tenta induzir tensão sem recorrer a sustos fáceis. Quando o faz, no entanto, os jump scares são eficazes — e, para quem prefere evitá-los, há a possibilidade de ativar avisos. Este detalhe mostra que os desenvolvedores tiveram em conta diferentes sensibilidades, algo raro em títulos independentes deste género.
O silêncio também é utilizado de forma estratégica. Há longos períodos em que a ausência de música aumenta o peso do momento, fazendo com que o som repentino de um objeto ou um murmúrio se tornem ainda mais impactantes. O resultado é uma experiência sonora que, embora simples, é extremamente bem dirigida.
Conclusão
Riddlewood Manor é uma carta de amor aos clássicos point-and-click, mas com um toque moderno que o torna relevante para os dias de hoje. A sua fusão de mecânicas de escape room e de puzzles complexos cria uma experiência que exige atenção, paciência e espírito investigativo.
Apesar de algumas falhas — como o backtracking forçado e a ausência de um sistema de ajuda —, o jogo compensa com uma atmosfera envolvente, puzzles bem construídos e um equilíbrio interessante entre humor e terror. É o tipo de jogo que recompensa a perseverança, e cada pequeno progresso dá uma sensação de conquista genuína.
Os fãs de mistério e de desafios cerebrais vão sentir-se em casa dentro das paredes de Riddlewood Manor. A experiência pode ser frustrante em certos momentos, mas o sentimento de satisfação ao resolver um puzzle difícil compensa amplamente as repetições.
No fim, Riddlewood Manor é mais do que um jogo de terror com puzzles — é um tributo à paciência e à curiosidade, um lembrete de que o verdadeiro prazer está em descobrir, falhar, tentar novamente e, finalmente, compreender. É uma experiência que, embora imperfeita, demonstra um cuidado e um amor pelo género raramente vistos.