Análise: Road to Guangdong

Road to Guangdong é um simulador de condução bastante diferente daqueles com os quais tenho experiência e sinceramente nem tudo o que nos apresenta resulta e no geral é um jogo bastante deceptionante. Nada no jogo é realmente excitante, visualmente é pobre, baseando-se num estilo lowpoly que além de não o favorecer em nada, não funciona de todo no que toca a personagens, a história é aborrecida e as personagens conseguem ser menos interessantes que a história e por fim a jogabilidade é aborrecida. É também impressionante que um jogo tão pobre visualmente tenha uma performance tão má na Switch em modo handheld. Mesmo coisas pequenas como o rádio do carro não impressionam ou satisfazem sequer, existem apenas dois canais de rádio de Road to Guangdong , um com música oriental e outro com synthwave e estes são os dois mundos do jogo. É esta mistura entre os dois gêneros que inspira o jogo, primeiro tem uma história e personagens muito tradicionais chinesas mas depois tem um ambiente muito “synth”.

Não há nada que de repente torne o jogo interessante, Road to Guangdong é uma viagem longa e cansativa, algo que consegue mesmo tendo uma longevidade curta. Além de ser extremamente lento, as expressões minimalistas e mecânicas  muito limitadas só trazem mais atenção para os diálogos monótonos e sem brilho do jogo. Mesmo a condução não tem nada de simulação, o jogo baseia-se em diálogos e viagens de carro e as viagens de carro colocam-nos a conduzir um carro que é uma relíquia de família e que apesar de ser extremamente lento, qualquer clique na direção parece que demos meio volta ao volante. Nós jogamos como Sunny Tong, uma jovem graduada em arte cujos pais faleceram recentemente num acidente e lhe deixaram um restaurante para administrar. Antes de tomar conta do restaurantes temos de visitar os seus parentes em Guangdong e ao mesmo tempo, também colecionar receitas para administrar o restaurante. Uma parte visual nove, uma parte do simulador de viagem, Road to Guangdong alterna entre dirigir até a casa dos parentes e interagir com sua família.

Tal como numa visual novel, as conversas acontecem escolhendo-se opções de uma lista de opções de diálogo, apimentadas por percepções que se pode apanhar para expandir as conversas. Essas escolhas significam muito pouco, sem qualquer influência marcante no desenrolar ou final do jogo, pelo menos que me tenha apercebido. Mais estranho ainda é a nítida falta de música durante esses segmentos narrativos, além dos efeitos sonoros de interface que tocam quando se escolhe uma das respostas. Por muito que a jogabilidade de condução seja fraca, e é, estas secções de diálogo são largamente piores e apenas ansiamos voltar à estrada.  O carro da família é um amontoado de lixo que quase não se sustenta na estrada, por isso não pode ir muito rápido ou o carro avaria. Além disso também precisamos de ter algum cuidado com o medidor de gasolina e óleo antes que fiquem muito baixos e reciclar as peças do carro que podem ser convenientemente recolhidas em sucatas ao longo do caminho ou compradas em postos de gasolina.

E embora o passeio em si possa ser hipnótico e relaxante, não há qualquer prazer de conduzir. As estradas em Road to Guangdong são são retas e  lineares, com as únicas paragens a serem em postos de gasolina que encontramos a cada par de quilómetros. Além disso os visuais lowpoly do jogo também pouco fazem para tornar tudo isto minimamente interessante.Guu Ma também é uma companheira de viagem extremamente aborrecida. Longe de ser como conversar com um parente querido, este diálogo é mais parecido com interagir com uma assistente virtual, já que ela basicamente nos relembra sobre o estado do carro em intervalos específicos. Além disso também conta anedotas banais sobre a família, mas não acrescentam qualquer sombra de intimidade ou acrescentam algo sobre a história.

Apesar da premissa poder ser interessante, Road to Guangdong é um jogo que não consegue impressionar em nenhuma das suas vertentes. Um jogo de condução com uma vertente visual novel poderia funcionar e a condução fosse interessante. Obviamente que não poderia ser um jogo de corridas mas imaginem uma versão jogável de Due Date ou um filme melhor desse género e há algo a poder ser explorado aqui, mas Road to Guangdong está longe de conseguir vender a ideia.

Tiago Roque

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