Análise: Sackboy: A Big Adventure

O lançamento da PlayStation 5 foi um pouco estranho. Com stocks muito limitados, muitos jogos disponíveis para PS4 e PS5 ao mesmo tempo e algumas questões confusas com os upgrades das versões da geração passada, tudo parece indicar que o verdadeiro “forcing” à PS5 deverá começar no próximo ano. LittleBigPlanet tem vindo a fazer parte das consolas da Sony desde a PlayStation 3, marcando depois presenta na PlayStation Portable, PlayStation Vita e PlayStation 4. Agora na PlayStation 5 não recebemos para já um novo LittleBigPlanet mas o icónico Sackboy tem um papel central na lista de jogos de lançamento, tendo direito a um jogo de plataformas com o seu nome.

Sackboy: A Big Adventure é um jogo ideal para quem nunca teve grande paciência para filtrar os bons níveis criados pelos jogadores em cada um dos LittleBigPlanet e não justificava o preço do jogo para jogar apenas o modo história e jogar apenas os níveis criados pela equipa de desenvolvimento. Embora mantenha as habilidades gerais de jogo, os visuais artesanais e a sua jogabilidade orientada à física, Sackboy: A Big Adventure é essencialmente um reboot da série que reimagina o jogo como um jogo de plataformas 3D mais tradicional. Não há nenhuma referência à história dos jogos anteriores e o pequeno elenco de personagens à volta de Sackboy é todo novo. Apesar de não ser uma componente forte em LittleBigPlanet, quase todos eles tiveram modo história e seria interessante ter aqui algumas referências a esses eventos. Mas o resultado final de Sackboy: A Big Adventure é um excelente jogo de plataformas com muito conteúdo para oferecer.

Os jogadores irão encontrar aqui seis mundos para explorar e mais de 70 níveis. Como o nome indica controlamos Sackboy, que se encontra numa demanda para salvar Craftworld, contra Vex, que tenta espalhar uma força maligna conhecida como Uproar neste mundo. O forte de LittleBigPlanet nunca foi a história e Sackboy: A Big Adventure não muda muito isso. Todas as histórias da série foram sempre lineares e novamente não há muito na história aqui. Temos o nosso silencioso Sackboy, com a ajuda de uma Sackwoman mais velha e o resto é basicamente a jornada de um herói. O foco é sempre a jogabilidade e os criadores do jogo sabem perfeitamente onde meter os seus esforços já que onde Sackboy: A Big Adventure devia brilhar, consegue sempre fazê-lo.

Os níveis conseguem apresentar algum desafio, mas não é apenas o desafio em si que é gratificante, mas a forma como cada nível faz sempre um grande uso do conjunto básico de habilidades do Sackboy, o salto, uma elevação no ar tipo Yoshi, um rebolar e por fim a possibilidade de agarrar e um murro básico. O que faz com que tudo resulte da melhor forma possível são os dispositivos que podemos pegar e utilizar. Nenhum deles é super original e não temos aqui nada de ultra revolucionário como a Gravity Gun de Half Life 2, mas todos eles funcionam muito bem e mais importante do que isso, são utilizados de formas inteligentes para criar desafios para os jogadores.

Outro elemento que Sackboy: A Big Adventure utiliza de forma brilhante é a música, com alguns dos níveis a tornarem-se verdadeiramente memoráveis por serem projetados e sincronizados com músicas como a “Uptown Funk” do Bruno Mars. Estes segmentos contêm momentos realmente divertidos com todos os elementos do jogo a estarem sincronizados com a música, até os inimigos. Mesmo nos níveis que não são totalmente centrados na música, existem alguns toques interessantes com destaque para versões de musicas conhecidas que encaixam na perfeição no nível em questão.

Se o departamente de som está a grande nível, visualmente não fica atrás. Sackboy: A Big Adventure brilha no PlayStation 5, apesar de não ser revolucionário, os materiais são impressionantes, com texturas detalhadas e uma profundidade que nos fazem sentir quse como se estivessemos a controlar uma camâra num ambiente artesanal. Desde tecido a papel, todos os materiais são identificáveis e realistas, algo apenas possível nestas consolas de nova geração. A atenção ao detalhe e o raytracing permitem apresentar os visuais inpirados em LittleBigPlanet de maneiras totalmente realistas. Existem apenas dois elementos que poderiam estar ligeiramente melhores. Por um lado alguns elementos mais abstratos do jogo não beneficiam da mesma capacidade de ilusão e os gatilhos do novoDualSense são apenas utilizados de formas muito básicas.

Além de podermos jogar o jogo inteiro em co-op com até quatro jogadores, alguns níveis também são fechados e podem apenas ser jogados em co-op, embora sejam todos opcionais. Isto é algo que LittleBigPlanet já tinha feito por isso não foi uma enorme surpresa para mim. Estes níveis são projetados de forma a que os jogadores precisem de trabalhar juntos por isso faz sentido que apenas se possam jogar com outros jogadores.

Sackboy: A Big Adventure tem concorrência forte na linha de lançamento da PS5 e dificilmente irá ser lembrado como o melhor jogo entre os apresentados aos jogadores neste momento, mas é um jogo muito bem conseguido. A jogabilidade é boa apesar de as poucas frustrações reais do jogo venham da natureza excessivamente analógica do jogo, com Sackboy a ser demasiado flutuante e menos responsivo. Mas não há nada aqui que quebre realmente a diversão. Sackboy continua a ser uma personagem com carisma e apesar de não estar ao nível de um Mario ou Sonic está bem perto de se tornar em algo do género para a PlayStation.

Tiago Roque

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