Análise The Journey Down: Chapter One

Fundindo elementos vagamente baseados na cultura jamaicana com elementos de ficção cientifica, tudo com uma pitada de Grim Fandango é a receita de The Journey Down para o sucesso. Anteriormente lançado como um título freeware que serviu como prototipo, esta versão final troca os visuais de pixelart por detalhados modelos 3D com bons cenários e arte de qualidade com dobragem completa e uma boa banda sonora. A aventura começa com os dois heróis Bwana e Kito a ter alguns problemas com sua empresa de energia. O seu negocio tem altos e baixos e recentemente tem estado sempre baixo, o que deixa as nossas personagens incapazes de pagar as suas contas. Agora na escuridão, eles procuram uma forma criativa de contornar o problema, com resultados previsivelmente desastrosos, por isso eles precisam de encontrar outra fonte de recursos para pagar as dividas.

Enquanto isso, um famoso professor desacreditado, continua a sua pesquisa por informações sobre o Mundo Subterrâneo, um lugar que rumores dizem existir na borda do mundo, que nos últimos tempos tornou-se um tabu, a simples menção de seu nome irrita as autoridades. O professor acredita que o Subterrâneo a ser encoberto, e ele e o seu assistente Lina estão a pesquisar as possíveis razões por trás disso. Recentemente, eles seguiram uma referência a um livro importante. Infelizmente, a sua investigação tem chamado a atenção de um empresário misterioso que utiliza alguns membros da sua equipe de especialistas  para resolver “problemas” e parece que ele também tem interesse no livro e nada o vai parar até conseguir recuperá-lo.

É neste momento a nossa história realmente começa, quando o destino dos dois se cruza. Lina rastreia o livro para o negocio das nossas personagens, consciente de que ela tem alguém a a segui-la. Bwana e Kito, por outro lado, têm um plano e uma grande dívida para pagar. Este parece ser um jogo perfeito, se apenas eles pudessem ter feito alguns reparos na nave e voar para fora de Kingsport Bay antes de os mafiosos chegarem. Esta nova versão do jogo e o primeiro de quatro episódios planeados é um produto limpo, polido que transpira qualidade e charme, apesar de não progredir a história muito longe. Para a maior parte, a parcela inteira é gasta para conhecer os principais personagens e construir algum fundo para a história global, deixando a sensação de este ser bem mais um Chapter Zero e não o primeiro capitulo. Jogam como Bwana, um descontraído, incomum protagonista jamaicano com sotaque característico,  cujo rosto foi modelado em esculturas africanas tribais de máscaras de cabeças. Algo que vão notar é que as personagens têm realmente alma em The Journey Down, todas elas têm uma aparência distinta não apenas dentro deste jogo como do universo dos videojogos.

Visualmente, The Journey Down é bastante apelativo. Se já jogaram a versão freeware de resolução baixa, sabem que dentro do género já este tinha bom aspecto apesar de pixelizado, no entanto esta nova versão é sem duvida bem vinda e tem um aspecto fantástico. Não só exibe fundos habilmente pintadas e editados digitalmente, integra uma variedade de elementos 3D. Nem todas as áreas são perfeitas, há uma ou duas áreas que poderiam ficar melhor com um pouco mais de trabalho, mas no geral o jogo tem muito bom aspecto, com um esquema de cores temperamental que se adapta de forma brilhante ao universo do jogo.

Vão gastar todo o tempo do primeiro capitulo em torno da beira-mar, a visitar lugares como as docas, um restaurante nas proximidades, um quiosque e um navio. A cena mais visualmente agradável é a sequência de abertura, que começa com uma vista a olhar para o horizonte da metrópole. Isso dá uma ideia de abrangência maior do que é realmente e isso neste caso é até bom. Os personagens são todos compostos de modelos 3D e são consideravelmente melhores do que os originais 2D, especialmente as personagens principais.

