Análise: Pascal’s Wager

O que é realmente separa o mobile gaming do resto do mundo dos jogos? Porque é que jogar num Android ou iPhone é considerado tão inferior? O hardware não é certamente o problema já que a grande maioria dos smartphones que as pessoas levam no bolso são mais do que capazes de correr jogos de aspecto decente. O principal problema que salta à vista são os controlos. A realidade é que são raros os jogadores que têm um bom gamepad para mobile e não é propriamente algo que se leve no bolso. Não é de todo prático e os controlos diretamente no ecrã são normalmente horriveis. Além disso não estamos de todo habituados a bons jogos em iOS e Android, contando-se pelos dedos os poucos clássicos que apareceram em mais de uma década de smartphones.

Os jogos mobile têm tendência também a copiar algo realmente popular que tenha saído para uma consola ou PC e adaptar o conceito para mobile. Pascal’s Wager não foge exatamente a isto, nem sequer vai mudar a ideia que os jogadores têm desta plataforma para “verdadeiros” jogos, mas não deixa de ser um excelente jogo. Pascal’s Wager é um jogo inspirado por Dark Souls, aquilo que tem sido apelidade de um Souls-like e caracteriza-se principalmente pelo valores de produção elevados, mais do que pela originalidade. Este género é normalmente difícil e Pascal’s Wager não é diferente. Jogar um jogo deste género com os controlos por toque é um desafio gigante, por isso recomendo um gamepad, o que nos leva para a discussão anterior.

Pascal’s Wager domina o básico do género, com mesmo os inimigos mais fáceis a derreterem a nossa personagem se não tivermos cuidado. Além disso temos que ter cuidado por onde vamos. Ao contrário de outros jogos, aqui a exploração é normalmente recompensada com um inimigo que não estamos de todo preparados para enfrentar. Podemos dizer que os criadores de Pascal’s Wager estudaram bem a lição e mesmo a forma como estes jogos normalmente progridem está bastante bem recriada aqui, com o jogo normalmente a levar-nos em círculos mas desbloqueando novas áreas. Infelizmente o jogo não tem a variedade que gostariamos de ver, o que torna difícil ter uma boa ideia de progressão já que quase todas as áreas são iguais.

O mundo do jogo é deprimente, não no sentido de qualidade mas no de atmosfera. A história acompanha este ambiente enigmático. A inspiração em termos visuais e de design é claramente Warhammer, mas todas estas influências fazem com que o jogo pareça não ter identidade própria. Isto não quer dizer que o jogo não tenha deias próprias. O sistema de sanidade mental por exemplo é único neste género, reduzindo a vida da nossa personagem e aumentando o dano que recebemos quando enfrentamos muitos inimigos seguidos, o que faz com que a nossa personagem perca sanidade. A nossa única opção é descançar ou usar poções. É um sistema interessante que encaixa perfeitamente aqui.

Apesar de a história não ser perfeita, tem os seus momentos. As vozes também não têm a qualidade que gostaria, mas servem o seu propósito. Sabendo da dificuldade do jogo, do género e da dificuldade que é jogar num smartphone, os criadores de Pascal’s Wager criaram um modo fácil que ajuda a aproveitar a história sem grande frustração.

Pascal’s Wager é uma excelente proposta para iOS e Android, mas é um jogo que ainda está longe da qualidade que temos numa consola portátil. A qualidade dos jogos mobile continua a aumentar, mas continuam a faltar experiências imperdíveis e exclusivas. Pascal’s Wager destaca-se pela qualidade, no entanto se fosse lançado no PC por exemplo não passaria de um jogo banal.

Tiago Roque

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