Análise: Close to the Sun

Close to the Sun é um jogo de aventura de exploração que explora um mundo onde a história tomou um rumo diferente e onde as ideias de Nikola Tesla foram colocadas em prática. A atmosfera é a característica mais forte de Close to the Sun com cada um de seus 10 capítulos a levar a protagonista Rose a uma seção diferente de Helios, um enorme navio flutuante no meio do oceano. Apesar de acontecer inteiramente num navio, cada área tem uma aparência única, o que ajuda a manter o jogo fresco apesar de não existir muito em termos de progressão além da história. Existem muitos momentos assustadores no jogo, mas também muitas alturas em que não se passa nada, existindo um equilibrio entre os momentos do jogo já que apesar de os momentos de ação acordarem o jogador é nos outros que Close to the Sun se destaca, criando um mundo interessante para o jogador conhecer.

As personagens do jogo ajudam a manter o ritmo e o humor do jogo, mas são também menos o elo mais fraco em todo o jogo. Rose é uma protagonista interessante, tendo direito a uma muito boa escrita, mas Aubrey, uma das personagens secundárias e uma cientista que fala com Rose remotamente durante a a história, é a personalidade que se destaca. Ludwig por outro lado destaca-se pela negativa. Ludwig é um louco assassino com uma faca que embora forneça as melhores sequências de terror em todo o jogo, as suas motivações não são muito exploradas e ficamos com um antagonista bastante coxo em termos narrativos. Ele culpa Rose pelas coisas que acontecem a bordo de Helios, mas nunca percebemos porquê. A realidade é que num mundo com tanto potencial acabamos com uma trama principal um pouco fraca.

Close to the Sun passa-se num século 18 alternativo, onde as invenções de Tesla impulsionaram a humanidade para uma nova era de iluminação científica, mas as experiências de Tesla dão terrivelmente errado e as pessoas começam a morrer. Esta premissa cria alguns pontos intrigantes mas o jogo não nos explica a grande parte. É como se os criadores tivessem esta excelente ideia e pensassem, “e depois?” e não tivessem resposta, deixando o jogador com o papel de imaginar o resto. O jogo tem muita boa imaginação em muito do que existe para criar o seu mundo mas muito é também demasiado superficial.

Apesar de toda essa superficialidade, a principal reviravolta na história de Close to the Sun é tão óbvia que não é realmente uma surpresa. Isto ajuda a criar alguma tensão já que ficamos à espera de algo que já sabemos que vai aocntecer mas também deixa o jogo sem mais nada para nos surpreender até ao final. Close to the Sun também tem problemas fora da história. Existem muitos “jump scares” sem motivo aparente. As animações das personagens são rígidas e demasiado repetidas e as texturas dos monstros são fracas. O jogo também não é perfeito em termos técnicos, com alguma tentidão sem razão aparente. Além disso, embora o generoso sistema de checkpoint do jogo funcione geralmente bem o jogo nem sempre nos devolve à vida no momento certo, criando situações em que morremos e voltamos a morrer.

Close to the Sun acaba por ser um jogo que tem principalmente um problema de potencial não aproveitado. A premissa base é realmente muito forte mas depois não parece saber exatamente o que fazer com ela. A realidade é que a ideia poderia perfeitamente ser aproveitada para outro jogo, com ideias mais maduras e que não deixassem tanto ao cuidado da imaginação dos jogadores.

Tiago Roque

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