Análise: Jessika

Jessika é uma aventura FMV, com videos reais, em tudo semelhante a Her Story, com a diferença de que Her Story é um jogo bastante mais simples de perceber. A história em si de Jessika é interessante e as performances da atriz do jogo apesar de não serem memoráveis têm bastante qualidade. Obviamente não vim à procura de algo merecedor de um óscar e não fiquei desiludido. A única coisa que poderia estar melhor neste aspeto é que todos os vídeos são em alemão, mas existe a possibilidade de dobrar em inglês, o que deixa tudo com um pouco estranho, especialmente para mim que odeio dobragens. Infelizmente deixar o audio original também não funciona já que não percebo alemão e não me quero limitar ao pequeno texto que existe perto do video.

A nossa personagem trabalha para uma empresa de hackers éticos chamada “Flor Branca” e a premissa é a de que somos um hacker que se dedica a uma espécie de trabalho de detetive, neste caso o seu caso é o de um estranho suicidio que o pai da vítima pede para investigar já que parece ter aparecido do nada. É um mistério que se vai desenrolando muito na mesma onda de Her Story já que apesar de termos alguns pormenores de “hacking” o jogo resume-se a procurar por palavras e ver videos que além de nos darem pistas sobre o que aconteceu a Jessika, nos dão pistas sobre que palavras procurar a seguir. Além da área onde procuramos por palavras e vemos os videos que Jessika tinha no seu servidor existem outras aplicações no computador da nossa personagem, como um chat e aplicação de email, onde recebemos mensagens de amigos e colegas da nossa personagem por exemplo.

À medida que vamos trabalhando para descobrir o que se passou com Jessika o nosso foco principal é o ecrã do portátil do jogo, que é cercado por uma cena externa desfocada, com tráfego e pessoas já que como percebemos por uma conversa no chat, estamos num café onde a personagem costuma ir. Não há algo como uma banda sonora mas podemos tocar algumas músicas que encontramos no computador. Em termos de apresentação não é um jogo muito elaborado. O ambiente inspirado no MacOS é engraçado e os menus a que temos acesso têm bom design e no geral há um certo sentimento de imersão no jogo. Os videos curtos são de alta qualidade e filmados em vários locais, principalmente na casa de Jessika e um ginásio. A história é bastante adulta tocando em temas sérios que não deveriam ser preocupações para ninguem menor de idade.

A ferramenta de descriptografia é o principal método para descobrir, desbloquear e ver arquivos encontrados no computador de Jessika. Ao inserir uma tag de pesquisa, o software faz referência cruzada aos itens no PC de destino e exibe o que foi encontrado. Alguns arquivos podem ser visualizados assim que são descobertos, enquanto outros exigem que termos de pesquisa adicionais sejam inseridos antes de se tornarem visíveis. O jogo não indica este sistema muito bem e foi bastante confuso perceber o que o jogo queria realmente que eu fizesse. No início o jogo informa-nos que existem diferentes níveis de dificuldade de cada arquivo, e que os mais difíceis requerem que sejam inseridos mais tags. Na realidade é bastante simples e basicamente temos de inserir uma palavra-chave na ferramenta com base nos arquivos que examiná-mos até agora e, se estiver correta, o software mostra quais arquivos relacionados ele encontrou e, em alguns casos, desbloqueia arquivos previamente marcados a cores diferentes.

Decidir o que inserir como tag obriga-nos a prestar atenção aos arquivos que já vimos antes e inserir as palavras-chave que se destacam. Assim que encontramos uma primeira palavra que funcione conseguimos normalmente encontrar algo que se destaca para procurar de seguida. Além disso existe uma função de notebook facilmente acessível integrada ao jogo para que se possa anotar as palavras possíveis à medida que avançamos sem perdermos a pesquisa atual. Os ficheiros começam por ser incógnitos ficheirso cinzentos mas assim que os tocamos uma vez ganham um thumbnail e um nome sequencial o que nos ajuda a perceber se nos faltou um video na sequência por exemplo.

Tal como Her Story este não é um jogo ideal para quem gosta de finais definitivos e sem margem para interpretação já que é tudo deixado um pouco em aberto. Jessika não é um jogo muito original por causa da existência de Her Story, no entanto é um jogo que nos apresenta uma boa história e uma forma de apresentação com pormenores interessantes. Se gostam de aventuras FMV é um jogo bastante interessante, caso contrário não é este o jogo que vos irá converter.

Tiago Roque

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