O primeiro Monster Train recebeu uma expansão memorável chamada The Last Divinity, que acrescentou um novo clã, artefactos e um final de jogo reforçado por um preço bastante acessível. Esse precedente estabeleceu expectativas elevadas, e Monster Train 2: Destiny of the Railforged segue a mesma linha sem mudar de carril. A expansão chega com um novo clã, novos artefactos e um modo de endgame renovado, mantendo um preço igualmente convidativo. O resultado é um reforço substancial para um jogo que já era altamente competente, demonstrando que a equipa por detrás da série compreende bem aquilo que os jogadores procuram.
Destiny of the Railforged não tenta reinventar Monster Train 2, mas sim expandir as suas possibilidades e aprofundar os sistemas existentes. O foco está em oferecer novas formas de jogar e em elevar a intensidade das decisões estratégicas. Tal como a expansão anterior do primeiro jogo, esta não se limita a acrescentar conteúdo; introduz mecânicas que alteram a forma como encaramos cada partida.
Jogabilidade
O destaque imediato vai para o novo clã, os Railforged, cuja mecânica central gira em torno da palavra-chave Forge. Este sistema permite acumular pontos através de ações como Smelting de cartas ou habilidades passivas dos heróis. Ao contrário de mecânicas semelhantes que recompensam apenas no final do nível, os pontos Forge podem ser gastos a meio das batalhas para obter benefícios poderosos, como melhorias temporárias ou efeitos devastadores.
A lógica é simples: acumular e gastar recursos no momento certo. No entanto, essa simplicidade encaixa perfeitamente no ritmo de Monster Train 2. A decisão entre investir cedo para estabilizar o combate ou guardar recursos para enfrentar o boss final torna-se um dilema constante. O Forge não é revolucionário, mas integra-se de forma natural e estratégica no fluxo do jogo.
Outras mecânicas complementam este sistema. Pyrespeak envolve o Pyre de forma mais ativa, permitindo que este aumente os seus atributos e até participe diretamente nos combates dos pisos inferiores. Weaponcraft possibilita que as unidades gerem e equipem o seu próprio equipamento, abrindo espaço para combinações interessantes. Burst funciona como uma versão degradável de Multistrike, mantendo a sua utilidade estratégica, especialmente quando reservada para confrontos decisivos.
Apesar de não serem avassaladores por si só, os Railforged brilham ao potenciar sinergias com outros clãs. Os dois heróis disponíveis, Herzal e Heph, representam abordagens distintas, focando-se respetivamente na acumulação de Forge e na geração de equipamento. Essa dualidade incentiva a experimentação e reforça a versatilidade do clã.

Mundo e história
Tal como no jogo base, Destiny of the Railforged apresenta novos momentos narrativos e expande o universo de Monster Train. No entanto, a história continua a ser um elemento secundário. A presença da Lifemother surge como uma ameaça maior, uma entidade que ultrapassa os desafios anteriores, mas a sua caracterização não é suficientemente marcante para prender a atenção de todos os jogadores.
A expansão introduz o modo Soul Savior, que serve como resposta à experiência de endgame da expansão anterior. Este modo altera drasticamente a cadência das partidas: em vez de múltiplos combates intermédios, enfrentamos apenas uma batalha antes de cada grande boss, num total de cinco. Esta estrutura elimina a progressão gradual e lança o jogador diretamente em confrontos exigentes.
A sensação é de urgência constante. Com um baralho ainda cheio de cartas iniciais, somos obrigados a adaptar-nos rapidamente. Os bosses escalam de forma agressiva durante os combates, punindo qualquer fraqueza. É um modo que privilegia a mestria e a capacidade de improvisação, oferecendo uma experiência intensa e distinta do formato tradicional.
Grafismo
Visualmente, a expansão mantém o estilo artístico característico da série, com ilustrações vibrantes e animações claras que facilitam a leitura da ação. As novas unidades, efeitos e interfaces associadas ao Forge e às Souls integram-se de forma coesa, sem comprometer a clareza visual que é essencial num jogo com múltiplas camadas estratégicas.
Os efeitos associados às habilidades Forge e às Souls são particularmente satisfatórios, transmitindo uma sensação de impacto e poder. A expansão não procura revolucionar o aspeto gráfico, mas sim enriquecer a apresentação com novos elementos que reforçam a identidade visual do jogo.
O design dos bosses no modo Soul Savior destaca-se pela imponência e variedade, contribuindo para a sensação de enfrentarmos ameaças verdadeiramente formidáveis. Cada encontro transmite uma escala épica que eleva a tensão e recompensa a preparação cuidadosa.

Som
A componente sonora continua a cumprir o seu papel de forma competente. A banda sonora mantém o tom intenso e energético, acompanhando o ritmo acelerado das batalhas e reforçando a atmosfera de urgência. Os efeitos sonoros associados às novas mecânicas, como o gasto de pontos Forge ou a ativação de Souls, são claros e satisfatórios, ajudando o jogador a reconhecer momentos críticos.
Embora não existam mudanças radicais na identidade sonora, a consistência é um ponto forte. O áudio apoia a jogabilidade sem distrair, contribuindo para uma experiência imersiva e coerente com o restante jogo.
Conclusão
Monster Train 2: Destiny of the Railforged é uma expansão robusta que reforça um jogo já excelente. A introdução dos Railforged acrescenta novas possibilidades estratégicas sem quebrar o equilíbrio geral, enquanto o modo Soul Savior oferece um desafio intenso que testa as capacidades dos jogadores mais experientes.
O verdadeiro destaque vai para o sistema de Souls e a Soulforge. Estes artefactos introduzem benefícios exagerados e transformadores, capazes de alterar completamente o rumo de uma partida. A possibilidade de equipar múltiplas Souls e melhorá-las ao longo do tempo cria uma motivação poderosa para repetir partidas e explorar combinações.
Nem tudo é perfeito. A narrativa continua pouco envolvente e a complexidade adicional pode aumentar a carga cognitiva, levando a momentos de indecisão. No entanto, estas limitações já faziam parte da experiência base e dificilmente irão afastar os fãs.
Destiny of the Railforged é uma expansão que compreende o que torna Monster Train especial e amplifica essas qualidades. É caótica, exigente e surpreendentemente divertida, oferecendo motivos mais do que suficientes para regressar aos carris e enfrentar desafios cada vez mais extremos.