Análise: Nexomon: Extinction

Nexomon: Extinction é a sequela de Nexomon um jogo lançado para plataformas móveis e que chegou ao PC ao pouco tempo, quase ao mesmo tempo de Nexomon: Extinction. É também quase impossível falar de Nexomon: Extinction sem o comparar a Pokémon visto que é em tudo semelhante. Há jogos que gostam de esconder as suas influências, mudando a temática, revolucionando a jogabilidade e tentando fazer o possível para se afastar do material que o inspirou. Nexomon: Extinction por outro lado não faz nada para esconder as suas influências. O jogo começa com a nossa personagem, uma criança que se quer tornar um treinador de Nexomon, a dominar o seu primeiro Nexomon. Para salvar o mundo precisamos de percorrer o mundo, evoluindo os nossos Nexomon e capturando mais.

Aquilo que mais surpreende em Nexomon e na sua sequela Nexomon: Extinction é a sua capacidade de ser mais Pokémon do que os próprios jogos Pokémon mais recentes. As influências são muitas e este é um daqueles jogos que facilmente podemos classificar como um clone mas além de pegar em dois ou três pormenores que os criadores acham que funcionariam melhor de outra forma, Nexomon: Extinction oferece um mundo que não é genérico e nos deixa com vontade de explorar. Por agora os criadores poderiam lançar um novo no próximo ano que esse ainda me deixaria interessado.

A história de Nexomon: Extinction começa de forma muito semelhante à de um qualquer Pokémon, muito terra a terra desde que aceitemos a existência destas criaturas, mas ao contrário dos jogos de Pokémon onde raramente é o futuro do mundo que está em causa, aqui está muito mais em causa. Todo o jogo é um pouco mais exagerado que qualquer Pokémon que tenham jogado antes, mas isso também se reflete no bom sentido. O jogo é objetivamente mais rápido de jogar do que os jogos Pokémon recentes, especialmente porque se trata de um jogo 2D com menos efeitos visuais e isso é uma mudança que pessoalmente adorei. Em vez de gastarmos 10 segundos para curar os nossos Pokémon no centro, gastamos 2 para curar os nossos Nexomon e somado às transições entre o mundo que exploramos e o ecrã de combate ao fim de uma hora de jogo já poupámos uns 10 minutos que gastámos a jogar. Nexomon: Extinction também não tem a quantidade de diálogos que Pokémon tem, mas por outro lado tem imensas quests secundárias que podemos completar espalhadas pelo mundo.

O combate de Nexomon: Extinction é ligeiramente mais desafiante do que o do jogo que o inspirou. Algo que é muito complicado de fazer aqui é utilizar apenas uma criatura, algo que podemos facilmente fazer no jogo da Nintendo dado que é muito fácil subir o nível de um dos nossos Pokémon até ser muito mais poderoso do que tudo o que encontramos. Nexomon: Extinction também mantém mais ou menos os Nexomon adversários ao nível médio da nossa equipa, o que faz com que não possamos por exemplo voltar a uma zona por onde já passámos e encontrar criaturas que derrotamos com um ataque. Isto pode parecer tudo bom mas tem um efeito negativo já que torna o combate muito mais lento do que em Pokémon. Os criadores de Nexomon: Extinction fizeram muito para acelerar tudo o resto, mas numa tentativa de diferenciar o combate acabaram por criar um jogo que tem um ritmo muito semelhante já que o tempo que ganhamos em tudo o resto acabamos por gastar no combate, que na minha opinião é o menos interessante de fazer neste tipo de jogos.

Os Nexomon são criaturas muito variadas e em Nexomon: Extinction existem mais de 380 para encontrar. Nenhuma das criaturas tem um mau design mas algumas destacam-se pela qualidade. Muitos dos Nexomon iriam sentir-se facilmente em casa em qualquer um dos jogos da Nintendo. As semelhanças entre os dois jogos abrangem até os elementos que além de serem essenciais no combate também no design têm um papel essencial. O mapa do jogo é ligeiramente maior do que o dos jogos da Game Freak, ou pelo menso foi com essa ideia que fiquei já que os caminhos entre cidades são muito maiores. Se pensam que a progressão é muito diferente da de Pokémon estão também muito enganados já que em cada uma destas cidades irão ter de derrotar um “boss” tal como temos de derrotar os “Gym leaders” em Pokémon.

Tendo em conta que Nexomon: Extinction é muito inspirado nos jogos mais antigos da série Pokémon não é de estranhar que não exista qualquer modo multijogador no jogo. Isso era algo que seria muito interessante, especialmente porque o sistema de combate tem espaço para suportar modos online, mas por outro lado considero que o facto de os criadores não se terem preocupado com um modo online acaba por beneficiar o resultado final. Nexomon: Extinction não esconde as suas influências, chega até a brincar com tudo o que aceitamos neste género de jogos sem questionar tal como entrar em casas de estranhos sem razão aparente nem que estes achem estranho. Nem tudo o que tenta fazer funciona da melhor forma mas muito do que tenta funciona. Nexomon: Extinction consegue também por incrivel que pareça ter uma personalidade própria e oferecer um mundo memorável ao que queremos voltar.

Tiago Roque

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