The Curse of Rigel é o mais recente DLC para Wartales, trazendo uma nova região, novas mecânicas e uma atmosfera muito mais sombria do que aquilo a que o jogo base nos habituou. Situado nas profundezas das montanhas de Alazar, o Condado de Rigel apresenta-se como um vale isolado, coberto por uma floresta ancestral conhecida como Weald, onde a luz do sol mal consegue penetrar. Desde os primeiros momentos, o DLC deixa claro que estamos perante uma zona marcada pelo medo, pela superstição e por uma ameaça que vai muito além de simples bandidos ou monstros comuns.
A história começa com relatos de ataques estranhos, aldeões despedaçados, caçadores que nunca regressam e uivos que ecoam noite dentro. O próprio rei envia os seus cavaleiros para tentar conter a ameaça, mas rapidamente se percebe que o problema é mais profundo do que parecia à primeira vista. É aqui que entra o nosso grupo de mercenários, chamado a juntar-se à campanha para investigar a origem do terror, purificar a terra corrompida e enfrentar a escuridão que cresce no coração da floresta.
Este DLC posiciona-se claramente como uma expansão de peso, ao nível de Pirates of Belarion ou Skelmar Invasion, oferecendo uma nova zona jogável e conteúdos que enriquecem a experiência base. Não se trata apenas de mais algumas missões, mas de uma região inteira com identidade própria, novos inimigos, uma classe inédita e mecânicas que reforçam a vertente de sobrevivência e exploração que define Wartales.
Jogabilidade
Em termos de jogabilidade, The Curse of Rigel aposta fortemente na exploração da Weald, uma floresta labiríntica onde nada é exatamente como parece. Os caminhos mudam, a bússola falha e a sensação de desorientação é constante. Esta escolha de design resulta numa experiência mais tensa, obrigando o jogador a prestar atenção ao ambiente e a gerir melhor os seus recursos, especialmente a luz.
Aqui, a lanterna assume um papel central. A luz é literalmente vida, funcionando como uma ferramenta essencial para atravessar a floresta, revelar pistas e afastar parcialmente a escuridão. Quanto mais fundo avançamos, mais sentimos a pressão do ambiente, com efeitos psicológicos a manifestarem-se nos membros do grupo. Sussurros, sombras ao longe e visões estranhas contribuem para uma sensação constante de ameaça.
Os combates também refletem esta atmosfera. Os inimigos que surgem da floresta não são simples criaturas selvagens, mas seres corrompidos, outrora humanos, agora distorcidos pela influência do Weald. Cada confronto é intenso e exige planeamento, especialmente em dificuldades mais elevadas. Apesar disso, para jogadores com grupos já muito evoluídos, o desafio acaba por ser relativamente acessível, algo que poderá desapontar quem esperava uma prova à altura de mercenários veteranos.
Uma das grandes novidades é o sistema de enxertos, poderes obtidos a partir das criaturas corrompidas. Estes enxertos oferecem bónus interessantes, mas também trazem riscos, obrigando o jogador a decidir se quer abraçar esse poder ou resistir à sua influência. Esta mecânica reforça o tema central do DLC: o equilíbrio entre humanidade e bestialidade.

Mundo e história
Narrativamente, The Curse of Rigel é bastante competente. O Condado de Rigel é apresentado como uma terra isolada, onde a população vive em constante medo da floresta. As histórias locais, os diálogos e as pequenas missões secundárias ajudam a construir um retrato credível de uma região à beira do colapso.
A Weald funciona quase como uma entidade viva, respirando, observando e manipulando quem ousa entrar. A floresta não é apenas um cenário, mas uma força ativa que influencia os acontecimentos. Ao longo da campanha, vamos descobrindo mais sobre a origem da corrupção, as experiências falhadas e os segredos enterrados nas profundezas da mata. Um dos aspetos mais interessantes é a forma como o DLC explora a transformação dos humanos em criaturas corrompidas. Estes inimigos não são monstros genéricos, mas pessoas que sucumbiram à influência da floresta. Isso dá um peso emocional adicional aos combates, sobretudo quando surgem referências ao passado dessas personagens.
