Lost in Fantaland é um jogo que mistura elementos de roguelite, construção de baralhos e estratégia por turnos, disponível na Nintendo Switch. Desenvolvido pela Supernature Studio e publicado pela Game Source Entertainment, o jogo coloca-nos no papel de um herói vindo de outro mundo, transportado para Fantaland por uma entidade misteriosa. Aqui, somos vistos como a última esperança de salvar este reino. Com um mundo gerado de forma aleatória em cada campanha e três classes distintas à escolha, Lost in Fantaland aposta em combinações de cartas, movimentação tática em grelha e gestão de recursos durante o combate. A sua proposta é simples de compreender, mas profunda o suficiente para recompensar experimentação e aprendizagem ao longo de várias tentativas.
Jogabilidade
A jogabilidade de Lost in Fantaland divide-se essencialmente entre a exploração do mapa e o combate em grelha. No início de cada campanha, escolhemos uma das três classes disponíveis: Guerreiro, Mago ou Trapaceiro. Cada classe oferece um estilo próprio de jogo, influenciando o tipo de cartas disponíveis e a maneira como interagimos com o inimigo. O Guerreiro aposta em ataques diretos e defesa sólida, o Mago controla o campo através de magia e efeitos à distância, enquanto o Trapaceiro aposta em truques, reposicionamento e dano indireto.
O combate decorre num tabuleiro em grelha, onde a posição é tão importante quanto a escolha das cartas. O movimento consome pontos de deslocação e cada carta jogada consome pontos de ação. Por exemplo, uma carta de ataque simples pode custar um ponto de ação e causar seis pontos de dano, enquanto uma carta defensiva pode conceder cinco pontos de armadura para absorver dano no turno inimigo. No entanto, a armadura desaparece no final do turno, forçando decisões imediatas e evitando acumulações excessivas.
Cada inimigo mostra antecipadamente a ação que pretende realizar, permitindo antecipar estratégias. Isto torna o combate menos caótico e mais calculado, focado em decidir quando avançar, quando recuar e quando tentar eliminar um adversário antes que o dano se torne demasiado elevado. Há também cartas de técnica que alteram o formato de ataque de outras cartas, permitindo atingir múltiplos inimigos ou estender o alcance. A gestão inteligente de combinações torna-se essencial à medida que a dificuldade aumenta.
À medida que avançamos no mundo, recolhemos novos cartões e desbloqueamos melhorias permanentes que ajudam em futuras tentativas. O sistema roguelite incentiva a aprendizagem constante: o fracasso faz parte da progressão e cada derrota oferece conhecimento útil para a próxima corrida.

Mundo e história
A premissa narrativa é simples: um herói vindo de outro mundo é convocado para salvar Fantaland. O mundo é gerado de forma aleatória em cada campanha, oferecendo diversidade nos encontros, inimigos e recompensas. A história não é o foco principal do jogo. Em vez disso, funciona como um pano de fundo para justificar a aventura e o ciclo de progressão roguelite.
O que realmente dá personalidade ao mundo são os inimigos e os encontros especiais. Cada local no mapa pode apresentar uma batalha, um evento surpresa, uma loja ou uma melhoria. A estrutura recorda jogos como Slay the Spire ou Darkest Dungeon, onde escolher o percurso no mapa é tão crucial quanto vencer batalhas individuais.
Existe ainda um sistema de conquistas internas que acrescenta metas adicionais, como derrotar chefes específicos, vencer batalhas sem sofrer dano ou terminar uma luta sem se mover. Estas conquistas incentivam variações de abordagem e tornam o jogo mais profundo para quem procura desafios adicionais.
Grafismo
Lost in Fantaland apresenta um estilo visual pixel art com um ambiente inspirado em RPGs clássicos. As personagens e inimigos são desenhados com simplicidade, mas possuem detalhes suficientes para transmitir personalidade. O tabuleiro de batalha é claro e facilmente legível, permitindo que a posição das unidades seja percebida sem esforço. As animações são modestas, mas cumprem a sua função, mantendo a ação fluida e sem distrações desnecessárias.
A interface é intuitiva, destacando claramente o custo das cartas, os pontos de vida, armadura e ações disponíveis. A possibilidade de jogar com os Joy-Con ou com o ecrã tátil torna o sistema ainda mais acessível, especialmente em modo portátil. Visualmente, não é um jogo que impressione, mas o estilo consistente e limpo encaixa bem no género e suporta a clareza necessária à tomada de decisões estratégicas.

Som
A banda sonora acompanha o tom de fantasia com faixas calmas durante a exploração e temas mais intensos durante o combate. Não é uma banda sonora memorável, mas cumpre a função de manter o ambiente envolvente sem se sobrepor ao ritmo no ecrã. Os efeitos sonoros são discretos, marcando ataques, defesas e uso de cartas de forma clara. Tal como o grafismo, o som é funcional: não se torna cansativo, nem exige demasiada atenção. É o tipo de ambiente sonoro que se adapta bem a sessões longas de jogo, mantendo o foco na estratégia em vez de tentar protagonismo.
Conclusão
Lost in Fantaland é um roguelite de estratégia que combina construção de baralhos com posicionamento tático na grelha, oferecendo um gameplay que recompensa planeamento e adaptação constante. A variedade de classes, a recolha de cartas e as melhorias permanentes incentivam múltiplas campanhas, tornando o jogo ideal para quem aprecia experimentar abordagens diferentes e descobrir sinergias.
A sua apresentação visual simples e funcional, juntamente com mecânicas sólidas e um nível de desafio bem calibrado, fazem deste um título que satisfaz fãs do género. Mesmo não oferecendo uma narrativa profundamente desenvolvida ou visuais impressionantes, Lost in Fantaland destaca-se por proporcionar confrontos estratégicos envolventes e uma progressão gratificante.
Para quem procura um roguelite tático com foco em cartas, posicionamento e tomada de decisões cuidadosa, Lost in Fantaland é uma aposta segura na Nintendo Switch, capaz de prender o jogador num ciclo viciante de tentar, falhar, aprender e tentar novamente.