The Zombie Slayers é daqueles jogos que não tenta esconder o que realmente quer ser: um festival de caos, humor absurdo e tiros por todo o lado. É um shooter top-down em 3D que mistura acção arcade com ideias completamente inesperadas, desde fazer um bebé com outro jogador até dançar no meio de um ataque zombie como se fosse a coisa mais natural do mundo. Toda a experiência é embrulhada num visual colorido e numa boa dose de irreverência, sempre com a intenção clara de proporcionar diversão rápida e acessível. Apesar de ser um projecto desenvolvido por uma única pessoa, o jogo apresenta uma base sólida, potencial para crescer e um espírito descontraído que o distingue de outros títulos do género.
Jogabilidade
A jogabilidade centra-se na acção imediata, com controlos responsivos e uma curva de aprendizagem praticamente inexistente. Em poucos minutos, já se está a despachar zombies, colocar armadilhas ou simplesmente a causar caos à procura de mais XP. Existem vários modos de jogo que incentivam diferentes ritmos: missões cooperativas até seis jogadores, arenas competitivas, desafios de ondas e escalada de leaderboards. Para quem aprecia acção constante, o modo de ondas é particularmente viciante, embora as primeiras waves sejam algo lentas.
O jogo oferece uma panóplia de itens úteis como torretas, minas, arame farpado ou jaulas eléctricas, que permitem planear pequenas estratégias ou simplesmente tornar tudo ainda mais caótico. As armas vão desde pistolas e caçadeiras até lança-chamas e lança-foguetes, passando por espadas e tacos de basebol. No entanto, nas primeiras horas, muitas armas soam demasiado semelhantes, variando principalmente em velocidade ou som, e só mais tarde começam a diferenciar-se de forma clara.
Uma das mecânicas mais peculiares é a possibilidade de criar um bebé com outro jogador, que depois segue a dupla e participa nas batalhas de maneiras tão absurdas como eficientes. É uma ideia que sublinha o tom humorístico do jogo e que acaba por acrescentar uma dinâmica inesperada à jogabilidade, sobretudo quando é preciso mantê-lo alimentado. Também é possível dançar livremente, seja para provocar amigos, zombis ou simplesmente para aproveitar o momento.

Mundo e história
The Zombie Slayers não aposta numa narrativa profunda nem num mundo cheio de explicações. Em vez disso, cria um universo leve, cómico e essencialmente funcional, onde cada missão surge como um objectivo directo e rápido. Há puzzles que aparecem ao longo das missões – desde simples sistemas de hacking até desafios que exigem mais atenção, como o puzzle de equilibrar pesos. Estes momentos adicionam alguma variedade e quebram a rotina da acção constante.
Apesar de o jogo orientar o jogador na direcção certa, há níveis que obrigam a observar o cenário com mais atenção, como a procura pelo caminho correcto até uma sala específica. Isto pode ser um pouco frustrante, mas ao mesmo tempo oferece pequenas pausas e momentos de exploração que acabam por beneficiar o ritmo geral.
Em termos de conteúdo, o número de missões é aceitável para um lançamento inicial, mas ainda assim deixa a sensação de que falta algo mais. Trata-se claramente de uma base que pede por expansão, e sendo um projecto de um único desenvolvedor, percebe-se que muitas ideias aguardam tempo para serem concretizadas.
Grafismo
Visualmente, o jogo é colorido, expressivo e completamente descomplexado. A escolha por um estilo quase cartoon ajuda a reforçar o tom humorístico e torna o mundo mais leve, mesmo quando se está a enfrentar hordas de mortos-vivos. Os modelos são simples mas eficazes, e o jogo corre de forma fluida, mesmo em sistemas mais modestos.
A customização das personagens é uma das áreas mais divertidas, com uma quantidade muito generosa de fatos desbloqueáveis através de XP. A liberdade de vestir o personagem à vontade, desde piratas até trajes completamente ridículos, combina perfeitamente com o espírito do jogo. Seria interessante ver ainda mais irreverência, como troca de roupas entre modelos masculinos e femininos, algo que encaixaria totalmente na filosofia desta experiência.

Som
O design de som acompanha bem a atmosfera descontraída e exagerada do jogo. Os efeitos sonoros das armas variam entre o satisfatório e o cómico, reforçando a sensação de que nada aqui deve ser levado demasiado a sério. A música é leve, mantendo o ritmo da acção sem se tornar intrusiva, e casa bem com o ambiente colorido do jogo. Também as animações de dança são complementadas por efeitos simples mas divertidos, mantendo tudo dentro do tom festivo que The Zombie Slayers procura.
Conclusão
The Zombie Slayers é um jogo feito para quem procura diversão imediata, cooperação caótica e um humor completamente desenfreado. É fácil de aprender, não exige uma máquina potente e está surpreendentemente bem optimizado para um projecto tão pequeno. A variedade de modos, armas, itens e personalização mantém a experiência fresca, mesmo que algumas armas se sintam demasiado semelhantes nas primeiras horas.
Embora ainda falte conteúdo, e alguns ritmos possam parecer lentos em certas fases, a base está lá e o potencial é evidente. Jogar com amigos eleva a experiência, tornando o caos ainda mais divertido. É um jogo que abraça a sua loucura e que se assume como uma celebração da brincadeira, algo raro num género normalmente mais sério.
Se continuar a ser desenvolvido, pode tornar-se numa proposta ainda mais robusta. Para já, é um título leve, bem-humorado e eficaz naquilo que promete. Uma experiência perfeita para descontrair e dar umas boas gargalhadas enquanto se destroça zombies de maneiras cada vez mais ridículas.