Análise: PLAGUN – The Plague Goes On

PLAGUN – The Plague Goes On apresenta-se como um roguelike shooter grotesco, ambientado num reino pós-apocalíptico contaminado por uma cura falhada para a morte. A premissa coloca o jogador na pele de um sobrevivente mascarado, um antigo médico transformado em criatura, que usa armas infetadas pela peste e máscaras amaldiçoadas para enfrentar hordas intermináveis de horrores regenerativos. É um jogo que aposta em sessões curtas e intensas, sempre diferentes, e que combina ação frenética com uma atmosfera sombria carregada de mistério. A mistura entre auto-disparos, plataformas rápidas e um mundo decadente dá a PLAGUN uma identidade imediatamente reconhecível, com especial destaque para o seu estilo visual cru e carregado de personalidade.

Jogabilidade

A jogabilidade de PLAGUN é construída em torno de encontros rápidos, caóticos e intensos, onde o jogador precisa de sobreviver a vagas crescentes de inimigos. O sistema de auto-disparo combinado com movimento ágil cria um ritmo que se aproxima do bullet-hell, mas sem perder a acessibilidade. Cada run dura tipicamente entre 15 e 20 minutos, tornando o jogo perfeito para sessões curtas, do género só mais uma tentativa.

As máscaras desempenham um papel central, alterando estatísticas e concedendo poderes passivos que mudam a forma de abordar cada combate. As armas, denominadas Plaguns, vão desde revolveres biomecânicos a híbridos de corpo-a-corpo e ferramentas experimentais, cada uma com comportamentos distintos. A cada run surgem melhorias aleatórias, obrigando o jogador a adaptar-se e a improvisar consoante o que o jogo oferece.

Embora a estrutura roguelike seja sólida e viciante, alguns problemas técnicos prejudicam a fluidez, especialmente no uso de controlador. Não é possível saltar diálogos e, durante lutas de bosses, há situações em que é necessário recorrer ao teclado para ações específicas, quebrando o ritmo. Ainda assim, a jogabilidade mantém-se divertida, direta e satisfatória.

Mundo e história

O mundo de PLAGUN é um reino arruinado por uma cura que deveria vencer a morte e acabou por condenar tudo e todos a um estado de degeneração eterna. A narrativa é transmitida maioritariamente por storytelling ambiental e pequenos registos criptográficos espalhados pelos cenários. O jogo nunca entrega respostas diretas, preferindo sugerir, insinuar e deixar o jogador reconstruir a verdade por trás da praga.

Ao assumir o papel de um ex-médico transformado em monstro, a progressão narrativa está ligada à recolha de cadáveres e ao desbloqueio de novas habilidades e equipamentos fora das runs. O enredo não é o foco principal, mas a atmosfera e o tom sombrio contribuem fortemente para a identidade do jogo.

Grafismo

O grafismo é um dos elementos mais marcantes de PLAGUN. O pixel art apresenta um estilo sujo, granulado e carregado de personalidade. Apesar de algum toque amador em certos detalhes, essa imperfeição acaba por reforçar o charme e a identidade visual do jogo. Há um cuidado notório na forma como os inimigos se deformam, como as armas parecem peças biomecânicas vivas e como o cenário transmite decadência e doença.

Em momentos de maior caos, especialmente quando múltiplas explosões e efeitos se acumulam no ecrã, a leitura visual pode tornar-se confusa. Ainda assim, a estética funciona bem e é um dos fatores que mais contribuem para a atmosfera pesada e grotesca.

Som

O som acompanha eficazmente a estética e o ritmo frenético da jogabilidade. Os efeitos das armas são agressivos, diretos e ajudam a transmitir o impacto de cada disparo. As criaturas têm sons guturais e incómodos, reforçando a sensação de decadência orgânica. A banda sonora é discreta, mas cumpre o papel de manter a tensão elevada durante as ondas de inimigos, sem se tornar cansativa. Embora o áudio não seja o maior destaque do jogo, complementa devidamente a experiência.

Conclusão

PLAGUN – The Plague Goes On é um roguelike shooter compacto, intenso e estilisticamente distinto. As runs curtas e imprevisíveis tornam-no viciante, o sistema de máscaras e armas oferece variedade suficiente para manter cada tentativa fresca e a atmosfera sombria dá-lhe uma identidade própria. O grafismo em pixel art, apesar de simples, apresenta enorme personalidade, e o jogo mantém sempre um tom consistente entre grotesco e divertido. Há problemas técnicos a corrigir, especialmente no suporte ao controlador, mas nada que destrua a experiência. No geral, é um título criativo, acessível e fácil de recomendar a quem aprecia ação rápida e mundos decadentes com um toque de humor negro.

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