Análise: Godhood

Os chamados god games são um dos géneros mais populares dos jogos de estratégia. Jogos como Black & White ou Populous são clássicos, ambos vindos da mente de Peter Molyneux. Godhood segue muitas das mesmas ideias dos jogos que inspiraram a sua criação, especialmente os jogos mais modernos e também tudo o que o estúdio aprendeu a criar os jogos anteriores como Reus.

Godhood começa à milhares de anos, nos primordios da humanidade onde as civilizações eram muito menos, bem, civilizadas. O objectivo do jogo é criar a nossa própria religião, criando pequenos milagres e influenciando as suas primitivas mentes apenas um pouco para que a fé em nós cresça, assim como o nosso culto e número de seguidores. Nem todos os caminhos são pacíficos e para nos tornarmos a derradeira religião do mundo não podemos apenas ajudar os nossos crentes, temos também destruir a fé dos outros. Fazer isso envolve esmagar a  concorrência e garantir que nós somos o único deus verdadeiro ao recolher artefatos poderosos, espalhados pelas ilhas vizinhas.

Para iniciar sua jornada o domínio religioso, primeiro precisamos de criar o nosso Deus e religião. Há muita varidade de opções selecionáveis ​​para fazer o nosso Deus da forma que queremos, desde tentáculos inspirados na literatura de Loveraft até outros inspirados nas várias religiões que existiram pelo mundo real. Essencialmente, nesta área temos  a liberdade de criar a religião que deseja, bem como selecionar as características que a definem. Os traços base da religião podem ser bons ou maus, a realidade é que muitos deuses antigos não eram propriamente bondosos e enquanto que podemos escolher paz e bondade como a base da nossa religião, também podemos escolher guerra ou loucura.

Aquilo que escolhermos anteriormente irá ser o que irá definir a forma como vamos abordar toda a campanha do jogo.Quanto ao cultivo de uma religião, a raiz do desenvolvimento está na comunidade que governamos. Ao liderá-los na direção certa podemos liderar acólitos em combate para converter outras comunidades à nossa religião. Com os despojos de guerra iremos atualizar ainda mais a nossa civilização com a nossa religião no centro e nós como deuses.

O combate em si é relativamente simples e envolve pouca interação do jogador, além de selecionar os guerreiros certos para nos representar em batalha não há muito mais que possamos fazer. No geral a campanha baseia-se em sermos um deus que influência mas não controla. A mecânica principal a ter em conta no combate é uma espécie de sistema de combinação, onde certos acólitos serão proficientes em uma característica específica e cada um dos é forte contra um elemento diferente e fraco contra outro. Não é um sistema de todo estranho a quem costuma jogar o que quer que seja já que jogos desde Pokémon a Magic The Gathering usam algo semelhante.

Existem várias maneiras de desenvolver as componentes do jogo. A experiência é adquirida ao completar  combates e  é usada para melhorar habilidades usadas em combate. O segundo é através do treino que pode ser concluído no tempo de inatividade antes das sequências de luta e é usado para aumentar o nível de características específicas das personagens. Além disso, as personagens envelhecem e quando ficam velhos, morrem, o que significa que precisamos de um fluxo constante de sangue novo a ser treinado constantemente. Existem também várias  relíquias para ganhar e usar que elevam certos aspectos do jogo e muitas oportunidades para aumentar e melhor ainda mais a nossa religião e adicionar novas características ao que já estava disponível.

O principal problema de Godhood é que muito do que compõe o jogo é  aleatoriamente e muitas vezes pode ser difícil seguir o percurso que delineámos. Logo desde o início em que escolhemos a característica principal da nossa fé que estamos a jogar com dados já que podemos ter sorte ou azar com os nascimentos que vão substituindo os anciãos que vão morrendo por exemplo. Por também conquistar uma ilha e ver as próximas áreas disponíveis e perceber que todas elas funcionam contra, ou desfavoravelmente para as característica da nossa religião, o que é um golpe duro na maior parte das vezes.

Dito tudo isto, Godhood não deixa de ser um jogo divertido. É um jogo que nos dá muito controlo na maioria dos aspetos, revertendo alguns para a sorte. A jogabilidade pode no entanto não agradar a todos os jogadores já que o jogador em si não tem muito para fazer, sendo um jogo onde o planeamento é o essencial e o jogador passa bem mais tempo a pensar do que a jogar.

Tiago Roque

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