A dobragem completa recheada de sotaque jamaicano é bastante boa, não que eu acredite que todos os jamaicanos realmente falem todos assim, mas neste caso era o que se pedia. A música é igualmente excelente, com uma mistura de jazz e reggae. É inteligentemente concebida dando uso ao volume e silencio para dar noção de vazio. Os efeitos sonoros também são claros e consistentes, e tudo funciona  como deveria. A interface é muito simples e fácil de usar. O botão esquerdo do rato é usado para activar qualquer hotspot e  para pegar ou interagir com um item. Esta abordagem de um botão provavelmente foi aprovada por causa das versões Android e iOS que estavam em desenvolvimento mas funciona muito bem no PC também. O inventorio está localizado na parte inferior do ecrã  e a partir daí podem clicar em itens e arrasta-los para o ecrã ou objectos para combinar. Em termos de acessibilidade, o jogo torna-o fácil de entrar, mas não há grandes ajudas se ficarem presos, nesse caso só com ajuda de guias. Mas como o jogo é relativamente intuitivo não se chega a sentir falta de qualquer destas opções.

Os puzzles são divertidos e envolventes  sem serem demasiado difíceis. A grande maioria são com base no inventorio, mas há alguns enigmas de lógica mas estes são pouco frequentes. Os obstáculos próprios são bem estruturados, mas alguns só podem ser resolvidos através da experimentação com o meio ambiente. Os objectivos irão desafiá-lo algumas vezes, mas são equilibrados o suficiente para que não ocupem muito tempo. Com o seu humor e dificuldade equilibrada é interessante até ao fim, o que por si só também não demora muito. A relativa facilidade dos puzzles ajuda a fazer o episódio bastante curto. Tal como está, o resultado ainda é muito bom, mas tal como disse antes esta é mais uma razão para este parecer o capitulo zero e não o primeiro.

Apesar da sua premissa escura, o tom do primeiro capítulo é sempre alegre, como convém à personalidade descontraída do personagem principal. A escrita é divertida, e há muitos comentários engraçados. Algumas personalidades são muito universais, tornando fácil identificar os heróis e os vilões da história. Ambos Bwana e Kito são personagens simpáticos que parecem possuir tanto a inocência como malícia.

Apesar de tudo isso a verdade é que se este é apenas o inicio então tudo o resto só pode ser ainda melhor. A evolução relativamente ao jogo 2D é tremenda e tendo em conta que estamos a falar de um estúdio independente ainda tem que haver maiores elogios. Se ainda não tiverem todas as certezas podem sempre esperar que sejam lançados todos os episódios ou esperar pelo menos por mais um. Em todos os casos eu não posso deixar de recomendar desde já, apesar de ter que ficar com esperança que a história realmente “expluda” no próximo capitulo, pois este foi apenas uma introdução.

Pontuação: 8.1/10

Requisitos de Sistema (PC)

Minimum:

    • OS:Windows XP SP 2+, Windows Vista, Windows 7
    • Processor:1.8 GHz CPU
    • Memory:1 GB RAM
    • Graphics:Direct X 9.0c compatible video card
    • DirectX®:9.0c
    • Hard Drive:1 GB HD space

Recommended:

    • OS:Windows XP SP 2+, Windows Vista, Windows 7
    • Processor:1.8 GHz CPU
    • Memory:1 GB RAM
    • Graphics:Direct X 9.0c compatible video card
    • DirectX®:9.0c
    • Hard Drive:1 GB HD space

Requisitos de Sistema (Mac)

Minimum:

    • OS:Snow Leopard, Lion
    • Processor:1.8 GHz CPU
    • Memory:1 GB RAM
    • Graphics:OpenGL 1.4+ compatible video card
    • Hard Drive:1 GB HD space

Recommended:

    • OS:Snow Leopard, Lion
    • Processor:1.8 GHz CPU
    • Memory:1 GB RAM
    • Graphics:OpenGL 1.4+ compatible video card
    • Hard Drive:1 GB HD space

Tiago Roque

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