Análise: Katamari Damacy REROLL

Eu uso a expressão “um dos meus jogos favoritos” de forma algo leviana, mas Katamari Damacy é sem dúvida um dos meus jogos favoritos da era PlayStation 2. Ter criado uma série apartir de Katamari Damacy por outro lado não sei até que ponto foi a melhor ideia, especialmente porque não é um jogo que possa evoluir muito mais além de graficamente. Por isso Katamari Damacy ficou para mim quase como o único Katamari e todos os que vieram a seguir não acrescentaram muito à minha opinião. A mecânica super simples de Katamari Damacy não é propriamente dada a evolução e a sua jogabilidade simples, design absurdo e visuais coloridos precisam de estar exatamente como estiveram em Katamari Damacy para que o sucesso seja garantido.

É por isso que recebi com bastante entusiasmo este novo Katamari Damacy REROLL que é um remake do primeiro jogo da série e apenas atualiza algo que é essencialmente perfeito. O mundo peculiar de Katamari voltou e desta vez num fantástico mundo HD para nos contara história do Príncipe do Cosmos, que tem a tarefa de substituir todas as estrelas no céu já que o seu pai, o Rei do Cosmos, derrubou-as todas enquanto corria pelo universo, cabendo ao seu herdeiro arranjar novas. Com gráficos e desempenho melhoradas e cutscenes completamente refeitas em alta definição, esta estranha mistura de puzzles e ação está melhor do que alguma vez foi.

Para encher o céu de estrelas, o Príncipe tem de rolar uma bola em pequenos mapas que vai agarrando coisas enquanto passa por elas, desde que sejam mais pequenas que a bola. Quanto mais coisas ele atropela, maior se torna a bola e quanto maior se torna a bola, maiores são as coisas que ele pode apanhar. E quanto maior a bola, mais impressionado o Rei do Cosmos fica. Katamari Damacy e o seu remake Katamari Damacy REROLL são jogos muito acessíveis a qualquer jogador, no entanto conseguir pontuações altas requer alguma perícia e conhecimento dos mapas. Saber onde estão os itens que nos ajudam a crescer o mais rápido possível é a chave do sucesso. Além do tamanho dos itens que queremos agarrar, também podemos agarrar itens um pouco acima do que deveríamos conseguir se nos mover-mos rápido o suficiente para derrubá-los. Alguns objetos não podem ser movidos e, se bater-mos neles com muita força, corremos o risco de derrubar os itens que já recolhemos. Além disso alguns itens movem-se e se formos pequenos podemos ser arrastados e largar alguns dos objetos que já apanhá-mos. Saber o que podemos ou não recolher é muito importante, especialmente quando tentamos apanhar objetos que se movem.

Se nunca jogaram nenhum dos jogos Katamari antes, pode demorar um pouco para dominarem os controlos, no entanto desde o lançamento do jogo o sistema de analógicos duplos tornou-se comum em muitos jogos por isso pode ser bem menos confuso agora do que na altura. Basicamente precisam de usar os dois analógicos ao mesmo tempo para mover e rodar o principe à volta do seu Katamari e acostumar-se aos movimentos cuidadosos necessários para navegar no mapa não é fácil. No entanto, uma vez que se habituem ao modo de controlo de Katamari Damacy Reroll, este torna-se uma experiência relaxante e consistentemente recompensadora.

Em termos de modos, Katamari Damacy REROLL traz de volta todos os modos clássicos que tornaram o original tão bom de se jogar. O modo ‘Make A Star’ é a experiência central, com o Rei do Cosmos a julgar os nossos esforços pelo tamanho e composição da nossa criação. Temos também um modo de ataque de pontuação e um modo infinito altamente relaxante. Graças ao estilo de arte low-poly do jogo, este evelheceu incrivelmente bem e um jogador que simplesmente não conheça Katamari, nunca saberia que ele foi lançado à quase 15 anos atrás. Por essa razão Katamari Damacy REROLL só precisava suavizar as bordas e garantir que funcionasse perfeitamente no hardware mais recente para ter sucesso e o resultado é um jogo legitimamente maravilhoso que praticamente não envelheceu um dia. N

Katamari Damacy REROLL é tudo o que um remake deveria ser, sem complicar e apenas a atualizar o que fez do original excelente. Numa altura onde o mercado está cheio de remasters e remakes, Katamari Damacy REROLL consegue ser um dos poucos que fazem realmente sentido, já que é uma série que embora não esteja esquecida está longe de ter lançamentos recentes ou constantes e o jogo original é antigo o suficiente para justificar o remake.

Tiago Roque

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