Análise: Beyond Blue

Beyond Blue é um jogo de exploração aquática que pretende mais do que tudo ser um jogo educacional, ou pelo menos é essa a ideia que passa a quem o joga. O conceito é interessante mas não dá asas a muito em termos de jogabilidade, limitando-se a dar a tarefa de fazer scan aos vários animais que vamos encontrando para preencher aquilo que pouco mais é do que uma caderneta com os animais que já encontrámos e alguma informação sobre eles.

Apesar de pessoalmente achar a jogabilidade um pouco limitada, não posso deixar de encontrar muito de bom em Beyond Blue. É um jogo bonito, utilizando paisagens inspiradas nos documentários da BBC, mais propriamente aqueles gravadas no pacífico ocidental. Utilizando alguma tecnologia futurista e as boas pernas da nossa personagem para nadar, o jogo não nos oferece nenhum perigo para nos preocuparmos, sendo uma experiência bastante relaxante.

O realismo foi sem dúvida o objectivo dos criadores de Beyond Blue e com a excepção de pequenos bugs visuais acho que cumpre essa tarefa em praticamente todos os aspetos. Não posso deixar de achar um pouco estranho nadar ao lado de tubarões e baleias sem o mínimo de perigo, mas os especialistas são os criadores do jogo e não eu, no entanto pelo sim e pelo não eu não recomendo. Se estiverem a nadar e virem um tubarão continuo a aconselhar alguma caução e o melhor será sair da água. Em Beyond Blue por outro lado podem admirar todas estas criaturas de perto e recorrendo a um drone aquático podem examinar todas ainda mais de perto, gravar as canções das baleias e registar a sua identidade única através do desenho da sua barbatana.

O jogo tem uma mensagem muito ambiental e vai aí buscar o seu drama. O jogo tem uma história que dura mais ou menos três horas. Não é muito longa, mas dada a sua qualidade também não gostaria de uma duração mais longa. A história é por ventura o seu pior aspeto e resume-se a uma história completamente descolada da campanha do jogo já que o Alzheimer da avó da nossa personagem por exemplo não tem qualquer impacto nos mergulhos desta por exemplo. Alguns elementos da história têm pelo menos ligação com o tema, falando de coisas como exploração mineira não autorizada e a poluição no mar, mas pessoalmente gostaria de ter algo mais no que toca à história do jogo. Facilmente poderiam ter encaixado algo bem mais interessante, nem que fosse a dar mais destaque ainda a certas baleias do jogo que parecem ter alguma ligação com a nossa personagem. Da forma que está a história pouco oferece além de uma linha para seguir.

Essencialmente Beyond Blue procura ser uma espécie de enciclopédia interativa, mas também não apresenta informação suficiente para o ser, limitando-se a alguns factos e pouco mais. Mais do que tudo gostaria de ter mais para fazer no jogo. O jogo é também bastante estéril, faltando-lhe um pouco de alma, algo que por exemplo Abzû tem muito mais. Por muito que goste da abordagem realista de Beyond Blue não posso deixar de considerar Abzû um jogo muito mais gratificante, oferecendo a liberdade de momentos, a banda sonora e uma direção artística muito superiores ao que Beyond Blue consegue oferecer.

Tiago Roque

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