Análise: The Coma 2: Vicious Sisters

O primeiro The Coma foi um jogo que descobri à bastante pouco tempo e que realmente me surpreendeu pela positiva. Estava realmente à espera de uma mistura entre novela gráfica e um jogo de ação com elementos de RPG num sidescroller com um pouco de terror à mistura. Aquilo que rapidamente descobri é que The Coma é bem diferente disso. Tanto o primeiro jogo como o segundo são verdadeiros Survival Horror com um setting bastante único no género. A inspiração é claramente o cinema de terror de origem Coreana, um cinema que se tem tornado cada vez mais popular no género, graças à qualidade dos filmes e orçamentos cada vez mais altos.

A grande maioria dos jogadores irão achar que um jogo com visual anime nunca poderá ser muito assustador, mas The Coma 2: Vicious Sisters consegue ser surpreendentemente eficaz nesse aspecto. Não sendo necessário ter jogado o anterior, este jogo é bastante semelhante ao original, apenas com outro protagonista. Jogamos como Mina Park, uma estudante de Sehwa High e que um dia desmaia depois de uma estranha conversa com a sua professora e outra colega da escola. Quando finalmente acorda, encontra-se numa versão de pesadelo da sua escola, de onde tem de fugir e encontrar explicação para tudo o que lhe está a acontecer. Tudo isto enquanto tenta fugir da sua professora, mas Ms. Song não continua igual, é agora uma versão maniaca e assassina que tenta esfarquear Mina até à morte sempre que a encontra.

À medida que tentamos escapar da escola, vamos também descobrindo um pouco da história e quem são as Vicious Sisters. A conecção ao primeiro jogo é muito ligeira, sendo pouco mais do que o facto de Mina ser amiga do protagonista do primeiro jogo. Além disso partilham tudo o resto, já que The Coma 2: Vicious Sisters  é basicamente uma versão melhorada do primeiro jogo. A jogabilidade mantém-se muito semelhante, com Mina a explorar cada área do jogo para encontrar itens como chaves, cartões, mapas e consumíveis. O jogo promove constantemente o backtracking e antes de avançarmos temos normalmente que explorar quase na totalidade cada área. Isto aumenta também o factor de perigo, já que são os corredores onde normalmente o perigo está à espreita e sempre que temos de viajar entre dois pontos distantes os suores começam.

O jogo tem vários inimigos, mas é Ms. Song que é o ponto a salientar. Tal como no primeiro jogo ela pode aparecer em qualquer lado do mapa e esfaquear-nos. A vida de Mina facilmente desce, mas dificilmente sobe já que os itens são limitados e o espaço no inventário também. No início do jogo não temos nenhuma defesa além de esquivar e correr. Podemos esconder-nos em vários sítios e esperar que Ms. Song saia da área, mas para o fazermos com sucesso temos que conhecer bem o mapa. Correr sem destino irá esgotar rapidamente a nossa energia e ficamos à mercê de Ms. Song ou outro inimigo.

Felizmente os encontros com Ms. Song e outros inimigos não correspondem à maior parte do jogo. Os encontros com inimigos são frequentes mas não roubam espaço ao que eu consideraria o ponto central do jogo, a exploração. Na grande maioria do tempo vamos estar a explorar à procura de itens que iremos depois combinar numas mesas de trabalho e a falar com outras personagens. Para nos dar quests secundárias temos várias personagens e vigilantes fantasmas. Espalhadas pelo cenário estão também notas que nos dão pormenores da história. A história pode ser entendida pelos diálogos, no entanto ler as notas torna a história mais completa e é recomendável.

The Coma 2: Vicious Sisters é tal como o jogo anterior um excelente jogo de terror. É surpreendente o que os criatores conseguiram fazer com um jogo de terror 2D, criando algo realmente único até na fonte de inspiração. Não é um jogo longo e nem todos irão gostar do visual anime/comics mas é sem dúvida um jogo que todos os amantes de jogos de terror deviam pelo menos experimentar.

Tiago Roque

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