Antevisão: Dreamscaper

O género roguelite é talvez um dos mais comuns dentro da cultura indie. Por cada dez jogos indie que me passam pelas mão talvez metade sejam roguelites e sinceramente não me posso queixar. Não posso dizer que adore todos os jogos do género, mas quando bem feitos é um dos géneros que mais gosto de jogar. No smartphone por exemplo aquilo que mais tenho jogado é Archero, um roguelite, por isso podem ver que tenho alguma atração pelo género. Dreamscaper é um dos jogos do género mais interessantes que joguei nos últimos tempo e talvez quando for finalmente lançado seja um dos melhores que já joguei. Aquilo que Dreamscaper começa por oferecer melhor do que qualquer jogo do género que joguei é a sua história. Deixem de lado tudo o resto, a história é um elemento muito importante para mim e normalmente é algo que tenho de deixar de lado no género, mas aqui esta componente é realmente forte.

Cassidy é a nossa personagem, uma rapariga deprimida que se muda para a cidade para tentar encaminhar a sua vida. Durante o “dia” vamos conhecer Cassidy e as personagens que vai conhecendo. Cassidy vai criando amizades durante o tempo que está acordada, andando pela cidade, mas à noite ela entra no mundo dos sonhos e é aqui que gasta toda a sua energia e esta é mecânica base que permite a Dreamscaper oferecer níveis gerados aleatóriamente em que começamos sempre de novo ao bom estilo roguelite mas de uma forma que faz sentido e que permite interligar uma história complexa e interessante.

Dreamscaper oferece mais do que tudo uma história adulta e com a qual nos conseguimos relacionar. Não é fácil encontrar jogos assim. Por vezes podemos encontrar paralelos com uma ou outra personagem, mas normalmente os jogos são um escape, um sitio onde podemos ser aquilo que não podemos ser na vida real, o herói. Mas aqui encontramos isso mas também personagens bastante humanas e com as suas falhas e problemas. Não é facil encontrar estes elementos à primeira vista, especialmente porque o jogo tem uma estética bastante interessante também, muito inspirada no surrealismo e muito colorido, se bem que também muito melancólico.

A apresentação do mundo de Cassidy é fantástica. Seja visualmente como em termos de audio, há aqui muito para apreciar. Como Dreamscaper é ainda um jogo em Early Access há muita coisa a faltar, ou pelo menos eu acho que ainda falta, como vozes e alguns efeitos audio. Em jogos em Early Access é relamente difícil saber o que falta e o que não existe propositadamente. Por vezes penso que faltam vozes e o jogo não as tem por exemplo, mas aqui senti falta de uma boa dobragem. Dreamscaper é no entanto já um jogo de uma beleza rara, com o poder do Unreal Engine a potenciar a criatividade e imaginação dos seus criadores.

Mas o mundo de Dreamscaper não é apenas belo já que o mundo dos sonhos é um lugar perigoso. Aqui precisamos de todas as armas e técnicas de combate que conseguirmos arranjar. É também aqui que entram os elementos roguelite que tão bem conhecemos. O sistema de combate é bastante fluido mas centra-se essencialmente em dominar o timing do combate, tentando atacar e contra-atacar na altura certa e dominar o tempo de parring. Ao bom estilo roguelite vamos de área em área a derrotar inimigos e a encontrar armas e outros itens. Aquilo que não é muito normal no género mas existe aqui, são áreas com puzzles, algo que é muito bem vindo ao género, retirando o foco total no combate que normalmente existe. No final de cada “sonho” temos um combate final contra um boss e depois disso podemos continuar a sonhar ou acordar, mas por muito que tentemos havemos de perder e é aí que voltamos ao quarto de Cassidy para gastar os pontos que ganhámos e para vaguear pela cidade novamente. O jogo limita o tempo que podemos andar pela cidade, por isso convém aproveitar ao máximo para melhorar a nossa amizade já que atingir o máximo traz consigo vantagens para o mundo dos sonhos.

 

Dreamscaper é um jogo a que irei regressar para uma análise no futuro já que o jogo tem ainda muito espaço para melhorar e ficou ainda muito para dizer e explicar, desde a contrução de presentes para aumentar o nível de amizade com os NPCs da cidade ou a forma como estas conversas nos dão buffs no mundo dos sonhos. É um jogo que está num estado já bastante avançado de desenvolvido e que recomendo bastante, especialmente a quem gosta do género.

Tiago Roque

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