Análise: STAR WARS Jedi: Fallen Order

A EA não goza particularmente da melhor reputação hoje em dia. Embora essa reputação possa ter alguma justificação no lado comercial, com a insistência em bloquear conteúdo por exemplo através de loot boxes, a realidade continua a ser que os seus jogos gozam de orçamentos elevados e valores de produção enormes e que permitem por exemplo que ambos os amplamente criticados Battlefront sejam dos jogos mais apelativos visualmente dos últimos anos. Com isto não posso dizer que ambos os Battlefront que a EA lançou não tivessem falhas em várias das suas componentes, simplesmente que ambos acertaram em muita coisa. Jedi: Fallen Order é um jogo bem diferente, focado na história e single player com conceitos de Metroidvania.

O potencial de Jedi: Fallen Order é bem evidente. Star Wars ainda carrega um peso enorme e um jogo de mundo aberto que coloca os jogadores no papel de um Jedi apenas precisa de ser razoável para ser um sucesso garantido e a realidade é que a Respawn Entertainment fez um excelente trabalho aqui. O combate é na minha opinião o melhor aspecto do jogo e se não chega ao patamar do melhor que os jogos Star Wars já ofereceram está tão perto que a preferencia será subjectiva. A campanha tem também muitos momentos que eu descreveria apenas como momentos Star Wars.

STAR WARS Jedi: Fallen Order mistura conceitos sólidos que vão desde Mass Effect a Uncharted e a tudo o que os melhores jogos de ação tornaram standard através de inovação. Mesmo que STAR WARS Jedi: Fallen Order não ofereça nada de realmente novo e revolucionário, a presença de todas estas ideias e conceitos juntos faz com que o jogo consiga realmente elevar-se a algo mais do que uma reutilização de ideias.

A história do jogo passa-se nos 20 anos que se passaram entre o episódio III e IV, com o jogador a assumir o papel de Cal Kestis, um Padawan que se refugiou para conseguir sobreviver à matança do final do episódio 3. Este exílio é de pouca duração e depois de ser salvo por outro Jedi em fuga Cal embarca numa aventura para encontrar um Holocron com a localização de crianças sensiveis à força. Com isto não quero dizer que a história seja excelente, no entanto para um jogo é o melhor tipo de história já que é a melhor desculpa possível para lançar o jogador para novas localizações. Infelizmente não é propriamente o melhor caminho narrativo para nos fazer importar com as personagens do jogo. É um pouco preocupante quando um jogo pede tanto que exista uma expansão ou DLC no futuro próximo, mas apesar de isso acontecer aqui não posso dizer que seja pela falta de conteúdo mas sim pelas pequenas promessas que ficam no ar e não consegue concretizar na totalidade neste jogo.

O design de nível Metroidvania também ajuda a manter o jogador em movimento, no entanto é uma escolha de design que significa sempre que os jogadores vão ter de repetir várias zonas. O design parece muito inspirado em Dark Souls, mas aquilo que vai buscar aí é bem vindo e não vai buscar nenhum dos problemas e picos ridiculos de dificuldade que são caratesticos dos jogos Soul. Isto não quer dizer que seja uma espécie de Dark Souls fácil, já que o jogo é bastante desafiante até. Mesmo os inimigos mais básicos são complicados de enfrentar e os bosses são realmente complicados. Evitar ataques e bloquear é tanto ou mais importante que atacar e o timing é essencial para o sucesso do combate. A profundidade da jogabilidade é notável e além de nos sentirmos mais fortes com o tempo porque começamos a dominar a jogabilidade também o sentimos sempre que adquirimos um novo poder de jedi e quando finalmente desbloqueamos todos os poderes de Cal o combate deixa de ser bom e torna-se fantástico.

Infelizmente o jogo não segue uma rota de violencia que pessoalmente gostaria de ver. Não podemos por exemplo desmembrar os nossos inimigos, isto se não considerar-mos animais selvagens inimigos, já que podemos cortar animais a meio mas se tentar-mos fazer o mesmo a um Stormtrooper já não é possível, o que me parece uma decisão de design no mínimo estranha.

Mas no fundo este é o melhor jogo Star Wars da última década, um jogo que recomendaria mil vezes mais depressa que qualquer um dos Battlefront e que apesar de não consider que seja um jogo tão bom como a maioria dos jogos aos quais vai buscar inspiração é um bom jogo com mecânicas sólidas que irá agradar muito aos fãs de Star Wars e talvez aos jogos de jogos como Dark Souls.

 

Tiago Roque

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