Análise: Going Under

Não me canso de dizer que os roguelikes são dos meus jogos favoritos. Atualmente existem roguelikes de todos os temas, formatos e feitios e cada um traz normalmente algo de novo para o género. Muitos roguelikes seguem um modelo semelhante e podemos sentir por vezes que jogamos o mesmo jogo vezes sem conta, mas nem todos abusam das mesmas ideias. Eles partilham algumas ideias e mecânicas, assim como elementos de design e jogabilidade, mas outros são muito diferentes e fazem as coisas de maneira realmente diferente. Going Under é um exemplo de originalidade, já que é basicamente um dungeon crawler com um layouts de níveis aleatórios para explorar, itens para apanhar e upgrades para escolher mas com uma temática e visuais completamente atípicos.

Em Going Under jogamos como Jackie Fiasco, a nova estagiária da Fizzle, uma empresa que fabrica bebidas com gás que são substitutas de refeições. É propriedade da Cubicle, um enorme grupo tecnológico que serve de incubadora de pequenas startups e não tem medo de encerrá-las se não tiverem um bom desempenho. O chefe de Jackie começa por a introduzir na empresa mas a sua primeira tarefa é  limpar os níveis mais baixos do edifício, que estão ocupados por outras empresas que faliram que basicamente são monstros.

A ideia em si pode parecer estranha mas um dos maiores pontos fortes do jogo é a sua apresentação e escrita. Todos os colegas de Jackie têm uma personalidade única e divertida e o diálogo contém muito material engraçado. As conversas fluem como uma app de mensagens e a temática moderna e cooperativa que brinca com o “lingo” de Silicon Valley é realmente engraçada. Existem apenas três “masmorras”, representadas pelas três empresas que faliram e que constituem os andares inferiores de um bloco de escritórios e cada uma delas é repleta de vilões e armas temáticas. Joblin é o primeiro nível e o mais fácil dos três, enquanto os outros dois locais se abrem conforme avançamos no jogo.  Going Under é um jogo bastante desafiante e mesmo esta primeira área apresenta os seus desafios.

Conforme descemos os níveis da masmorra, encontramos várias salas geradas aleatoriamente e maioria contém alguns inimigos para derrotar e cada nível contém uma loja e algumas outras salas para descobrir. Podemos encontrar uma sala de armazenamento com a opção de duas atualizações ou uma sala com um desafio opcional e objetivo final para cada masmorra é chegar ao quarto andar e derrotar o boss. É uma estrutura bastante semelhante ao que encontramos dentro do género mas que funciona.

O combate é bastante original também já que apesar de existirem armas para encontrar, o jogador pode pegar praticamente qualquer coisa para atacar os inimigos. As armas e objetos infelizmente quebram  rapidamente, então somos forçados a  rapidamente encontrar alternativas, usando o que estiver ao nosso alcance contra o inimigo. Os ataques são simples e basicamente usam apenas um botão, uma mecânica de bloqueio e a capacidade de lançar tudo o que estivermos a usar como arma. O resultado é um sistema de combate divertido, mas onde nos sentimos um pouco perdidos por vezes, especialmente quando lidamos com grupos grandes de inimigos e sentimos falta de um ataque especial por exemplo.

As melhorias que vamos encontrando pelo caminho podem fazer uma grande diferença e podem-nos ajudar nas lutas em alguns casos. Há muito para descobrir e além de todas as melhorias que vamos encontrando podemos utilizar moedas que encontramos nas masmorras para quando melhorias adicionais. Existem algumas ideias muito interessantes em Going Under como a personagem vampiro que oferecer ao jogador alguns itens e upgrandes  excelentes, se aceitarmos uma maldição temporária, algo que Archero  para mobile também faz. Cada uma das três masmorras é muito diferente, não apenas esteticamente, mas também nas suas mecânicas, oferecendo atividades diferentes por exemplo. No entanto, existem apenas três masmorras e acaba por saber a pouco. Muitos jogos do género são curtos mas vão crescendo com o tempo, abrindo nossas possibilidades e Going Under faz isso mesmo, mas mesmo assim o seu conteúdo acaba em apenas 10 horas se forem bons no jogo.

Going Under é um roguelite que troca alguma da profundidade do género por uma experiência mais leve mas divertida e diferente. A longevidade podia ser um pouco maior mas mesmo assim há muito conteúdo aqui para explorar. Gostaria que fossem mais do que 10 horas, mas isso também irá depender muito da experiência de cada jogador.

Tiago Roque

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