Chained Beasts coloca-nos diretamente na arena, acorrentados aos nossos aliados e forçados a lutar pela sobrevivência perante uma multidão sedenta de sangue. Este roguelike cooperativo para um a quatro jogadores mistura combate brutal com momentos caóticos e cómicos, criando uma experiência que tanto recompensa a coordenação como celebra o caos absoluto. A proposta é simples: reunir amigos, esmagar inimigos, conquistar o público e ganhar a tão desejada liberdade. A demo transporta-nos para a Arena de Cartago, onde enfrentamos cinco batalhas intensas que representam uma versão alargada do primeiro ato do jogo completo, culminando num confronto memorável contra um boss montado num rinoceronte.
Jogabilidade
A base jogável assenta num combate corpo a corpo visceral e altamente interativo. Podemos cortar, golpear e lançar inimigos pelo cenário, mas também usar o ambiente como arma. Atirar ânforas, empurrar adversários para armadilhas de espigões ou lançá-los para fossos cheios de cobras são apenas algumas das possibilidades. Existe uma forte componente física e improvisada no sistema de combate, incentivando decisões rápidas e criatividade em plena batalha.
O elemento mais distintivo é o facto de os jogadores estarem literalmente acorrentados uns aos outros. Esta mecânica transforma o posicionamento e a coordenação em fatores críticos. Uma equipa desorganizada acaba inevitavelmente enrolada em pilares ou a atrapalhar-se mutuamente, enquanto uma equipa sincronizada consegue derrubar inimigos em conjunto ou controlar multidões com eficiência. Esta dinâmica cria momentos hilariantes, mas também uma camada estratégica surpreendentemente profunda.

Mundo e história
O cenário inspira-se no imaginário dos combates de gladiadores, com arenas implacáveis e uma progressão centrada na fama e sobrevivência. À medida que avançamos, enfrentamos campeões da arena, combatentes experientes equipados com vantagens claras. A narrativa não é contada de forma tradicional, mas emerge através das batalhas, da ascensão na hierarquia e da promessa de alcançar Roma, seja em busca de liberdade ou vingança.
Cada dia na arena deixa marcas permanentes. As feridas acumulam-se e transformam-se em aflições que alteram a jogabilidade: mancar devido a lesões, perder um olho ou até sofrer alucinações. Estas condições não são meros efeitos visuais; obrigam o jogador a adaptar-se e a repensar estratégias. Poções podem aliviar a dor, mas trazem efeitos secundários, e soluções mais drásticas, como cirurgia, podem tornar-se necessárias. Este sistema reforça a sensação de sobrevivência num ambiente cruel.
Grafismo
Visualmente, Chained Beasts aposta num estilo estilizado e expressivo que privilegia a clareza da ação. As arenas são detalhadas o suficiente para oferecer variedade tática, com armadilhas e objetos interativos bem integrados no cenário. As animações enfatizam o impacto dos golpes e o peso das correntes, ajudando a transmitir a fisicalidade do combate.
O design das personagens e inimigos destaca-se pela legibilidade em momentos de caos, algo essencial num jogo cooperativo onde múltiplos eventos ocorrem em simultâneo. Mesmo quando a ação se torna frenética, é fácil perceber o que está a acontecer no ecrã, permitindo decisões rápidas e evitando frustrações desnecessárias.

Som
O ambiente sonoro complementa eficazmente a brutalidade da arena. O choque do metal, os gritos da multidão e os impactos dos golpes criam uma atmosfera intensa que reforça a imersão. Cada ação tem um feedback sonoro satisfatório, tornando o combate mais tangível e recompensador.
A reação do público funciona quase como um sistema de feedback emocional. Ganhar o favor da multidão não é apenas temático; contribui para a sensação de progressão e reconhecimento. A banda sonora, embora discreta, sustenta a tensão dos combates e acompanha o ritmo frenético das batalhas sem se sobrepor à ação.
Conclusão
Chained Beasts apresenta uma proposta cooperativa refrescante, combinando caos físico, estratégia emergente e humor involuntário. A mecânica de jogadores acorrentados transforma cada encontro numa dança desajeitada, mas potencialmente brilhante, onde comunicação e timing são tão importantes quanto a habilidade individual. O sistema de ferimentos persistentes e progressão baseada em fama acrescenta profundidade e incentiva múltiplas tentativas, típicas do género roguelike.
Mesmo em estado de demonstração, o jogo revela variedade, potencial e uma identidade própria. A experiência é particularmente forte quando jogada com amigos, onde os momentos imprevisíveis e as falhas de coordenação se tornam parte do divertimento. Se a versão completa expandir os conteúdos, diversificar equipamentos e aprofundar as arenas, Chained Beasts poderá afirmar-se como um título de destaque no cooperativo competitivo, oferecendo combates intensos e histórias memoráveis geradas pelo próprio caos da arena.