Rightfully, Beary Arms é um daqueles jogos que conquista logo nos primeiros minutos, não tanto pela complexidade das suas mecânicas, mas pela forma como mistura caos absoluto com uma apresentação deliciosamente inesperada. Controlar um ursinho de peluche armado até aos dentes, a dizimar hordas de inimigos num ritmo frenético, é uma premissa que parece saída de uma brincadeira, mas que rapidamente se revela surpreendentemente eficaz. Desenvolvido pela Daylight Basement Studio LLC, o jogo aposta no género bullet hell roguelike sem grandes rodeios, atirando o jogador diretamente para o meio da ação, sem tutoriais extensos ou mãos dadas. Aqui aprende-se a jogar jogando, errando e, sobretudo, morrendo muitas vezes.
Jogabilidade
A jogabilidade é o verdadeiro coração de Rightfully, Beary Arms. Assumimos o controlo de Beary, um pequeno urso que se move com fluidez num campo de batalha constantemente preenchido por inimigos. A movimentação é simples e imediata, baseada no clássico esquema WASD, enquanto o rato é utilizado tanto para disparar como para executar o dash, uma habilidade essencial para escapar a situações mais apertadas. Esta combinação cria um ritmo muito próprio, quase dançável, em que o jogador está sempre em movimento, a disparar em todas as direções enquanto tenta evitar projéteis e inimigos.
O arsenal disponível é um dos grandes destaques. As armas são variadas, criativas e, por vezes, absurdas, indo desde uma Catling Gun, que é literalmente um gato a disparar lasers arco-íris, até réplicas de espingardas históricas como a Mosin Nagant soviética. Cada arma tem características próprias, padrões de disparo distintos e uma curva de aprendizagem própria, obrigando o jogador a adaptar constantemente a sua forma de jogar. À medida que se progride, desbloqueiam-se mais slots de armas, permitindo alternar rapidamente entre elas através da tecla TAB, o que adiciona uma camada estratégica interessante ao caos constante.
Curiosamente, o jogo adapta a dificuldade ao desempenho do jogador. Quanto melhor jogamos, mais exigentes se tornam os inimigos, algo que, em vez de frustrar, acaba por tornar a experiência ainda mais divertida. Morre-se muito, como é típico no género, mas cada tentativa deixa a sensação de que se poderia ter feito melhor, incentivando imediatamente a mais uma run.

Mundo e história
Rightfully, Beary Arms não é um jogo particularmente focado na narrativa, mas isso não significa que não exista um enquadramento interessante. A história é apresentada de forma simples e direta, quase como uma desculpa para justificar o caos que se segue. Beary é arrastado para um conflito onde tem de lutar pela sobrevivência, enfrentando vagas intermináveis de inimigos num mundo que mistura o absurdo com o sombrio.
Não há longos diálogos nem cutscenes elaboradas, mas o jogo consegue criar identidade através do seu tom e da sua estética. A ideia de um ursinho fofo a empunhar armas de fogo pesadas cria um contraste constante entre o visual inocente e a violência extrema da ação, algo que acaba por definir o seu carácter. É um mundo que não se leva demasiado a sério, mas que sabe exatamente o que quer ser.
Grafismo
O grafismo em pixel art é outro dos pontos fortes do jogo. Existe aqui uma clara paixão por este estilo visual, com sprites bem trabalhados, animações fluidas e uma paleta de cores que equilibra tons escuros com explosões de cor vibrante. Cada arma tem efeitos visuais distintos, com projéteis luminosos e partículas que ajudam não só a tornar a ação mais espetacular, mas também a informar o jogador sobre o que está a acontecer no ecrã.
A interface segue o mesmo estilo pixelizado, reforçando a sensação retro que tanto agrada a quem aprecia este tipo de apresentação. Apesar do ecrã estar frequentemente cheio de inimigos e balas, a leitura da ação mantém-se clara na maioria das situações, algo essencial num bullet hell. Ainda assim, existem pequenos soluços de performance ocasionais, sobretudo quando o número de inimigos e efeitos visuais atinge o pico, mas nada que comprometa seriamente a experiência.

Som
O som acompanha muito bem o ritmo frenético do jogo. Logo no menu inicial somos recebidos por uma faixa com um toque retro elétrico que convida a ficar a ouvir antes mesmo de começar a jogar. Esta identidade musical mantém-se durante o jogo, com temas que reforçam a intensidade da ação sem se tornarem cansativos.
Os efeitos sonoros das armas são particularmente satisfatórios, variando consoante o tipo de armamento utilizado. Cada disparo transmite peso e impacto, algo fundamental num jogo onde disparar é praticamente tudo o que fazemos. Mesmo o dash e outros efeitos sonoros menores contribuem para uma experiência auditiva coesa e envolvente.
Conclusão
Rightfully, Beary Arms é um excelente exemplo de como uma ideia aparentemente simples pode resultar num jogo altamente viciante quando bem executada. A combinação de ação constante, controlos responsivos, armas criativas e uma estética pixel art cheia de personalidade faz com que cada sessão de jogo seja intensa e divertida. Não é um título que procure reinventar o género, mas é um que entende perfeitamente o que torna os bullet hell roguelike tão apelativos.
Apesar de alguns pequenos problemas de performance, o balanço é claramente positivo. É um jogo que sabe rir-se de si próprio, que não perde tempo com explicações desnecessárias e que recompensa a persistência do jogador com momentos de puro caos controlado. Para quem gosta de ação sem pausas, hordas de inimigos e um toque de absurdo bem-humorado, Rightfully, Beary Arms é uma recomendação fácil.