A progressão da história é relativamente linear, mas bem ritmada. Em duas ou três noites de jogo é possível concluir praticamente todo o conteúdo principal, o que deixa uma sensação agridoce. A narrativa é boa, mas termina demasiado depressa, deixando espaço para mais desenvolvimento e desafios adicionais.
Grafismo
Visualmente, The Curse of Rigel destaca-se pela sua atmosfera opressiva. A floresta é densa, escura e cheia de detalhes. As árvores retorcidas, a vegetação espessa e a iluminação reduzida criam um ambiente claustrofóbico que combina perfeitamente com o tom do DLC. Os efeitos de luz são particularmente bem conseguidos. O contraste entre a escuridão quase total e o brilho frágil da lanterna reforça a sensação de vulnerabilidade. Em vários momentos, a iluminação não serve apenas um propósito estético, mas também mecânico, ajudando a revelar perigos ou caminhos escondidos.
Os novos inimigos apresentam designs interessantes, misturando elementos humanos com deformações grotescas. Estes detalhes visuais ajudam a transmitir a ideia de corrupção e decadência. Também a nova classe, o Thaumaturge, tem um visual distinto, com equipamento que mistura ciência e alquimia, reforçando a sua identidade única.
Apesar de tudo isto, nota-se que o DLC reutiliza muitos dos assets do jogo base, algo compreensível, mas que limita um pouco a sensação de novidade. Ainda assim, a forma como são combinados e apresentados garante uma experiência visual sólida e coerente.

Som
O trabalho sonoro é outro dos pontos fortes desta expansão. A banda sonora aposta em temas ambientais, discretos, mas eficazes, que aumentam a tensão durante a exploração. Em vez de músicas épicas, temos sons subtis, quase impercetíveis, que reforçam a sensação de isolamento.
Os efeitos sonoros da floresta são particularmente bem conseguidos. Ramos a partir, folhas a mexer, uivos distantes e sussurros indefinidos criam uma paisagem sonora inquietante. Muitas vezes, é difícil distinguir o que é apenas ambiente do que pode ser uma ameaça real, o que contribui para a imersão.
Nos combates, o som mantém-se consistente, com golpes, gritos e habilidades a terem impacto suficiente sem se tornarem exagerados. O Thaumaturge, em particular, beneficia de efeitos sonoros únicos associados às suas poções e fumos, o que ajuda a diferenciar as suas ações das restantes classes.
Embora não seja memorável ao nível de algumas bandas sonoras icónicas, o som em The Curse of Rigel cumpre perfeitamente o seu papel, reforçando o tom sombrio e a identidade da nova região.
Conclusão
The Curse of Rigel é um DLC competente e recomendável para fãs de Wartales. Traz uma nova região interessante, uma atmosfera marcante, uma classe inédita e mecânicas que encaixam bem no universo do jogo. Está claramente acima de expansões mais fracas como The Fief, aproximando-se da qualidade de Skelmar Invasion e Pirates of Belarion.
No entanto, não é perfeito. O principal problema é a quantidade de conteúdo. Para jogadores com grupos já no auge do seu poder, o desafio é limitado e o DLC pode ser concluído em poucas sessões. Numa altura em que muitos jogadores têm equipas extremamente fortes, seria desejável um nível de dificuldade mais elevado ou conteúdos adicionais de endgame.
Ainda assim, para quem está a começar o jogo ou a progredir de forma mais natural, este DLC encaixa muito bem, especialmente se for jogado em conjunto com outras expansões. A história é interessante, o ambiente é excelente e as novidades justificam o investimento.
Em suma, The Curse of Rigel não revoluciona Wartales, mas melhora-o. É uma expansão sólida, com identidade própria, que reforça os pontos fortes do jogo base e oferece algumas horas de exploração tensa e envolvente. Para os fãs, é uma adição quase obrigatória, mesmo que fique a sensação de que poderia ter ido um pouco mais longe.