Análise: Rune II: Decapitation Edition

Rune não foi um super sucesso de vendas quando foi lançado originalmente, mas foi geralmente bem recebido, tanto pela crítica como pelos jogadores que o jogaram no lançamento original. Infelizmente o jogo sofre do mesmo mal que muitos jogos antigos, mesmo que o consigam correr é um bocado fraco quando olhado com olhos modernos. Rune II prometia bastante, e parecia existir uma visão no projeto, mas este acabou por ficar marcado por eventos suficientes para dar um filme, com traição, ganância e até um vilão. A história reza que a Zenimax (Bethesda), ao ver o trabalho feito em Rune II, entrou em contacto com a Human Head Studios e as conversas acabaram por a equipa lançar o jogo cheio de bugs, fechar o estúdio e abrir um novo passado muito pouco tempo sobre o controlo da Zenimax. Rune II acabou por chegar ao mercado de uma forma miserável e que não respeita nada o legado do primeiro jogo e da própria Human Head Studios, que tinha sido a responsável pelo jogo original também. Por outro lado, as pessoas da Human Head Studios acabavam por lançar um verdadeiro jogo à Bethesda, que normalmente também chegam recheados de bugs. Mas a história de Rune II não ficaria por aí e além da editora ter colocado toda a gente em tribunal por tudo o que se passou, entregou ainda o jogo a outra equipa para resolver os seus problemas e no geral acabar o jogo, resultando nesta Decapitation Edition que chega agora ao mercado.

Em Rune II criamos um Viking que é depois invocado pelo poderoso Heimdall para impedir um plano de Loki para desencadear um ciclo interminável de Ragnarok em Midgard. Criar a nossa própria personagem num RPG é bastante normal e o jogo conta com uma escolha de penteados e cabelos faciais adequados e uma abordagem acessível para estatísticas da nossa personagem. Ao subir de nível recebemos pontos que podemos gastar em um dos quatro ramos, força, destreza, sabedoria ou constituição. Cada um destes ramos tem vários efeitos lógicos nas suas habilidades gerais e embora isso possa parecer limitado em comparação com os sistemas de muitos outros jogos do género, é perfeitamente aceitavel esta abordagem já que Rune II apesar de ser para todos os efeitos um RPG, é essencialmente um jogo de ação. Também os equipamentos e armas têm melhorias embutidos e há muita jogabilidade de saque incluída no jogo.

Visualmente, Rune II é um jogo muito mais bonito do que a versão do ano passado. Tendo em conta que é essencialmente o mesmo jogo, não deixa de ser surpreendente e mesamo que não atinja os padrões de Assassin’s Creed: Valhalla ou God of War, há uma boa quantidade de detalhes nos ambientes e nos modelos dos inimigos. A maior melhoria é nas Idades mais definidas pelas quais passamos, o que faz com que a paisagem familiar seja transformada pela devastação do gelo, fogo e escuridão e sobretudo como estas alterações se adequam à história de Rune II. O mundo do jogo é bastante grande, mas não há grande incentivo para sair do caminho além de alguns baús e itens que são verdadeiramente opcionais.Outro ponto a ter em conta é que o lançamento do ano passado não tinha qualquer narrativa real e esta nova edição das mãos do Studio 369 tem uma campanha completa. No estilo tradicional de RPG de ação, muitas das missões são missões relativamente simples de matar ou procurar um item, mas fornecem uma estrutura adequada para o combate impressionante do jogo. O foco principal é realmente o combate e o saque. Os inimigos largam itens, mas também podemos encontrar itens em baús contêm saques, e até misturar materiais para os criar, o que resulta numa seleção de armas e equipamentos em constante evoluçãog. Tudo isso é fácil de gerir com a interface bastante intuitiva.

Após as missões do tutorial temos a opção de nos aliar a um Deus. Odin, Hel e Thor abrem diferentes árvores de habilidades e estilos de jogo. É uma forma diferente de nos apresentar aquilo que é essencialmente um sistema de classes ou personagens estilo Diablo mas de uma forma ligeiramente diferente que além de original, é muito adequada à temática do jogo. Rune II: Decapitation Edition é um jogo inteiramente novo, e não apenas uma atualização do lançamento do ano passado. Rune II continua com defeitos e problemas, mas quando olhamos para o trabalho feito aqui não podemos deixar de ficar impressionados. Se gostam de RPGs de ação mais “old-school”, Rune II é essencialmente o que procuram.

Tiago Roque

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