Análise: Röki

Röki é um jogo de inspiração escandinava e que é simplesmente adorável. A mitologia nórdica é uma das mais ricas do mundo, cheia de lendas e criaturas a habitar um mundo cheio de magia  e que tem material tanto para épicos de combate, até jogos simples e lentos como Röki. Não há muito no que toca à ação aqui, mas se não têm problemas com isso descubram o mundo de Röki.

A história centra-se numa família, principalmente em dois irmãos, Tove a irmã mais velha e Lars, uma criança adorável que perde constantemente o seu boneco favorito. Os dois vivem com o pai e cedo percebemos que deveria existir mais alguém e se passou algo no passado, mas tudo é deixado um pouco vago. Esta família habita no meio da natureza, numa pequena casa de madeira no meio da montanha. Todo o mundo de Röki parece mágico, mesmo antes de incluir realmente magia. Lars parecia viver num mundo de fantasia que só ele via, mas cedo passamos nós também a ver um mundo de fantasia, com trolls e gigantes. A história centra-se essencialmente no desaparecimento de Lars e com Tove a descobrir todo um mundo novo.

Röki é um jogo com praticamente nenhuma violência. Existem alguns momentos mais violentos, mas nenhum é desencadeado pela mão do jogador. Tove tem sempre uma solução pacífica para todos os problemas e um dos temas do jogo é realmente o comportamente dos humanos no mundo e como podemos chamar monstros a estas criaturas quando o ser humano é capaz de tanta crueldade. Um dos momentos que demonstra isso mesmo é quando encontramos um troll chamado Trollhilde que foi atacado por humanos. Obviamente Tove explica-lhe que esse é o instinto humano, mas faz tudo para a ajudar e ganhar mais um amigo. Este tipo de comentário social é abrangente a todo o jogo e é realmente bem integrado, sem nunca se tornar sequer político. A mensagem é realmente simples, sejam amigos e solidários uns com os outros e com o que vos rodeia. Os monstros que encontramos no jogo são sempre criaturas adoráveis e nenhum se comporta como um “monstro”.

Este é essencialmente uma aventura point and click e ao contrário da grande maioria dos jogos do género que já joguei, os puzzles em Röki fazem sentido. Precisam de fazer uma corda para descer do primeiro andar? Procurei umas toalhas ou lençóis espalhados no quarto, juntem todos e façam uma corda. Têm de assustar alguns corvos? Procurem umas pedras para lhes mandar. Muitos jogos deste género têm uma tendência meio parva para criar puzzles que procuram ser divertidos mas tornam-se completamente ilógicos.

Visualmente Röki é fenomenal. É colorido e com um sentido de design nórdico que lhe dá uma personalidade muito própria. Sem utilizar um estilo cartoon Disney ou Pixar, uma um daqueles estilos Pixel art que faz todos os jogos parecerem iguais, Röki tem exatamente o aspeto que deve ter. Não precisamos de ler nada sobre a mitologia do jogo ou ver alguns inimigos. Aqui basta olhar para o jogo e sabemos logo qual é a fonte de inspiração. Há algo sobre os visuais do jogo que nos faz saltar logo à cabeça que se trata de algo nórdico.

A jogabilidade também é perfeita. Este tipo de jogos funcionam normalmente melhor com rato e teclado, mas Röki funciona realmente bem com um GamePad. Graças a alguns destaques visuais é fácil fazer o que queremos. Podemos ainda carregar no analógico esquerdo para ativar um highlight temporário que nos mostra todos os objectos com que podemos interagir e até diferenciar com que objetos já fizemos tudo o que podíamos e com quais ainda temos algo para fazer.

Röki é composto por três capítulos e enquanto que o primeiro é completamente linear, apartir do segundo capítulo o mundo todo abre-se e Röki acaba por tornar-se uma espécie de mundo aberto. Os locais para explorar no mundo são muitos e podemos saltar entre todos eles facilmente. É nesta fase que o jogo entra numa fase um pouco mais aborrecida. Nesta fase temos de encontrar três guardiões, o que nos obriga a voltar a muitos sítios para resolver puzzles. Os puzzles em si são realmente bons mas durante este tempo parece que a história não avança. Felizmente depois disso o jogo mantém a qualidade e a história fica cada vez melhor.

Röki é um excelente point and click, com uma arte fantástica e um ambiente que não é muito habitual. Sofre de alguns problemas de ritmo aqui e ali mas nenhum deles dura demasiado tempo para prejudicar  demasiado o resultado final. É também impressionante que funcione tão bem com um gamepad, graças a uma UI tão bem desenhada como intuítiva. Se são fãs do género Röki é simplesmente obrigatório.

Tiago Roque

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