Análise: PositronX

PositronX é um FPS roguelite desenvolvido pela Scorpius Games e apesar de estar em Early Access quando recebi o código da editora, como a review foi atrasando está já lançado oficialmente. O resultado final é um jogo divertido mas que tem alguns problemas. Alguns que deveriam ter sido eliminados durante o periodo em acesso antecipado e outros que vêm da própria concepção do jogo e design dos seus criadores. Como um roguelite, a jogabilidade de PositronX gira em torno de limpar salas geradas aleatoriamente de números aleatoriso de inimigos também eles gerados aleatoriamente.

A primeira coisa que notamos ao navegar o mapa é que o PositronX fecha cada “sala” e separa-as por ecrãs de carregamento muito curtos, mas que ao não serem imperceptíveis vão-se tornando intruisivos a mais. Visualmente é um jogo que mesmo sendo bonito não tem necessidade destas artimanhas para poupar recursos. Os gráficos em PositronX estão recheados de neon e cores brilhantes e, ocasionalmente, podem transformar o jogo numa confusão que sobrecarrega os sentidos. À medida que vamos avançando no jogo o sentimento de confusão vai-se assentuando e pode tornar-se frustrante.

Apesar de ser fã de jogos roguelite, quando os criadores optam por simplesmente colocar-nos em salas aleatórias porque sim perco bastante interesse. Os controles são funcionais e não percebo a omissão de agachar. Não é algo que ocupasse muito tempo a desenvolver aos criadores do jogo e em termos de jogabilidade não acho que seja uma omissão que acrescente alguma coisa de importante à jogabilidade. A equipa de desenvolvimento de PositronX está à procura de uma estética de estilo retro que explique por que recursos como agachar ou esquivar não estão presentes, mas estamos em 2020 e não percebo e não tenho que perceber esta decisão.

Os inimigos são uma mistura de robôs genéricos que poderiam ter sido melhorados com um pouco mais de variedade. O mesmo aplica-se às várias salas do jogo que também são bastante genéricas e têm a mesma aparência. Variedade é efetivamente o que falta ao jogo. O género roguelite vive de geração processual mas em alguns jogos sente-se bastante falta de uma atenção ao detalhe que não parece possível a trabalhar desta forma. Algumas coisas não foram feitas para serem vistas num monitor HD, mas o jogo possui uma opção visual que melhora um pouco este problema. O jogo tem aliás um leque extenso de opções que ajudam a melhorar muitos dos aspetos visuais do jogo. Há também uma ferramenta útil que quando utilizada mostra em silhueta todos os robôs restantes no nível para que possamos encontrá-los. Às vezes, eles se misturam ao cenário e podem ser muito difíceis de detectar.

Tal como em praticamente todos os roguelites e roguelies alguma vez criados, as melhorias da nossa personagem são o o ponto central da jogabilidade e aqui são também o núcleo da criatividade da PositronX. Recebemos melhorias para as nossas armas para causar mais danos, mastemos outros implantes mais interessantes, como um que transforma PositronX num jogo no estilo de Superhot por exemplo, em que o tempo apenas corre quando nos movemos. Há muita criatividade aqui e que infelizmente falta noutras vertentes do jogo. Podemos trocar de melhorias a qualquer momento e existem várias classes para desbloquear, cada uma com as suas próprias armas iniciais, implantes e bônus.

PositronX apresenta algumas lacunas que deveriam ter sido resolvidas durante a fase de acesso antecipado, mas as principais falhas acabam por ser na sua abordagem ao género roguelite. Há também elementos como os upgrades que realmente funcionam, são originais, únicos e o principal ponto forte do jogo. Se são fãs do género ou de FPSs no geral é uma proposta que podem pensar quando a encontrarem com uma promoção de 50% por exemplo.

Tiago Roque

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