Análise: The Last of Us

 

Com isto não quero dizer que Uncharted seja um mau jogo, é alias um dos meus favoritos, mas The Last of Us é fantástico à sua maneira. A empatia que existe entre Joel e Ellie é para mim um dos melhores aspectos deste jogo e é responsável por muitos dos momentos dramáticos do jogo. Apesar das diferenças ainda vão ver muito do antigo jogo da Naughty Dog aqui. O grafismo continua a ser do melhor que podemos encontrar na PS3, sendo até talvez um pouco de mais para a já antiga consola da Sony, e as animações das personagens estão ao nível do melhor que vimos em Uncharted. Mais do que dar-nos um jogo para jogar, a Naughty Dog queria contar uma história.

A história de um mundo devastado por um horrível vírus derivado de um fungo, que deixa os contaminados violentos seres que tentam matar tudo o que encontram, mas mais do que isso a história de duas personagens, Ellie e Joel. Obviamente que um jogo não pode ser só história e irei chegar a tudo o resto, o combate, o sistema de crafting e improviso de armas e tudo isso, mas aquilo em que a Naugthy Dog se parece estar a especializar é em oferecer uma experiência interactiva que apesar de continuar a ser um jogo, consegue tocar em quase todos os aspectos que achamos exclusivos do cinema.

Conseguir passar emoções da forma que The Last of Us faz não é comum em videojogos. Sim já tivemos jogos com óptimas personagens e histórias, mas não existe nenhum que conseguiu passar tão bem sentimentos. Apesar de se apresentar num género bastante comum, o jogo de acção/aventura na terceira pessoa, também poderia descrever The Last of Us como Survival Horror, mas não me parece tão correcto. O cenário apocalíptico é já bastante utilizado. Bem mais do que seria recomendado, assim como zombies e outras quaisquer variantes dessas criaturas. No entanto, a Naughty Dog conseguiu criar algo bastante diferente do normal.

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Apesar das cidades destruídas e as ruínas daquilo que já foi a nossa civilização, há bastante vida e cor, algo que falta muito a este tipo de jogos que apostam demasiado em tons de cinzento. Apesar de estes cenários também existirem, há muito mais cor que o normal. A Naughty Dog pensou bastante no realismo em The Last of Us e depois de 20 anos as cidades foram reconquistadas pela natureza. Este aspecto é bastante ignorado neste tipo de jogos, mas faz bastante sentido se pensarmos nisso. Vemos até alguns animais exóticos que provavelmente fugiram dos jardins zoológicos, uma ideia partilhada com Tokyo Jungle, tanto na floresta a tomar a cidade como à da fuga dos animais selvagens.

The Last of Us começa antes da infecção, ou pelo menos antes de ela se tornar reconhecida, pois o jogo dá-nos a entender que já havia alguns sinais da praga antes. Depois da primeira secção do jogo ficamos a saber um pouco mais sobre o vírus que tomou conta do mundo. Uma forma alterada de um fungo que substitui o tecido vivo dos humanos, criando ramificações até ao cérebro e que torna os hospedeiros seres violentos. Até aqui parece realmente um jogo de zombies com uma mitologia diferente, mas há algumas diferenças.

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Após duas horas depois de serem contaminadas, as vitimas transformam-se nessas criaturas parecidas com zombies. Essa infecção pode ser através de uma mordida ou respirando esporos, no entanto não vão ter que se preocupar com isso, pois em zonas com esporos Joel mete automaticamente uma mascara de gás. Depois dessa primeira fase da infecção os infectados vão continuar a mudar e vão depois transformar-se em clickers, seres em que toda a cabeça foi substituída por fungos e que são então cegas. Mas estes inimigos são sensíveis ao som e bem mais complicados de matar. Estes dois são os inimigos não humanos principais, mas existe ainda um terceiro tipo. Quando um infectado aguenta tempo suficiente irá passar a Bloater. Estes inimigos são os mais difíceis de lidar e são uma espécie de boss. Além de incrivelmente resistentes não os podem matar de qualquer forma, apenas com bastantes tiros ou fogo, o qual é bastante eficaz contra todos os infectados.

Apesar de a acção furtiva ser bastante recompensada, nem sempre uma abordagem mais directa não funciona. Carregando no R2 a personagem entra num modo de concentração que nos permite ouvir os inimigos, o que basicamente significa que os podem ver através das paredes. Apenas os podem ver se estes estiverem a fazer barulho, o que acaba por não funcionar contra alguns inimigos humanos, mas é bastante eficaz contra infectados. O armamento é bastante limitado. Vão passar muito do vosso tempo a procurar munições e outros itens que vos irão permitir improvisar armamento e itens de cura. Como as munições são limitadas é sempre melhor tentar guardar  o máximo possível para zonas em que seja mesmo preciso utilizar armas de fogo.

