Análise: The Revenant Prince

Os RPGs por turnos mais tradicionais têm perdido muita da popularidade que em tempos tiveram. Final Fantasy e mais um punhado de sagas mantiveram-se populares mas a quantidade de novos jogos de grande perfil do género foi ficando cada vez mais pequena. Novos temos apenas lançamentos indie mas ocasionalmente encontramos muitas pérolas escondidas no meio destes lançamentos e The Revenant Prince é uma dessas.

The Revenant Prince apresenta aos jogadores Troy, um soldado do Império Lumeriano que tem como objetivo  unir o mundo sob um só dominio. Troy luta apenas com sua consciência, mas com uma estranha sensação que não sabe de onde vem nem o que significa. Durante a narrativa, uma voz acompanha a busca de Troy e tenta influenciar as suas ações e isso cria uma dinâmica dentro da história que coloca o jogador a decidir o seu próprio futuro. Logo no início temos a chance de fazer uma escolha num dilema moral em que podemos matar um civil inocente ou poupá-lo. Isso muda o curso da história, dependendo da escolha que se fizer e praticamente todas as personagens nos dão a oportunidade de escolher. Escolhas do jogador no género RPG não é nada de novo, mas a forma como The Revenant Prince incorpora isso no combate é realmente interessante.

O combate em si é onde as coisas ficam ainda mais interessantes. As batalhas acontecem em encontros de tempo ativo em vez de um combate por turnos mais tradicional, forçando o jogador a agir rapidamente. Temos três slots de arma que podemos alternar e cada ação esgota o BP, que é representado numa barra. Cada arma tem três movimentos diferentes,  um golpe leve, mas rápido, que consome pouco BP, um ataque médio que usa um pouco mais de BP e um ataque especial que usa uma boa quantidade de BP mas inflige muito mais dano.  Cada arma tem diferentes movimentos, atributos, uso de BP e “cooldown” a serem considerados. Começamos primeiro com uma arma corpo-a-corpo, uma arma de longo alcance e um escudo e à medida que adquirimos mais armas podemos personalizar o equipamento um pouco. O escudo em particular é efetivamente muito importante á que ao enfrentar um grupo de inimigos, podemos ser tombados com dois tiros se não nos progermos e isso exige bons reflexos.

The Revenant Prince não é um jogo fácil de começar. É um jogo intimidante no início e apenas quando começamos a entender como abordar as batalhas, as coisas se tornam mais acessíveis. Existem alguns itens que podem reanimar a personagem por exemplo que tornam as mortes prematuras menos assustadoras. Felizmente o jogo dá-nos a possibilidade de reiniciar um combate em vez de regressar a um ponto guardado, algo que por vezes temos de fazer na mesma quando não temos realmente “poder” suficiente para avançar mas ajuda-nos a repetir combates que simplesmente nos correm mal.

Cada um destes sistemas faz com que o combate de The Revenant Prince seja realmente interessante. A variedade dos inimigos infelizmente não é muitas e as batalhas podem ser um pouco demoradas, demorando um pouco para derrotar os inimigos, e embora seja compreensível em combates principais, é menos em combates normais. O combate é realmente bom, mas tornar os inimigos um pouco menos resistentes tinha tornado tudo um pouco melhor. Um elemento que ajuda a aliviar a frustraçãoo é o item que obtemos desde o início que permite ajustar a frequência dos combates. Se estiverem fartos de combates e quiserem fazer uma viagem pelo mapa podem ajustar o jogo para terem poucos combates e se tiverem à procura de combater mais frequentemente para ganhar experiência também podem fazer isso.

A nossa personagem ganha níveis como na maioria dos RPGs, mas também podemos tornar a personagem mais forte adicionando esferas à grelha de esferas em três categorias, ataque, defesa e utilidade. Também podemos melhorar as nossas armas e armaduras no ferreiro. Itens raros são necessários para cada melhoramento por isso temos de rever as nossas prioridades. A jogabilidade fora do combate é mais rápida na maioria dos RPGs do género que já joguei, graças a uma tecla de sprint que faz a personagem simplesmente voar pelo ecrã.

The Revenant Prince é sem dúvida um bom RPG, com uma longevidade perfeita e uma boa história, mais negra e adulta que a maioria dos jogos do género. Sofre de alguma falta de polimento que nos habituámos a ter em jogos de estúdios maiores, mas o resultado não deixa de ser muito satisfatório e recomendado. Visualmente é também um jogo extremamente bonito, utilizando um visual 2D que está longe de ser genérico.

 

Tiago Roque

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