Antevisão: Hell Let Loose

Enquanto que a maioria dos grandes franchises fugiu do palco da segunda guerra mundial para depois voltar, o sub-género começou a ser ocupado por outros jogos, não tão conhecidos mas igualmente capazes de simular a guerra mais sangrenta de que temos memória. Hell Let Loose é um jogo ainda em Early Access na Steam que traz consigo uma série de ideias originais que prometem fazer de Hell Let Loose uma experiência diferente da concorrência.

Com um impressionante modo 50vs50, Hell Let Loose coloca os aliados contra o eixo num jogo que mistura uma jogabilidade bastante acessível e única com componentes bastante estratégicos. Os mapas do jogo centram-se nos principais palcos da guerra e podem encontrar mapas baseados nas batalhas de Utah Beach ou Saint-Marie-du-Mont por exemplo. Um dos objectivos dos criadores de Hell Let Loose é poderem expandir o jogo para outras frentes frentes da guerra, como a soviética ou a asiática e africana.

 

Um dos aspetos em que Hell Let Loose se destaca é o sistema de profissões, já que existem 14 classes à escolha, cada uma com as suas fraquezas e pontos fortes mas todo o jogo está muito equilibrado. Podem pensar que as 14 classes não podem fugir muito do que temos normalmente como soldado de infantaria, atirador furtivo, perito em explosivos e médico por exemplo, mas a realidade é que além de todas as classes tradicionais do género, Hell Let Loose conta com classes como comandante que está encarregue da liderança e estratégia ou tripulação de uma equipa de tanques.

O equilíbrio entre estas classes está nas pequenas coisas que as distinguem e mais do que tudo faz com que cada classe seja importante e recompensada. Nunca sentimos que fomos revertidos para segundo ou terceiro plano já que conseguimos realmente sentir que os pontos fortes da nossa classe valem a pena. Hell Let Loose é também um jogo bastante fiel a toda a história real da segunda guerra mundial, nunca misturando armas experimentais ou melhorando a eficácia do armamento da época. Isto nota-se também no fluxo do combate que nunca recompensa jogadores agressivos. A vitória é sempre atingida pela equipa que melhor comunica e melhor conhece o mapa do combate. O realismo de Hell Let Loose vem exatamente destes pormenores e não de retirar a mira ou todos os elementos da UI por exemplo, mas do fiel retrato do combate e das mecânicas da guerra.

Ao contrário da maioria dos jogos do género, Hell Let Loose tem um foco importante nos papeis de liderança e um bom líder pode realmente fazer a diferença. Já muitos jogos tentaram trazer a liderança para um papel jogável, mas nenhum o conseguiu tão bem como Hell Let Loose. Obviamente isto vai sempre depender de quem está a “seguir as ordens” e é quando os jogadores se esforçam um pouco que a experiência de jogar Hell Let Loose atinge um patamar mais elevado.

A jogabilidade de Hell Let Loose é acessível, mas é composta por muita coisa que é difícil de dominar. Podemos apontar e disparar como em qualquer FPS, mas há muito mais aqui para aprender do que simplesmente isso. Infelizmente ainda não existe nada que se pareça com um tutorial no jogo, mas é algo que certamente veremos na versão final do jogo. A forma como ele poderá existir é que não se adivinha uma tarefa fácil, especialmente tornar essa experiência interessante. Há muito para aprender e mais do que tudo era importante encontrar forma de ensinar os jogadores enquanto jogam, mas tal tarefa será difícil.

Além da falta de tutorial, o som ainda precisa de algo mais mas está no bom caminho, sendo que a localização espacial do que acontece na batalha algo que está já a funcionar muito bem. Visualmente é um jogo agradável mas ainda precisa de limar algumas arestas. Não é algo urgente, especialmente porque tecnicamente tudo funciona sem percalços, no entanto há espaço para melhorar.

Hell Let Loose é um excelente FPS da segunda guerra mundial. Há demasiado aqui que é novo e diferente e apesar de existirem aspetos a melhorar é já um jogo que facilmente posso recomendar e um a que gostaria de voltar no lançamento final.

Tiago Roque

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