Análise: Plebby Quest: The Crusades

Se há um jogo invejável em termos de profundidade da jogabilidade e liberdade de ação, esse jogo é Crusader Kings. Crusader Kings 2 é um dos melhores jogos de estratégia alguma vez lançados e o facto de o jogo base ter passado a ser gratuito à algum tempo torna quase imperdoável nunca ter pelo menos experimentado o jogo. Crusader Kings 2 é também um jogo altamente complexo e que pode não ser para todos os jogadores. Dito isto posso dizer que Plebby Quest: The Crusades é um jogo muito semelhante a Crusader Kings mas sem o nível de dificuldade característico desse jogo. É também um jogo largamente inferior, mas o facto de ter pegado na jogabilidade de Crusader Kings, simplificado tudo consideravelmente e adicionar-lhe uma grande dose de humor pode fazer de Plebby Quest: The Crusades um jogo inferior em qualidade mas muito mais apelativo a um público mais casual que queira uma experiência semelhante sem ter que gastar 10 horas apenas a perceber como jogar.

Plebby Quest: The Crusades é um jogo de estratégia decente com algumas ideias que eu realmente gostei. O jogador assume o papel de um dos vários líderes da era das Cruzadas de toda a Europa e do Médio Oriente com o objetivo a ser simplesmente converter o mapa medieval para a cor do nosso reino. Para fazer isso temos de gerir exércitos para conquistar cidades, pesquisar formas mais avançadas de eliminar os grupos de hereges e povos inimigos. Cada turno permite que se execute uma ação com cada general aliado da nossa fação. Podemos usar esta ação para atacar uma cidade inimiga, para policiar o nosso próprio território para conter uma pequena revolta ou visitar a mesquita para adquirir um dos vários recursos necessários. Algo que Adquirir Plebby Quest: The Crusades faz realmente diferente é ter pequenos mini-jogos em áreas que outros jogos simplesmente avançam. Conseguir pontos de pesquisa na mesquita por exemplo envolve catalogar livros numa espécie de três em linha.

As batalhas em Plebby Quest: The Crusades parecem-se com um jogo de castle defense, com cada general a poder comandar até 5 unidades, que se alinham em fileiras no campo de batalha e lutam contra a força adversária. Muitas batalhas simplesmente resumem-se à força dos números, mas existem algumas opções táticas que podem fazer a diferença nas lutas corpo-a-corpo. Podemos ordenar que as unidades troquem de lugar no campo de batalha, o que é útil para dar à nossa linha de frente uma pausa no combate e uma chance de se curar. A cavalaria também pode receber ordens para atacar um inimigo, causando uma grande quantidade de dano e empurrando sua linha para trás, mas ficando vulnerável durante alguns segundos depois. Estes elementos simplificados de Plebby Quest conseguem tornar o jogo inicialmente mais acessível do que a maioria das grandes séries de estratégia, mas à medida que avançamos no jogo, mais estes elementos começam a limitar o pensamento estratégico que podemos ter.

A progressão em Plebby Quest é alcançada pela captura de aldeias, castelos e cidades. Enquanto que as aldeias podem ser capturadas facilmente, castelos e cidades são muito mais difíceis de conquistar, muitas vezes exigindo que tentemos várias vezes. Infelizmente tentar várias vezes é caro e aborrecido, já que sitiar um assentamento custa cerca de cem ouro para cada ataque. Existe uma maneira de contornar alguns destes poblemas, ao atacar o assentamento certo cosneguimos isolar outros do resto do reino e estas povoações recém-isoladas são essencialmente abandonadas e podem ser reivindicados sem luta. Plebby Quest: The Crusades não é simplesmente sobre ter o exército mais forte, mas usar as unidades que temos para explorar as fraquezas do inimigo. A forma mais eficaz de ganhar vantagem é criar estadas quando essa oportunidade aparece já que podemos facilmente dividir reinos a meio e assim atacar cirurgicamente. Manobras inteligentes não são a única maneira de derrotar um oponente com inteligência, em vez de força. De vez em quando participamos numa conferência religiosa, que é basicamente uma grande discussão internacional, com Reinos lançando acusações uns aos outros que vão desde heresia até abrigar bruxas uns aos outros. Uma vez feitas as acusações, todos podem votar se as apóiam ou se opõem. Quaisquer acusações mantidas terão ramificações graves para o estado em questão. Conseqüentemente, essas conferências podem ser usadas para semear a dissidência e o caos nas facções inimigas e isso traz oportunidades para nós.

Visualmente não é um jogo muito interessante e o som também não é melhor. Mas de tudo o que Plebby Quest: The Crusades tem para oferecer aquilo que menos impressiona é a espécie de história que existe no jogo. O jogo está recheado de diálogo que não vai a lado nenhum. O jogo tem algumas boas linhas diálogo com um humor engraçado mas no geral nada aqui vale a pena ler, podem facilmente manter o ctrl e pressionado para acelerar todo o jogo e ir clicando no espaço para passar os diálogos à frente. Apesar desses problemas, Plebby Quest: The Crusades consegue ser um Crusader Kings simplificado que oferece uma versão light de tudo o que o jogo da Paradox tem para oferecer.

Tiago Roque

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