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Inimigos humanos podem ser surpreendidos por traz e asfixiados mas os clickers e outros infectados mais fortes não podem ser asfixiados e é preciso improvisar uma faca para os despachar silenciosamente. Cada uma destas facas pode ser utilizada apenas uma vez, pelo menos no inicio. Isso leva-nos para outro aspecto do jogo. Pelo caminho e juntamente com os materiais para improvisar armamento, irão também recolher itens que podem ser usados em algumas mesas especiais espalhadas pelo jogo para melhorar as vossas armas. Podem aumentar a capacidade dos carregadores por exemplo ou a mira da espingarda. Além disso podem ainda melhorar a própria personagem sem ser preciso recorrer às mesas, aumentando a sua vida ou o alcance a que consegue ouvir os inimigos.

Melhor que tentar eliminar cada um dos inimigos é tentar seguir em frente sem que estes não se apercebam da nossa presença. Nem sempre é possível simplesmente tentar passar pelo cenário à volta dos inimigos, portante o jogo ensina-nos a apanhar garrafas por exemplo e mandá-las para longe, o que faz com que os inimigos se desloquem para lá e possamos então prosseguir. Um pequenos pormenor que aumenta bastante a tensão do jogo é o facto de o inventário funcionar em tempo real, ou seja, o jogo não pausa para o usarem, o que nos obriga a preparar antecipadamente todos os tiroteios. Andar sempre com as armas carregadas por exemplo é essencial.

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Os dois tipos de inimigos do jogo principais, humanos e infectados, não se cruzam normalmente. As zonas com infectados são geralmente bem mais sombrias e assemelham-se mais a um Survival Horror, enquanto que as restantes zonas funcionam como um Uncharted um pouco mais furtivo. Portanto em termos de grafismo e palete de cores há a tal existência paralela de zonas bastante cinzentas com as coloridas da verdadeira selva urbana. Achei também interessante a forma como numa parte do jogo a Naughty Dog parece utilizar tudo o que aprendeu com Uncharted, dando-nos um ambiente gelado com tudo o que Uncharted 2 nos deu de melhor e uma casa em chamas que parece também usar as chamas de Uncharted 3.

Custa a admitir porque The Last of Us é simplesmente soberbo, mas tem principalmente dois problemas, sendo um deles não propriamente culpa própria mas mais um problema da PS3. Graficamente como já disse The Last of Us é simplesmente o melhor que já vi na PS3, mas a PS3 não parece realmente conseguir aguentar a 100% com o jogo. O loading inicial é gigante e há alguns problemas de performance durante o jogo em si, mas nada de estrague de qualquer forma o jogo. O segundo problema afecta um pouco a imersão do jogador. A IA é um pouco fraca. É quase impossível acreditar que alguns inimigos não notem a nossa presença e é normal alguns inimigos humanos passarem por um companheiro acabado de morrer sem ligarem nenhuma. São pequenos pormenores que não impedem o jogo de ser quase perfeito, apenas devem ser salientados.

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Além de Joel e Ellie vão encontrar bastantes outras personagens mas nenhuma delas consegue realmente comparar-se em termos de profundidade às duas personagens principais. Apesar de muitos irem comparar um pouco The Last of Us a The Walking Dead, as grandes inspirações parecem ser realmente The Road e Children of Men. São dois filmes fantásticos que têm muito em comum com o jogo da Naughty Dog e aconselho quando acabarem o jogo.

Também quando acabarem a história, podem passar para o multijogador, conhecido aqui por Facções. Não é tão simples como um simples shooter online, transmitindo relativamente bem a experiência singleplayer para multiplos jogadores. Aqui vão ter que escolher uma facção, os caçadores ou pirilampos (vão perceber os nomes melhor quando jogarem a história). Andar furtivamente continua a ser essencial e o modo é tão brutal como o restante jogo. Há bastante pormenores para explorar neste modo, assim como conteúdo no singleplayer, o que o torna bem mais do um simples modo de por jogadores ao tiro uns contra os outros.

Tiago Roque

Comment (2)
Jogos do ano 2013 | Combo Caster
February 25, 2014

[…] História – The Last of Us A história de Joel e Ellie marcaram o panorama dos jogos deste ano, uma narrativa com todos os […]

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Análise: The Last of Us: Remastered | ComboCaster
October 31, 2016

[…] se querem conhecer de forma mais aprofundada o jogo base devem ler a nossa análise à versão PS3 aqui, pois esta versão traz consigo apenas melhorias […]

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