Análise: Xenoblade Chronicles: Definitive Edition

Xenoblade Chronicles foi um dos jogos que melhor ajudou os jogadores mais hardcore durante a era Wii da Nintendo. Quando a grande aposta parecia ser o casual, os third parties pareciam apostar tudo em jogos que tinham por base os controlos por movimentos e os jogos da própria Nintendo não conseguiam cobrir todos os géneros, Xenoblade Chronicles prometia ser o derradeiro RPG da consola pelo menos, mas acabou por ser bem mais do que isso, tornando-se um clássico e um dos melhores RPGs japoneses da dácada. Depois do sucesso que muitos chegaram a prever antes da decisão de publicar o jogo no ocidente, Xenoblade Chronicles teve direito a sequelas e outros lançamentos que além de continuarem a saga Xeno, mostraram que a Nintendo pode facilmente lançar jogos desta saga na Europa e EUA. Xenoblade Chronicles: Definitive Edition é muito mais do que o simples lançamento de um jogo de culto numa nova plataform. A Wii não era de todo uma consola altamente potente em termos gráficos e a Nintendo poderia ter simplesmente criado uma versão melhorada gráficamente do jogo para correr na Switch que os jogadores ficariam contentes, mas a Nintendo fez bem mais do que isso, bem mais do que talvez lhe competia e o resultado está à vista e faz juz ao nome, pois esta é sem dúvida a versão definitiva do jogo.

Um dos aspectos mais marcantes do jogo é a sua história, ou pelo menos a sua premissa, já que o jogo decorre quase todo nos corpos de dois titãs que lutaram até à morte durante tempos incontáveis. Milénios depois nasceram civilizações nos corpos destes titãs, que são praticamente continentes dado o tamanho colossal destas criaturas ancestrais. Apesar de todo o tempo que decorreu entre o presente e a morte dos titãs, a guerra nunca acabou realmente já que os habitantes de origem em cada um dos titãs são muito diferentes e estão em guerra. De um lado uma sinistra raça  de monstros de aparência mecânica, os Mechon de Michonis e do outro os nossos personagens da raça humanoide Homs, de Bionis. A história começa numa batalha decisiva em que os Homs apenas conseguem resistir graças ao dominio que uma das personagens tem da espada Monado, uma arma misteriosa e altamente poderosa contra os Mechon, mas que drena e controla quem a utiliza.

Ao bom estilo dos melhores jRPGs que conhecemos, sejam os Final Fantasy, Persona ou Chrono Trigger, Xenoblade Chronicles tem um bom equilibrio na sua história entre momentos mais sérios e melancólicos e outros mais leves e divertidos. A história também consegue chegar a estes patamares graças às suas personagens e principalmente às relações entre elas. Um outro aspecto que ajuda a isso é o sistema de afinidade e as zonas onde podemos ter conservas intimas entre as personagens que ajuda a conhecermos melhor cada uma delas e o que as une. Um jogo que realmente me impressionou e que continuo a considerar o melhor ou um dos melhores RPGs que já joguei foi Persona 4 e Xenoblade Chronicles fez-me lembrar muito Persona 4 na forma como explora a relação entre as personagens. Outro aspecto interessante da história é que  Shulk, aquele que está o mais próximo de ser uma personagem principal, tem uma ligação especial com a Monado que o faz ter visões de possíveis futuros, em que por vezes os seus amigos morrem e o contraste da personalidade optimista de Shulk com estas visões que ele quer impedir de tornar realidade ajudam a tornar a história ainda melhor.

Mas Xenoblade Chronicles não vive apenas das suas personagens principais já que também os NPCs são muito diferenciados e interessantes. Existem sidequests espalhadas por todo o lado com a grande maioria a seguir os moldes de MMO de matar x e encontrar y. Mesmo a forma de exploração do jogo é muito semelhante à de um MMO em que temos um mundo aberto para explorar, apesar de não ser um mapa único já que exploramos o jogo por zonas, algumas das quais simplesmente de tirar o folego. A grande maioria do tempo no entanto irá ser passada em combate que ao contrário dos jRPGs tradicionais não é por turnos, mas também não é um jogo de ação. O combate tem uma boa profundidade, sem se tornar demorasiado complicado. Apesar de o combate não ser por turnos a nossa personagem ataca automáticamente, pelo menos o ataque básico, cabendo ao jogador fazer uso das habilidades e posicionar-se da melhor forma. O posicionamento é dos aspectos mais importantes já que as habilidades irão infligir muito mais dano quando utilizadas na posição certa. Apesar de eu ter referido que Shulk é o mais próximo que temos de uma personagem principal, a verdade é que podemos alterar a peronagem que controlamos, o que ajuda a variar a jogabilidade já que cada uma se joga bastante diferente, aproximando-se de papeis como tank ou healer por exemplo.

As personagens vão subindo de nível à medida que progredimos na história, mas existem outros sistemas de melhoramento das personagens. As habilidades por exemplo fazem parte de um sistema à parte e podemos melhorar cada uma individualmente. Algumas habilidades partilham também afinidades entre as várias personagens e durante o combate em certos momentos podemos fazer uso da afinidade entre as personagens para as fortalecer em combate. Isto tudo somado ao equipamento que vamos melhorando ajudam a manter o jogo fresco, com sempre algo novo a acontecer e algo sempre diferente a ambicionar. As próprias quests do  jogo servem para alimentar as relações entre o nosso grupo e os habitantes da zona, o que desbloqueia itens por exemplo.

Em termos de estreias, Xenoblade Chronicles: Definitive Edition contém uma nova história que funciona como epilogo e que dura mais ou menos 15 horas. Não existem grandes diferenças de jogabilidade mas é um novo conteúdo considerável e explora personagens menos importantes da narrativa do jogo original. Mesmo que tenham já jogado o jogo originalmente na Wii acho que o novo conteúdo é suficientemente bom para fazerem novamente a compra do jogo nesta nova versão, já que existem muitos jogos que não duram nem metade do que apenas o conteúdo novo de Xenoblade Chronicles: Definitive Edition tem para oferecer. Além desta estreia o jogo foi revisto em toda a linha, com nova UI e pequenos ajustes de qualidade de vida que fazem com que o jogo flua muito melhor agora, seja no combate ou nas quests, poderia dizer-se que o jogo está mais simples mas eu apenas considero que o jogo está melhor. O proprio som do jogo foi remasterizado e a dificuldade do jogo melhorada para ter uma curva mais suave.

Apesar de a sequela não ter tido o mesmo impacto que o jogo original teve, alguns elmentos da sequela fizeram o caminho inverso e foram introduzidos em Xenoblade Chronicles: Definitive Edition. Mas aquilo que realmente salta à vista mal iniciamos o jogo são os visuais melhorados, as texturas soberbas e no geral um jogo que tem um aspecto incrivel seja em modo portatil ou não. Xenoblade Chronicles: Definitive Edition é um jogo obrigatório na Switch, tal como o foi no lançamento original e caso o tenham jogado já ou não este é um dos melhores jogos na Switch.

Tiago Roque

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