Análise: Bleeding Moons

Bleeding Moons é uma visual novel criada em RPG Maker e que apesar de não me deixar minimamente entusiasmado por tudo o que li e vi sobre jogo mas que depois de algum tempo a jogar me deixou impressionado. Misturando intriga, escolhas difíceis, e um pouco de fantasia,  Bleeding Moons leva-nos numa aventura épica por uma vida de nobreza. Para um jogo indie do tamanho de Bleeding Moons, os criadores fizeram um bom trabalho ao construir um mundo cheio de intrigas políticas. A maior parte da construção do mundo é feita apenas jogando o jogo e lendo o diálogo, mas há ainda livros espalhados pelo mundo para os mais interessados.

O jogador joga como Ian de Valmain, filho do Conde de Valmain e herdeiro do trono. Por causa de alguns problemas políticos Ian muda-se para um acampamento mercenário para passar algum tempo como soldado, e esta é a base da história. A vida de mercenário muda Ian para sempre e conforme o jogo avança as escolhas de Ian e as suas ações começam a ser ligeiramente cinzentas. Existem muito poucas escolhas simples em Bleeding Moons e quase todas as escolhas obrigam o jogador  a escolher entre o dever, o amor e o seu código moral. Muitas dessas escolhas não trazem nenhuma gratificação e nunca há uma escolha objetivamente boa que possamos fazer.

O jogo tem vários finais quee dependem das escolhas que o jogador fizer durante o jogo. O cenário de Bleeding Moons não é nada extraordinariamente único, mas faz um trabalho fantástico de contextualizar as ações que praticamos no seu mundo, algo realmente impressionante num jogo de RPG Maker. Para jogos deste género o ritmo é extremamente importante, pois pode fazer com que os jogadores percam o interesse na história se for muito lento e se for rápido no final ficamos com uma história que não percebemos. Bleeding Moons tem um bom ritmo mas é muito fácil perdermo-nos em histórias secundárias. A história segue em um ritmo decente e há momentos suficientes em que temos de fazer escolhas importantes para evitar que os jogadores se tornem passageiros na história.

Toda a experiência do Bleeding Moons se resume a diálogo. Existem muito poucas outras mecânicas além de um pouco de exploração. Apesar de ser um jogo de RPG Maker, Bleeding Moons não deixa de ser uma Visual Novel por isso a exploração é pouca e a história é o ponto central. O diálogo e as conversas em Bleeding Moons não são maus mas não ganhará nenhum prémio pela sua escrita. Como ponto de partida, além da narrativa central, a maioria das outras é centrada em temas maduros. Durante o jogo, temas mais fortes são abordados como forma de tornar o jogo mais adulto e de reforçar a ideia de que o mundo de Bleeding Moons não é um lugar agradável. Bleeding Moons conta uma história deprimente e sombria de dever, amor e as tensões que vêm junto com isso.

Visualmente podem imaginar que usando o software RPG Maker o resultado é um jogo muito ligado ao visual dos Finan Fantasy clássicos, algo que pode parecer realmente estranho para uma Visual Novel. No entanto os assets são todos detalhados e de alta qualidade, mas não são visualmente distintos de outros jogos que usam o mesmo motor. O objetivo do jogo é contar uma história, então os gráficos não são o aspecto mais importante da experiência e existem algumas cutscenes interessantes com boa arte que ajudam a elevar um pouco os “valores de produção” de Bleeding Moons.

Pessoalmente não esperava muito de Bleeding Moons mas a história interessou-me o suficiente para recomendar o jogo a quem gosta do género. Não tem a arte altamente detalhada que outros jogos têm, mas oferece alguma exploração e alguns temas mais adultos que a concorrência e isso irá certamente marcar pontos para muitos jogadores.

Tiago Roque

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