Análise: Lovingly Evil 

Lovingly Evil é um “dating sim” com uma temática bastante original, passado num universo onde os vilões se reunem todos numa conferência e onde partilham experiências e lições de como dominar o mundo ou espalhar uma praga ou uma pesta. Agora que penso nisto, isto era exatamente o que se passava no filme Minions por isso esqueçam a parte do original. O jogador é um novo vilão que participa na conferência com a esperança de tornar seu primeiro golpe memorável e para isso começamos com a personalização da personagem. Existem várias opções para escolher e criar um vilão com o qual desejamos jogar. Há uma variedade de opções decentes a muitas para os vários recursos que podemos escolher. A primeira coisa que me chamou à atenção é a atenção em tornar tudo muito genérico e neutro. Não podemos escolher um género por exemplo e se realmente quiserem uma personagem masculina vão ter que andar a pescar por opções que deixem a personagem dessa forma.

Todo o jogo é bastante virado para um público LGBTI e isso nota-se bastante. Não é algo que me faça qualquer confusão mas acho importante salientar. Além de escolher a aparência, também escolhemos o plano de fundo. Que tipo de vilão somos e o que nos tornou um vilão e até aquilo que consideramos a nossa primeira conquista. Sinceramente gostaria de ver um pouco mais de opções neste aspeto mas não deixa de ser interessante. Menos interessante é o facto de muitas das opções estéticas não funcionarem em conjunto. Podemos por exemplo misturar cornos com tipos de cabelo e brincos mas tudo se sobrepõe simplesmente.

Tal como em qualquer “datin sim” não vamos ficar na conferência apenas a ouvir, já que objectivo é falar com as outras personagens e encontrar o amor. Existem cinco personagens que com quem a nossa pode namorar, com a maioria delas tendo finais múltiplos com cenas diferentes dependendo das escolhas de diálogo que fizemos enquanto falámos com eles.  Todas as personagens são muito colorias mas novamente repito que o jogo é bem mais indicado por um público LGBTI e sinceramente nenhuma das personagens existentes como “love interest” fazia sentido para o que eu tinha em mente para minha personagem. Não tenho nada contra a importância que o jogo dá a esse público alvo mas não acho de todo o jogo inclusivo. Considerando que esta é uma conferência que dura quatro dias, há um pequeno foco na gestão do tempo. As opções de diálogo que podemos escolher para conhecer melhor as personagens podem ter uma estrela, que indica que algo importante vai acontecer ou um relógio que indica que vai passar uma hora. Em termos de diálogo não grande gestão a fazer, podemos falar até não termos mais opções de diálogo mas existem alguns eventos que ocorrem a certas horas e se nos perdermos em outras tarefas perdemos esses eventos.

Cada personagem tem o seu próprio minijogo que aparece de vez em quando e neste aspeto o jogo não mantém grande consistência já que alguns são divertidos e outros simplesmente não são nem bons nem maus, são tarefas para cumprir e não deixam qualquer impacto no jogador. Uma das personagens é Satanás e o seu minijogo é uam espécie de churrasco em que recebemos pedidos, grelhamos um pouco de carne de acordo com as especificações do cliente e damos os toques finais com coberturas. Este minijogo não podia ter aparecido em pior altura já que um dos últimos jogos que joguei foi Cook, Serve, Delicious! 3?! e senti a diferença de qualidade. É óbvio que nunca era suposto sem equiparável mas bem, senti a diferença. Imperia tem um jogo de cartas interessante que é talvez o melhor de todos. É jogo de cartas que é uma mistura de pedra, tesoura de papel e pôquer e ocorre sempre que há uma discussão com alguém. Cada carta se enquadra no naipe Emocional, Agressivo ou Lógico e tem um número. O vencedor depende do naipe e se houver empate, o vencedor é aquele que tiver o maior número na carta. Felizmente há uma opção para desligar os minijogos que não gostamos e isso sinceramente é ótimo para mim.

Lovingly Evil é um jogo com bastante qualidade, mas tem uma vertente muito forte LGBTI que fez com que não conseguisse tirar grande proveito do jogo. O público alvo é esse e é bom ver diversidade nos lançamentos de jogos novos. Da mesma forma que me senti excluído neste jogo tenho a certeza que eles se sentem da mesma forma em praticamente todos os outros jogos do mercado. É também bom ver que não é um jogo em que esta vertente LGBTI é o único trunfo, sendo um “dating sim” bastante competente com uma temática bastante única.

Tiago Roque

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