Análise: Wintermoor Tactics Club

Wintermoor Tactics Club é um jogo que eu achei que fosse gostar quando vi as primeiras imagens e trailer mas nunca pensei gostar tanto. A jogabilidade simples, a história bastante original, a apresentação adorável são tudo elementos que fazem de Wintermoor Tactics Club um jogo realmente interessante. O “core” do jogo pode ser o rpg tático e em termos de jogabilidade até pode realmente não fugir muito a isso, mas o jogo mostra a originalidade dos seus criadores de outras formas e se olharmos com atenção ficamos com a sensação que por vezes o jogo é quase uma aventura point and click durante mais de metade do tempo.

O jogo passa-se em Wintermoor Academy, um colégio onde parece que toda a gente faz parte de algum clube. Alicia é a nossa personagem, uma rapariga que encontrou o seu grupo de amigos num clube de jogos de tabuleiro. Infelizmente mal começou a fazer amizades e o diretor da escola anuncia que todos os clubes terão de participar um torneio de guerras de bolas de neve. Isso não seria grande problema, mas o clube derrotado em cada batalha tem de deixar de existir. Em termos de história e ambiente Wintermoor Tactics Club é ótimo. As personagens estão bem escritas e os diálogos são divertidos. Cada clube tem a sua particularidade e a arte do jogo faz um bom trabalho em tornar cada personagem única. Também cedo percebemos que o jogo tem vários mistérios escondidos e a trama vai-se tornando cada vez mais interessante à medida que vamos avançando no jogo.

A jogabilidade está dividida em duas partes quase iguais. O equilíbrio do jogo é perfeito e cada capítulo do jogo divide-se em exploração e combate. Quando não estamos a combater temos de falar com outros alunos e resolver missões secundárias. Apesar de serem as batalhas de bolas de neve que realmente dominam a escola, os alunos continuam com problemas do dia a dia. Além disso os alunos também sentem que algo de errado se passa para que o diretor tenha criado este estranho torneio. No final de cada capítulo temos também uma pequena cutscene com uma cena de um sonho de Alicia que intensifica a ideia de que algo de estranho se está a passar na escola.

O nosso clube tem uma sala onde jogam o seu jogo favorito, Curses and Catacombs, uma espécie de Dungeons & Dragons fictício. Além de jogarmos batalhas de bolas de neve reais, também jogamos campanhas de C&C. É nestas campanhas que treinamos novas habilidades e táticas de combate. Cedo no jogo Alicia e o seu grupo percebem que as táticas que utilizam no jogo podem ser utilizadas na vida real e até as habilidade especiais têm paralelo na vida real. Na realidade o combate é exatamente igual tanto nas batalhas reais como nas narrativas de C&C com a pequena diferença de normalmente haver mais diálogo nas batalhas de bolas de neve.

O combate em si não tem realmente muito que saber. Quem já jogou um rpg tático sabe exatamente o que esperar daqui, com o movimento a ser representado com quadrados que representam uma unidade de movimento, podendo cada personagem mover-se um determinado numero de quadrados e podendo atacar até n quadrados de distância com um ataque normal ou habilidade especial única a cada personagem. As habilidades podem ser melhoradas com itens especiais que ganhamos resolvendo missões secundárias durante a exploração e diálogo que fazemos fora do combate. As classes do jogo são tradicionais, com o grupo original a conter um tanque, um rogue e um feiticeiro, mas com o tempo e novos itens vamos experimentando com classes mais complexas. À medida que vamos derrotando outros clubes vamos recebendo novos membros e o jogo vai trazendo novas possibilidades.

Wintermoor Tactics Club lembra-me muito de Persona, misturando combate com interações sociais, explorando muito bem as duas mecânicas. As personagens são interessantes e o jogo consegue ser um bom exemplo de diversidade sem nunca me deixar a sentir que a diversidade é forçada. A história progride a bom ritmo e apesar de os twists da história poderem ser um bom previsíveis ou pelo menos previsíveis a uma distância considerável, o jogo mantém sempre um bom nível de mistério. O sentimento de amizade das personagens parece realmente genuino e o mundo do jogo é um mundo que adorei explorar, sendo também rápido de explorar e conhecer, sem muitos locais e criando uma mundo coeso mas de grande qualidade.

Tiago Roque

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