Análise: Stilstand

Stilstand é uma visual novel de inspiração nos comics mais ocidentais do que no habitual japonês que nos salta à memória sempre que pensavamos em visual novels. É também um jogo mais interativo do que o que estamos habituados já que utiliza muitos elementos clicáveis nos quadradadinhos que compõe a cena. Algo ainda ainda mais impressionante para um jogo que é quase exclusivamente apresentado em preto e branco. Usando um estilo de arte que praticamente nunca aparece em jogos, Stilstand parece ter sido desenhado com uma caneta esferográfica. É um visual totalmente único mas extremamente cativantes. Completando a apresentação está uma banda sonora fenomenal que realmente passa a melancolia do jogo.

Aquilo que pode não agradar à maioria dos jogadores é o facto de Stilstand ter apenas 1 hora de duração e descrever qualquer um dos principais eventos basicamente arruinava o jogo para praticamente todos os jogadores. Se gostarem mais ou menos do que o jogo soa nesta análise então simplesmente comprem e irão aproveitar muito melhor a história. Apesar do curto tempo de execução, este título ainda consegue contar uma história convincente com 3 atos e intervalos que conta uma história que irá encontrar em quem sofreu de depressão ou tem transtorno de personalidade o seu publico principal. Mas é também um espelho divertido da situação que se preocua em divertir o jogador e não em relembrar tempos menos bons. É um jogo que sabe exatamente o que é.

Em muitos jogos que envolvem saúde mental, a depressão ou doença mental é expressa como um vilão, algo que não acontece em Stilstand. É uma abordagem única sobre um aspecto da saúde mental que raramente, ou nunca, é explorado. É também bem mais interessante do que a abordagem geral. Embora o final em si seja comovente, a falta de interactividade do jogo não ajuda a fazer a ligação entre o jogdor e a personagem e a falta de interactividade acaba por se ir agravando ao longo do jogo e os últimos minutos são basicamente uma visual novel tradicional onde não há nada para clicar.

Stilstand pode ser acabado em menos tempo que um filme, sinceramente acho que há episódios de séries maiores, mas tem uma perspectiva sobre a doença mental bastante interessante que não encontramos noutro sítio. A originalidade da arte e a qualidade da banda sonora são outros dos aspetos que fazem de Stilstand um jogo curto mas que vale realmente a pena jogar.

Tiago Roque

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