Análise: SWAPMEAT

Jogos construídos à volta do nojo costumam afastar-me. Normalmente provocam-me repulsa e nunca consigo apreciar o que tentam fazer. Curiosamente, SWAPMEAT acaba por ser uma exceção inesperada. A sua abordagem exagerada e completamente absurda transforma aquilo que noutras circunstâncias me incomodaria numa fonte de entretenimento. A premissa é simples: um shooter na terceira pessoa com missões distribuídas por vários planetas, onde a sobrevivência depende de roubar partes do corpo dos inimigos derrotados para obter novas habilidades. Esta ideia bizarra dá o tom para uma experiência que sabe exatamente o que quer ser e abraça sem vergonha o seu lado mais grotesco.

Jogabilidade
A jogabilidade de SWAPMEAT gira totalmente em torno da personalização através de restos de inimigos. Depois de cada combate, as partes do corpo que recolhemos podem ser misturadas à vontade, resultando em combinações tão ridículas quanto eficazes. Podemos acabar com um disco voador como pernas, a cabeça de um ninja e um torso que dispara lasers oculares, tudo isto enquanto empunhamos armas convencionais para aumentar o caos.
Ao completar objetivos secundários espalhados por cada planeta, evoluímos a personagem e encaminhamo-nos para tipos específicos de builds. É possível apostar em dano elemental, em enxames de moscas que nos acompanham ou simplesmente em quantidades obscenas de vida que nos tornam quase imortais.
Cada missão principal é complementada por várias tarefas opcionais que surgem naturalmente durante a exploração. Nada disto reinventa o género, mas é consistente, divertido e dá ritmo às sessões. A estrutura lembra um pouco Helldivers, mas inundado de carne e tripas. É uma abordagem claramente humorística e exagerada, mas combina bem com o gameplay frenético e contribui para um forte fator de rejogabilidade.

Mundo e história
O universo de SWAPMEAT não tenta ser profundo, mas é eficaz no que faz. Viajamos entre planetas infestados de ameaças grotescas enquanto cumprimos ordens que talvez não sejam tão nobres quanto parecem. Existe sempre a suspeita de que estamos ao serviço do verdadeiro vilão, algo que introduz uma camada subtil de mistério humorístico à campanha.
O mundo é sobretudo um palco para a ação e para a criatividade mecânica. As missões funcionam como pequenas arenas abertas com objetivos claros, e a progressão entre planetas dá a sensação de uma galáxia inteira a ser consumida por carne viva e monstros retalhados. A história não pretende cativar pela narrativa, mas sim pelo tom absurdo e pela constante sensação de estarmos envolvidos num conflito tão grotesco quanto divertido.

Grafismo
Visualmente, SWAPMEAT não aposta em elegância nem realismo. A arte é deliberadamente repugnante, com modelos exagerados, partículas de sangue por todo o lado e animações que reforçam a natureza ridícula das criaturas. No entanto, essa estética está longe de ser gratuita. Existe coerência no exagero, e é precisamente isso que torna o jogo apelativo para quem já está predisposto a aceitar a premissa.
Os efeitos das habilidades, especialmente quando combinamos peças improváveis, são visualmente distintos e facilitam a leitura da ação, algo fundamental num shooter tão caótico. O estilo gráfico reforça o humor e encaixa bem com a proposta geral.

Som
O áudio segue o mesmo caminho do grafismo: exagerado, ruidoso e sempre presente. Os disparos têm impacto suficiente, as explosões de carne são tão audíveis quanto se esperaria e os ambientes têm uma banda sonora energética que ajuda a manter o ritmo acelerado.
As pequenas reações dos inimigos e os efeitos ligados às partes do corpo que vamos adquirindo acrescentam personalidade ao jogo e tornam a experiência mais memorável. Mesmo que não seja o elemento mais refinado do conjunto, funciona perfeitamente dentro do tom do jogo.

Conclusão
SWAPMEAT é um jogo estranho, grotesco e completamente absurdo, mas também é surpreendentemente divertido. A mecânica central de recolher e combinar partes do corpo cria um sistema de personalização único, e as missões distribuídas por vários planetas mantêm a jogabilidade variada e viciante.
O humor exagerado, a forte componente cooperativa e o foco na rejogabilidade fazem com que cada sessão tenha um encanto próprio, especialmente quando partilhada com amigos. Não vai conquistar quem procura algo mais sério ou sofisticado, mas para quem aprecia ação desenfreada e criatividade descabida, SWAPMEAT oferece exatamente aquilo que promete: diversão cheia de carne, caos e ideias totalmente fora da caixa.

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