Análise: Strife: Veteran Edition

Se gostam de jogos retro há muito por onde escolher, mas nem todas as edições e relançamentos funcionam em 2020. Muitos jogos ficaram congelados numa visão nostálgica e quando pegamos num comando e realmente jogamos alguns jogos de nos lembramos da nossa infância somos inundados por pensamentos como, tinha ideia que isto se jogava melhor ou os gráficos sempre foram tão feios? Mas há clássicos eternos como Super Mario bros por exemplo que continuam a ser perfeitamente atuais. Strife: Veteran Edition é um jogo sobre o qual não sabia absolutamente nada antes de o jogar agora em 2020 e apesar de isso fazer com que não tenha qualquer sentimento agarrado ao jogo, também não me cria uma imagem manchada pela nostalgia.

Desenvolvido em 1996, Strife destaca-se como um dos primeiros exemplos de um RPG na primeira pessoa. A Rogue Entertainment acabou por não vingar neste mundo dos videojogos, lançando apenas alguns pacotes de missões para Quake e Quake II e o jogo de culto American McGee’s Alice, acabando por fechar em 2001. Em 2014 a Night Dive Studios lançou a Veteran’s Edition e essa é a versão que chega agora à Switch. Pode parecer estranho que um jogo de 1996 chegue à Switch sem ser numa espécie de remake ou remaster, mas não é inédito e o resultado é realmente bom.


A maior parte do crédito vai para a Night Dive Studios que tornou Strife: Veteran Edition fantástico de jogar na Nintendo Switch. Visualmente é um jogo que passaria perfeitamente por um jogo de inspiração retro de um bom estúdio indie e não um jogo efetivamente lançado à 24 anos. Strife: Veteran Edition é um FPS com elementos de RPG, algo que naquela época foi revolucionário mas que atualmente é simplesmente o normal da grande maioria dos jogos já que coisas como gestão de inventário, consumiveis e quests fazem parte de praticamente todos os jogos, RPGs ou nem por isso. Alguns NPCs são amigáveis ​​e dão-nos missões que movem a história adiante e são quase todas muito simples, variando pouco da comum “fetch quest” em que nos mandam ir a algum lugar para fazer algo ou recuperar um item. Não há pontos de passagem, mas há um mapa que que nos ajuda a orientar. A verdadeira guia é Blackbird, uma personagem do jogo que passa a maior parte do jogo como uma voz e que se revela a sua verdadeira natureza dependendo das nossas escolhas durante o jogo.

Apesar de usar uma versão modificada do motor original, Strife: Veteran Edition para a Switch é o mais fiel possível à sua forma original. Os inimigos são sprites e não há muita variação entre eles. Se estão à procura de um jogo 3D como algumas versões modernas de Duke Nukem por exemplo, não irão encontrar isso aqui. Como a maioria dos FPSs da época, Strife tem também uma pequena variedade de armas para descobrir e possui um sistema de itens. Podemos recolher kits de saúde e outros itens que nos ajudam nos tiroteios do jogo. A maioria das armas que usamos são bastante normais e variações de Doom e não há nenhuma arma que eu considere memorável.

O combate começa devagar mas eventualmente, começam a parecer-se muito com Doom. O combate é divertido e se preferirem controlos giroscópicos, essa também é uma opção, mas sinceramente controlar um FPS com dois analógicos é tão natural agora como com rato e teclado. Strife: Veteran Edition é definitivamente um jogo que merece mérito, especialmente para aqueles a quem este jogo fugiu no lançamento original.

Tiago Roque

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